<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245</id><updated>2012-01-26T18:45:50.464-08:00</updated><title type='text'>Um Macaco Fonia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>65</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-5583488166907296551</id><published>2009-03-14T15:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-14T15:08:09.698-07:00</updated><title type='text'>Oscar, o da Academia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Embora nunca tenha pisado num palco, ainda aguardo ansiosamente o dia em que buscarei a famosa estatueta. O discurso já está pronto, na ponta da língua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Antes de mais nada, quero confirmar que fiz de um tudo para ganhar este prêmio. Mas que agora, aqui, segurando ele, percebo que não valeu tanto a pena assim”.&lt;br /&gt;“À minha maior fonte inspiradora, Tiffany. Ti, ainda tenho seu pôster na porta do banheiro (nua, totalmente depilada)”.&lt;br /&gt;“À minha querida esposa, Amanda, sempre reclamando a minha presença, e ao meu vizinho Ted, sempre disposto a consolá-la nas minhas ausências”.&lt;br /&gt;“Ao meu alfaiate, Alfred: achei a agulha perdida na confecção desse belo terno. Segunda devolvo, desinfetada”.&lt;br /&gt;“Ao cachorro Sanson, do apartamento ao lado. Sem você teria dormido todas as noites sossegado, até as quatro da tarde”.&lt;br /&gt;“Ao meu tio Edward, por ter dado ao mundo seu filho Simon, PhD, que sempre me lembrou de quanto eu era ignorante”.&lt;br /&gt;“À minha professora de inglês, Cecily, que não me explicou que o “&lt;em&gt;exit&lt;/em&gt;” que tanto me mostravam no final dos meus ensaios não significava &lt;em&gt;êxito&lt;/em&gt; profissional”.&lt;br /&gt;“À minha mãe, que a vida toda, claro, sempre me deu muito apoio. Não só apoio, mas abdominal, polichinelo e aquela agachadinha à la cachorro no poste que me resultaram nestes glúteos maravilhosos. E ao meu pai, lógico, sem ele eu não seria nada, seja lá quem ele seja”.&lt;br /&gt;“E em particular aos meus concorrentes neste prêmio: dediquem-se a outra coisa, pois se perderam para mim é sinal de que não têm o menor talento. &lt;em&gt;Sorry&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;“Por último, aos meus filhos Jonathan, Cindy e Ned: isto aqui é só do papai, não toquem nele. Mas este pacotinho de Confeti aqui no meu bolso é todo pra vocês!”&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;I love you all&lt;/em&gt;!”&lt;br /&gt;Choro.&lt;br /&gt;Aplausos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-5583488166907296551?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/5583488166907296551/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=5583488166907296551&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/5583488166907296551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/5583488166907296551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2009/03/oscar-o-da-academia.html' title='Oscar, o da Academia'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-8445492273988013960</id><published>2009-02-14T14:31:00.000-08:00</published><updated>2009-02-14T14:32:30.032-08:00</updated><title type='text'>Algo Noir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao atingir o estágio REM, minha memória RAM se extinguirá completamente.&lt;br /&gt;Bits and bytes, pixels mesclar-se-ão na vasta oca escuridão, pálida recriação de fatos vívidos.&lt;br /&gt;Sacolejo, grito e baba. Babo, sacolejo e grito, não nessa ordem.&lt;br /&gt;Ao ápice, auge, onde tudo te apetece.&lt;br /&gt;Coreto tocando um silêncio.&lt;br /&gt;Só um som de acordeom. Covarde: pena não estar acordeado.&lt;br /&gt;Incensa tez. Eva porejando, lágrimas, suor e baba. De que orifício falta sair água?&lt;br /&gt;Fatos remotos sem controle. Tiros de degelo na madrugada. Tiros de geladeira, sonantes, tiros frost-free. Matam no sono, sem deixar pistas.&lt;br /&gt;Pizzas, talvez (requentadas no dia seguinte, que nunca vem). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-8445492273988013960?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/8445492273988013960/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=8445492273988013960&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8445492273988013960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8445492273988013960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2009/02/algo-noir.html' title='Algo Noir'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-4359912624101274283</id><published>2009-01-11T17:49:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T17:50:29.956-08:00</updated><title type='text'>Venerando</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando jovem, lembro de ter pego doença venérea. Na primeira enxadada, uma minhoca. Constrangedor. Mais constrangedor na esfera sexual, apenas o fato da minha mãe me obrigar a andar pra todo lado carregando uma camisinha. Não importava o pequeno detalhe de que eu ainda não estivesse transando. Demorei muito para começar a transar. Praga da primeira camisinha. Ainda tenho ela guardada como recordação numa gaveta lá de casa. Que nem a primeira moeda do Tio Patinhas, só que ao contrário.&lt;br /&gt;Mas voltando à doença venérea: constrangedor, como já disse. Não tanto pela doença, facilmente tratável com uma poção ácida aplicada diretamente na vítima (meu órgão genital, no caso). Mas pelo nome da “bicha”: “crista-de-galo”.&lt;br /&gt;Ficava imaginando uma conversa entre amigos de escritório:&lt;br /&gt;-Cara, peguei “crista-de-galo”.&lt;br /&gt;-Hum, não brinca. Meu irmão teve. Dois meses pra sarar. Aquela coisinha amarela...&lt;br /&gt;-Que coisinha amarela?&lt;br /&gt;-Ué. Não é dessa que sai um puzinho?&lt;br /&gt;-Não – diz um outro, se metendo na conversa. –Aquela do puzinho é o “rubi-da-Índia”.&lt;br /&gt;-Rubi? Mas rubi não é vermelho? O que é que tem a ver com puzinho?&lt;br /&gt;-Sei lá. Vai ver que tem sangue no final. Não me pergunte que eu nunca peguei. Quer dizer... já peguei foi “fogo-do-mato”.&lt;br /&gt;-“Fogo-do-mato” é brabo. Aquelas casquinhas, aquele desejo de coçar tudo no meio da reunião...&lt;br /&gt;-Não, rapaz, essa daí é a “pingo-de-abelha”.&lt;br /&gt;-“Pingo-de-abelha”? Como é que você sabe?&lt;br /&gt;-Minha tia teve “pingo-de-abelha”. Por isso tá até hoje solteira.&lt;br /&gt;-Ach!...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-4359912624101274283?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/4359912624101274283/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=4359912624101274283&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4359912624101274283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4359912624101274283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2009/01/venerando.html' title='Venerando'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-6182494932272257046</id><published>2008-11-07T00:02:00.000-08:00</published><updated>2008-11-07T00:03:03.895-08:00</updated><title type='text'>Apodecimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na pequena mas já famosa localidade de Caixa-Prego, lá mesmo onde o vento faz a curva, onde o Diabo, por ter suas botas perdidas, tem de andar pela aí descalço, conheci mais um desses meninos de nome um tanto pitoresco.&lt;br /&gt;Ensejo. Ensejo Wittenschopel (o sobrenome não importa).&lt;br /&gt;A mãe, questionada sobre a origem (do nome, não do menino, o que a teria ofendidíssima) explicou, com seu jeito interiorano (caixapreguenses se orgulham de sua natureza campesina) que sua intenção foi tornar o pequeno rapaz, veja você - isso é inédito nas mães - alguém importante, já que ela, exceto pelo fato de ser mãe do Ensejo, não o era exatamente (importante, quero dizer, acho que me acompanha).&lt;br /&gt;Explica a madralga (aqui usado como o oposto de fidalga, claro esteja) que na sua juventude costumava freqüentar reuniões parlamentares nas cidades mais importantes do Estado, na qualidade de Oficial de limpeza e Prestadora de pequenos serviços.&lt;br /&gt;E ali, conta embevecida, sempre ouvia os cidadãos mais distintos se referirem ao que se seria o futuro nome do seu filho:&lt;br /&gt;-Quero aproveitar aqui o Ensejo...&lt;br /&gt;-Aproveitando o Ensejo...&lt;br /&gt;Que proveito tem esse Ensejo, pensava ela. Deve de ser alguém importante, qualificado, pensava, ainda que gramaticalmente incorreta.&lt;br /&gt;Foi então que, ao nascer seu primogênito (pobre também tem primogênito, mas o chama carinhosamente de “primeiro filho”), o nomeou, como já imaginamos, “Ensejo”.&lt;br /&gt;-Mas, e o pai?  - quis saber, tentando aliviar sua barra (a dele). Concordou com o nome?&lt;br /&gt;-Concordou, respondeu. Quer falar com ele?&lt;br /&gt;-Quero, respondi só por educação.&lt;br /&gt;-Casião! – deu um grito da pequena sala. Tem um moço aqui querendo falar com você! Aproveita, ô Casião, e pede pra ele alguma coisa!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-6182494932272257046?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/6182494932272257046/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=6182494932272257046&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6182494932272257046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6182494932272257046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/11/apodecimento.html' title='Apodecimento'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-489617750059140374</id><published>2008-10-13T17:17:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T17:21:54.669-07:00</updated><title type='text'>O Velho, O Novo... (Parte 2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bato na sineta. Nisto sou melhor que ele, Clint. Berta, a velha Berta, expressão fechada, vem me atender. Abre-se num sorriso ao ver de quem se trata. As mãos trêmulas quase a impede de preencher a ficha. O velho Párquisom. Penso, não sem um tanto de maldade, o quanto a doença tem lhe sido útil na sua viuvez. &lt;br /&gt;            -Olha quem está aqui! – diz a uma das prostitutas que folheia uma Caras no sofá de couro roto do hall.&lt;br /&gt;            A prostituta sorri e volta a cruzar as grossas pernas, lambendo os dedos na virada das páginas.&lt;br /&gt;            Peço o quarto dos fundos: não quero dividir sacada com as mulheres. Tudo o que preciso é dum bom banho e de uma cama, mas agora me ocorre inverter a ordem. O banho pode novamente esperar. Sigo os passos que me levam ao quarto no segundo andar. Estranho, são meus mesmos, não há mais ninguém comigo. A cama urge. Estarei mesmo no hotel? Apalpo a foto do centro da cidade no início do século. É real, meu tato normalmente é o último sentido que me abandona. Penso novamente em largar o ofício, o peso dos anos já se faz sentir. O maquinário é cada vez mais leve, mas torna-se ainda assim difícil para meus tríceps atrofiados, minhas mãos cada vez mais trêmulas, como as mãos de Berta.&lt;br /&gt;            Entro no quarto, desanimado. Tento me manter focado apenas no objetivo da minha árdua missão. Desvisto o pesado sobretudo em cima da pequena mesa, não sem antes conferir, me agachando, a limpeza do móvel. Quantas bundas transaram naquele tampo durante este tempo todo? Jogo-me na cama e logo adormeço, em meio aos cantos irritantes da cigarra. As formiguinhas tinham razão em deixar este bicho nojento morrer de frio e de fome, uaah...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            -É ele?&lt;br /&gt;            Cegado por grossas remelas - devia ter tomado o banho antes - custo a entender o que se passa a minha volta. O prefeito Toninho Joaçaba e seu escudeiro, o advogado de pequenas calças conhecido pela alcunha de “Roberto” aguardam, pacientes, para que eu me levante. Berta, a viúva trêmula, certamente me denunciara. Ou então a moça do guichê. Ou a enguia elétrica. Com certeza não fora o sapatudo. Mijou-se nas calças, não teria tido a coragem. Corro minha mão direita coberta de remelas para baixo da cama, tateando em busca da valise.&lt;br /&gt;            -Era isto o que você estava procurando? – pergunta o advogado, acentuando o circunflexo do “e”, como nos filmes, após o que solta uma sonora gargalhada, charuto entre dentes.&lt;br /&gt;            -Não. Procurava a virgindade perdida de sua irmã.&lt;br /&gt;            Não sei por que disse aquilo. Nem sabia se o cara tinha irmã.&lt;br /&gt;            Tinha. Levanta-me da cama pelos cabelos do peito (estou nu e são muitos) só para me desferir seu golpe: um cruzado no queixo que me faz ouvir “Cidade Maravilhosa” em concerto para xilofone.&lt;br /&gt;            Quando acordo novamente, remelas de ambos os lados chegam à base do nariz. É noite. Limpo os olhos. É dia.&lt;br /&gt;            Tento raciocinar. Não é fácil, não estou acostumado. Redobro o esforço.&lt;br /&gt;            De repente, as coisas começam a fazer sentido. Minha incrível semelhança física com o extorsionário Cocada. As gravações em vídeo dos encontros furtivos de Toninho Joaçaba com suas cabos eleitorais antes das últimas eleições, que quase custaram seu mandato. Minha presença na cidade. A nota de cem. O molho de alcaparras do Rei do Pescado. Não, isto não tinha nada a ver. Minha valise carregada de livros didáticos destinados à biblioteca do município, para as crianças pobres. A rispidez no trato com o motorista. E, principalmente, meus gestos imitando Clint Eastwood. Claro, tudo se encaixava.&lt;br /&gt;            Exceto minha mandíbula ao pronunciar as fricativas e as interdentais.&lt;br /&gt;            O sobretudo! Corri apalpar os bolsos do meu sobretudo.&lt;br /&gt;            Ali estava: meu título de eleitor. Ainda poderia evitar o pior.  Nas próximas eleições, voltaria à cidade, certamente para votar no candidato de oposição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-489617750059140374?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/489617750059140374/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=489617750059140374&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/489617750059140374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/489617750059140374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/10/o-velho-o-novo-parte-2.html' title='O Velho, O Novo... (Parte 2)'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-3355325108915041860</id><published>2008-09-21T17:18:00.000-07:00</published><updated>2008-09-21T17:22:17.864-07:00</updated><title type='text'>O Velho, O Novo e o Velho de Novo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cinco senhoras esclerosadas depois, chega a minha vez no guichê. Estudo do caso, algumas poucas horas de sono. Decisões quanto à melhor rota a seguir, algumas poucas horas de sono. Preparativos para a viagem, algumas poucas horas de sono. Teria que cortar o que estava em excesso: as poucas horas de sono. Estava dormindo demais. Peço para a moça se apressar. Só tenho algumas poucas horas de sono.&lt;br /&gt;            -Como?&lt;br /&gt;            Poucos minutos para o embarque, digo.&lt;br /&gt;            A moça parece ter entendido o recado. Gentilmente, transformou a operação da venda da passagem numa cena em slow motion.  Nunca peça para uma moça do guichê se apressar. No máximo tente mandá-la se apressar, se você confia muito no seu taco, o que não era o meu caso. Olho para o placar eletrônico da rodoviária. Na foto, agora, o rosto conhecido do bandido Carlos Miguel, o Cocada, ex-açougueiro, ex-apontador do bicho, ex-estivador, extrovertido, ex-palmeirense. Muito úteis estes placares eletrônicos. Exceto quando apresentam reprises dos sucessos da banda Calypso. Mais uma vez, memorizo seus traços fisionômicos: cabelos lisos repartidos no meio, olhar ligeiramente estrábico, barba por fazer, vinco nasogeniano acentuado, da meia-idade. Baixo rapidamente o olhar. Exceto no detalhe da barba, a figura corresponde exatamente à minha pessoa. (Um erro tê-la feito, no banheiro da rodoviária: passageiros me olhavam, com asco. Como se fios dentais, escarros e emanações fossem coisas agradáveis). Não sei se fruto da minha paranóia, sinto que a moça se inquieta ao olhar para a minha cara. Procura troco com dificuldade. Enrola-se. Não devia ter entregado a ela uma nota de cem por uma simples passagem para o interior. Começo a suar. Apalpo meus casacos em busca do lenço. A moça olha, agora rapidamente, para trás, a procura de um homem, qualquer homem. Enxerga seu companheiro de trabalho, parece dizer algo com os lábios para que eu não escute. É evidente seu mal-estar. O companheiro se aproxima. Se aquilo é o melhor exemplo de homem, seria mais sensato ter chamado uma enguia elétrica. Ele me olha, de cima a baixo. Parece não compreender o perigo. Instintivamente confere o placar eletrônico. Novo clipe do Calypso. Me safo desta vez, penso em comprar um CD pirata da banda, em agradecimento. A náusea do jejum mais o calor do meu grosso sobretudo me fazem desistir da idéia. Não há tempo.&lt;br /&gt;            Caminho a passos rápidos em direção ao portão de embarque. De dentro do ônibus, uma pequena criança dá adeus à sua mãe, no colo da tia - ou vice-versa. Rezo para que não seja minha vizinha de assento: a viagem inteira tendo que suportar baba de pirulito e olhares impertinentes. Pior: uma das senhoras esclerosadas que quase me fazem perder a viagem. Ela me olha sorridente desde a minha entrada pelo estreito corredor, carregando a pesada mala. (Outro erro: ter insistido em levar a valise comigo. Tempos difíceis estes, após o atentado de onze de agosto, em que um ônibus lotado de torcedores fanáticos do São Caetano atirou um ônibus em cima de um carrinho estacionado em frente a uma escola. Nada de grave aconteceu, exceto pelas pipocas queimadas. Os dois ocupantes do ônibus também escaparam ilesos). Fecho ainda mais a carranca, frustrando a expectativa da minha companheira de viagem. Ameaça conversar, mas pára ao olhar para minhas grossas sobrancelhas confluentes numa expressão de poucos amigos. Pensa em trocar de lugar, é tarde. Terá que ficar mais de três horas de bico calado, não sei se irá suportar. Melhor seria tê-la pedido para não respirar.             Recosto no meu assento e percebo, incomodado, o enorme sapato do vizinho de trás, pousado sobre o apoio do braço. Olho feio também para ele. De nada adianta. Sente-se desafiado e me manda um joelhaço nos lombos, fazendo ver quem é que manda. A velha geme, temendo confusão.&lt;br /&gt;            Ônibus em movimento, a comissária de bordo vem dar as instruções. Ao sinal de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio... O que é isso? Estamos num ônibus! Minhas escassas horas de sono cobram seu pesado tributo. Tento dormir, sob novos joelhaços. Torço para que ele desista, se não quiser desistir da vida, o palhaço. Durmo um sono entrecortado por barulhos de freio, guinadas e um ou outro passageiro de bexiga pequena indo e vindo do alívio no banheiro.&lt;br /&gt;            Acordo com o alto som do ronco. Confiro em volta: meu próprio, com certeza. Limpo a baba. E pensar que queria evitar sentar ao lado da criança (minha baba, no entanto não é doce, não gruda em assentos). Tateio minha bagagem com os pés. Checo no relógio, olhares da velha colados em mim. Pelos meus cálculos, devo estar próximo. Sentindo que a lucidez novamente me escapa, agarro meus pertences e levanto, num ímpeto. Encaro o sapatudo. Menos sorte da próxima vez, otário, parece me dizer com olhar desafiador. Num gesto de humanidade, me despeço da senhora. Lembrou minha mãe, agora, na saída. Vê lá, meu filho, o que é que você vai fazer. O motorista, genitais presos atrás do volante, vira-se ao perceber alguém aproximando. Em silêncio, espera que eu lhe fale. Digo apenas com voz firme: pára.&lt;br /&gt;            Na poeira do veículo, olho para os lados. Sinto falta do chapéu, estilo Eastwood, para compor a figura do solitário destemido. A estas horas, o sapatudo deve ter mijado no assento. Ou pelo menos a criança no colo da tia. Procuro pela torre da igreja. Não mais do que uns dois quilômetros. Moleza, não fosse o peso da mala. Penso na recompensa, me animo. Tento retirar o sobretudo no caminho, mas... Onde colocarei os outros objetos? Mantenho-me vestido, apesar do calor. Clint teria resistido, embora naquela época fosse mais jovem. Ao chegar ao centro da pequena cidade, percebo o quanto mudou. Nada das Pernambucanas. A Câmara de Vereadores foi pintada de verde musgo. Não, musgo mesmo. Avisto o hotel de dois andares, prostitutas na varanda. As mesmas prostitutas, cinco anos mais velhas. Tento fazer o cálculo: três fregueses por dia, seis dias na semana. Deixa pra lá, muito difícil. Além do mais, os fregueses são os mesmos, não vale o esforço.          &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua...)  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-3355325108915041860?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/3355325108915041860/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=3355325108915041860&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3355325108915041860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3355325108915041860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/09/o-velho-o-novo-e-o-velho-de-novo.html' title='O Velho, O Novo e o Velho de Novo'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-265361631233732130</id><published>2008-08-19T01:36:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T01:40:38.159-07:00</updated><title type='text'>Falando Daquilo, com Dáblio Steinenberg</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;(Capítulo de Hoje: Perversas)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elas certamente vão falar que não, que nossa, que coisa mais absurda, que onde já se viu, mas uma coisa é certa:&lt;br /&gt;Toda mulher – inclusive, ai, a mulher do Freitas! - sonha em ter seus seios furiosamente massageados ao mesmo tempo em que se rasga o seu melhor vestido de noite (desde que se compre outro - de preferência aquele bordô, lembra, de alcinha fina, com aplique, decotado nas costas que nós vimos na vitrine na entrada do Shopping Itanhaém?) numa volúpia de paixão e de desejo.&lt;br /&gt;Os únicos dois pequenos problemas consistem em se descobrir:&lt;br /&gt;1) Quem é o homem certo pra isso (que quase nunca é quem se atreve a propor).&lt;br /&gt;2) O lugar apropriado. (velórios e filas de supermercado não costumam ser boas opções, pelo menos não na primeira tentativa).&lt;br /&gt;Pois é. Aquela conversa de um romance, do antiquado jantar a luz de velas caríssimo, do abrir a porta do carro (e que por isso você se despedia do seu querido Fusca, porque aquilo não era exatamente um carro para se abrir a porta, e ainda fazia um enorme esforço para comprar um Corcel II em 24 prestações), do primeiro pegar carinhosamente na mão no primeiro encontro, tudo aquilo era conversa, claro, pra boi dormir.&lt;br /&gt;E quem dormia era você, querido bovino, achando que aquela quase impoluta dama ali ao seu lado dormia satisfeita dos seus (e quem disse que eram seus?) desejos.&lt;br /&gt;Então, meu caro telespectador. O que você faz aí, pensando? Reaja!&lt;br /&gt;Acorde a sua parceira (e daí que são 3 da manhã e amanhã ela tem que levar seus filhos à escola às sete?). Tire os bobes da sua cabeça. Dê-lhe um enxaguante bucal. Feche um olho (não, melhor feche os dois) para aquelas pálpebras inchadas que a fazem parecer com um sapo atropelado no asfalto. Também você faça algum sacrifício: desvire a sua cueca. Pronto.&lt;br /&gt;O clima está formado para um novo tempo na sua relação.&lt;br /&gt;Nada de dizer que a ama ou bobagens deste tipo. Lasque-lhe um beijo. Espera! Isso foi um beijo? Falei “lasque-lhe”! Nada que se lasca se faz assim, dessa forma pusilânime, meu Deus!&lt;br /&gt;Tente outra coisa. Morda alguma coisa dela. A ponta do criado-mudo, por exemplo, causará forte impressão (pelo menos no criado-mudo). O que? Ainda não se sente suficientemente preparado?&lt;br /&gt;É o quê?&lt;br /&gt;Não precisava ter falado assim do seu antigo Fusca de rodas com faixas brancas, estofamento de curvin e calotas cromadas? Te fez lembrar do Adílson e do Bola, no tempo em que vocês saíam pra pegar a mulherada? Não pegava nada, né? Mas ainda assim vocês saíam, religiosamente, quase todas as noites?&lt;br /&gt;Volta dormir, volta.&lt;br /&gt;Afinal, já são pra lá de 3 da madruga, e  amanhã tua esposa tem que levar a criançada na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntas e críticas, acesse dáblio, dáblio, dáblio, ponto DablioSteinenberg (tudo junto) ponto com, ponto G ®.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-265361631233732130?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/265361631233732130/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=265361631233732130&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/265361631233732130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/265361631233732130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/08/falando-daquilo-com-dblio-steinenberg.html' title='Falando Daquilo, com Dáblio Steinenberg'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-5849468282961166121</id><published>2008-07-12T01:46:00.000-07:00</published><updated>2008-07-12T01:47:56.855-07:00</updated><title type='text'>Ô Raça!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não gosto de gato. Nem de rato. Por isso tenho arrepios só de pensar num daqueles hamster nojentos, que o povo diz que não é rato só pra vender gato por lebre.&lt;br /&gt;            Cachorro eu tolero. Só não gosto de cachorro grande. Nem de pequeno. Médio eu tolero. Só não gosto de cachorro dentro de casa. Traz tudo pra dentro: pêlos, terra, caca. Para isto, já mandamos construir uma boa casinha de cachorro nos fundos da casa.&lt;br /&gt;            Só não quero que as crianças brinquem com ele. Não, não é bravo, mas nunca se sabe. Para se afogar, basta um pires d’água, é o que se diz. Então, tomo minhas precauções. Deixamos a fera sempre muito bem amarrada. Com espaço para se exercitar, é claro.&lt;br /&gt;            Só não gosto de latido. Quer me deixar irritada é começar a latir por qualquer coisa. Só não é pior que aquele barulhinho de cachorro roendo osso. Por isso não damos osso para o Taurus. Só come ração. Molhada, também pra não ficar fazendo barulho, pois come apenas à noite. Assim fica com o bucho cheio e evitamos que acorde latindo.&lt;br /&gt;            Por duas vezes na semana levamos a fera para passear. Levamos é modo de dizer, é claro. Delegamos este tipo de trabalho ao rapaz (como é mesmo o nome dele?) que cuida dos jardins da casa. Ou, na sua ausência, à Maristela, nossa empregada.&lt;br /&gt;            Aliás, gosto muito da nossa empregada, a Maristela.&lt;br /&gt;            Só não gosto que, depois de passear com os cachorros, Maristela entre em casa. Sabe como é: pêlos, terra, caca. Por isto, temos um quarto nos fundos da casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-5849468282961166121?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/5849468282961166121/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=5849468282961166121&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/5849468282961166121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/5849468282961166121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/07/raa.html' title='Ô Raça!'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-236740473195519346</id><published>2008-06-20T20:04:00.000-07:00</published><updated>2008-06-20T20:06:00.349-07:00</updated><title type='text'>Eu, Como Todo Mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu, como Ana, não me apresso&lt;br /&gt;            Eu, como Ângela, não me ligo em nada&lt;br /&gt;            Como Débora, página virada&lt;br /&gt;            Eu, até como Maria, sou esperto&lt;br /&gt;            Como Cíntia, pessoa magoada&lt;br /&gt;            Como Júlia, incerto&lt;br /&gt;            Como Lídia, rápido, ao entrar na faculdade&lt;br /&gt;            Como Neusa, não me furto aos meus desejos&lt;br /&gt;            Como Bia, na maior felicidade&lt;br /&gt;            Eu, como muita gente jovem&lt;br /&gt;            Vivo dando mil risadas&lt;br /&gt;            Como até as balzaquianas&lt;br /&gt;            Nas esquinas, nas calçadas&lt;br /&gt;            Minto muito, como pouco&lt;br /&gt;            (mentirinhas deslavadas)&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-236740473195519346?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/236740473195519346/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=236740473195519346&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/236740473195519346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/236740473195519346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/06/eu-como-todo-mundo.html' title='Eu, Como Todo Mundo'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-4771788130581609663</id><published>2008-05-18T18:49:00.000-07:00</published><updated>2008-05-18T18:51:09.150-07:00</updated><title type='text'>Nem Zen</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Joelmo era um sujeito desembutido de neuroses (desembutido deve ser um neologismo, desculpem, não tenho dicionário à mão para confirmar. Gosto de palavras esdrúxulas. Se for um neologismo de minha autoria então, aí mesmo é que me desculpem, vou carregar no colo e colocar para ninar). Mas como eu dizia, era um sujeito desem... (destituído, vá lá!) de neuroses. Nada o abalava. Era como se seu organismo tivesse sido construído para viver em outros tempos.&lt;br /&gt;            Neurose de trânsito, por exemplo. Tão comum nos dias de hoje. Mas não com o Joelmo. Dirigia seu possante com a maior tranqüilidade. Não que não cometesse erros. Na verdade, cometia muitos. Alguns até glamourosos. Clamorosos? Não, glamourosos mesmo, pois suas barbeiragens continham até um certo charme. Com sua velha Rural ziguezagueando pelo conturbado trânsito da cidade grande, parecia um Ciclope caolho. Além de deficiente auditivo. Ou talvez imaginasse que os apropriados impropérios que ouvia não fossem dirigidos à sua mal dirigida pessoa.&lt;br /&gt;            Neurose de ascensão social. Também não tinha. Não estava, digamos assim, confortavelmente instalado naquela meia-água de meia-tigela do seu irmão mais velho, mas, aos poucos, em suaves prestações naquelas lojas em que se compra de tudo do piso ao teto, ia construindo seu confortável ninho.&lt;br /&gt;            Neurose de imagem corporal. Também não. Era razoavelmente bem constituído. Nem gordo nem magro. Não chegava a ser atraente, tampouco desejava sê-lo. Era simplesmente “normal”. Não freqüentava academia. Fazia apenas leves caminhadas diárias para se manter fisicamente ativo. Ao redor da quadra, o que lhe permitia parar quase no exato momento em que se sentisse cansado. Comia não pouco, mas segundo ele, o suficiente. Era do tipo que recusa o segundo pão de queijo. Aquele cara que abre o cardápio na pizzaria e diz: “Para mim de muzzarela está bom”. E deixa a borda no prato! Também não fumava. Não por zelo com a saúde. Apenas por nunca ter sido apresentado ao vício. A fumaça alheia, porém, não o incomodava. Nem a fumaça nem o pigarro, nem cinzeiro decorado com guimba de cigarro.&lt;br /&gt;            De fato não havia espaço para neuroses na vida do Joelmo. Nada o tirava realmente do sério. Nada o deixava excessivamente ansioso ou mesmo empolgado. Para pessoas como eu, que se descabela com uma privada entupida, que pede para fazer biópsia de verruga, que discute com caixa eletrônico, que compra refrigerante de todas as cores para garantir uma dieta balanceada, que só compra carro amarelo, que põe despertador no meio da noite para conferir se está vivo, que guarda fotografia antiga em geladeira, que só come kiwi após retirar todas as sementes, que malha musculatura da pálpebra, que tira meleca do nariz até sair sangue do dedo, que se incomoda com barulho de peixe no aquário, que não reutiliza meia, que toma banho quando pega em dinheiro, que só assiste tevê segurando o controle remoto, que não toca em corrimão nem se estiver caindo, que pensa na lista do supermercado quando transa, que tem tesão louco dentro de supermercados, que chora pela derrota do time adversário, que se benze quando entra em elevador, que não encara olho de sapo, que sente tonturas quando ingere pouco molibdênio, que não escuta música de artista morto, que não come qualquer comida que tenha encostado no feijão, que não sai da sala de cinema até que terminem todos os créditos, que só usa palito de dentes importado, que já foi multado por insistir em dirigir carro de capacete, que não desculpa pisada no pé e ainda jura de morte, que compra vários pares de sapato mas só usa o mesmo, que desmaia quando vê sangue de barata, que usa protetor solar nas partes íntimas, enfim, para pessoas com algumas pequenas neuroses, a sua tranqüilidade era algo admirável.&lt;br /&gt;            No entanto, para tudo há um preço nessa vida. O que o tempo não criou em excesso, provavelmente fez-lhe falta. O que não havia sido dado em forma de neurose, foi se avolumando na forma de um gigantesco tédio. E foi assim que aconteceu.&lt;br /&gt;            Com o passar dos anos, o tédio corroeu suas entranhas, invadiu sua corrente circulatória, entupiu-lhe as artérias, assomou-lhe às veias, arrolhou pulmões, e por fim, subitamente, pespegou-lhe um tranco que correu do tronco à substância branca do cérebro, circuitando de forma definitiva seus calmíssimos impulsos nervosos. Consta no atestado: morreu de tédio.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-4771788130581609663?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/4771788130581609663/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=4771788130581609663&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4771788130581609663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4771788130581609663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/05/nem-zen.html' title='Nem Zen'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-7380384646416646454</id><published>2008-04-30T15:43:00.000-07:00</published><updated>2008-04-30T15:45:09.404-07:00</updated><title type='text'>Feitosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela encontrava-se muito ansiosa naquele dia.&lt;br /&gt;Suas mãos, trêmulas, massageavam o seu colo nervosamente. Iam de um seio a outro num movimento ritmado...&lt;br /&gt;Espere: não estava tão ansiosa assim! E depois, massagear os bicos dos seios nunca foi sua maneira de demonstrar ansiedade! O que estaria havendo?&lt;br /&gt;É claro! Só podia ser ele!&lt;br /&gt;Feitosa, o bolinador maluco!&lt;br /&gt;Seu esposo, ao sair do banho, passava o desodorante &lt;em&gt;roll-on&lt;/em&gt; delicadamente em suas axilas. Dali, percorria seu tronco peludo, descendo em direção à virilha num vai-e-vem, até que... Espere! Tronco, virilha? “Desodorante &lt;em&gt;roll-on&lt;/em&gt;”? Fabrício só utilizava &lt;em&gt;spray&lt;/em&gt;! Não é possível! Seria ele também?...&lt;br /&gt;Feitosa, o bolinador maluco!&lt;br /&gt;O casal Lacerda, no cinema, a princípio achara normal pessoas passando por detrás de suas poltronas, ocasionalmente encostando, roçando suas partes pudendas nas suas cabeças.&lt;br /&gt;Mas, de novo, esperem: há apenas uma pessoa passando, agitada, de um lado para outro. Quem?&lt;br /&gt;Ele: Feitosa, o bolinador maluco!&lt;br /&gt;E ali, no açougue da esquina, quem seria aquela pequena figura agachada por detrás do gélido balcão frigorífico alisando, apalpando, beliscando, dando leves tapinhas numa descuidada picanha?&lt;br /&gt;Vamos lá, digam juntos, agora todos sabem:&lt;br /&gt;Feitosa, o bolinador maluco!&lt;br /&gt;Na sapataria, como frentista, no disk-pizza, como enfermeiro numa UTI, ou mesmo no outdoor em frente ao seu apartamento, cuidado! Estejam atentos! Sempre poderá haver um Feitosa – o bolinador maluco – à sua espreita.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-7380384646416646454?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/7380384646416646454/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=7380384646416646454&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7380384646416646454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7380384646416646454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/04/feitosa.html' title='Feitosa'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-6825811319051141269</id><published>2008-03-25T15:47:00.000-07:00</published><updated>2008-03-25T15:49:19.412-07:00</updated><title type='text'>Deus Me Louvre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nada de fotos, por favor.&lt;br /&gt;            Aqui, neste “A virgem perfilada”, óleo sobre tela, percebe-se pelo uso de tons carregados, a fase burlesca do autor. Notem o olhar da virgem na direção posterior, a expressão assustada, ainda que a inclinação da rima bucal para cima denuncie algum prazer recôndito, e a discreta contratura do membro inferior esquerdo. Notem, ainda, o sombreamento perfeito das suas vestes na altura da nádega do mesmo lado, indicando movimento de leve torção dos dedos polegar e indicador de José, que volta o olhar inocentemente aos céus. Acima, um cupido distraído observa a cena, dirigindo-se perigosamente para o tronco de uma árvore.&lt;br /&gt;            Neste outro óleo sobre tela, “Ceia a três”, de data ignorada, o pintor, ele mesmo um voraz apreciador da boa mesa, retrata o irmão do meio (do meio da mesa, não conhecemos as suas idades) segurando a colher firmemente, denotado pelas falanges empalidecidas, enquanto abocanha sofregamente o que parece ser um guisado. Percebe-se o seu ventre claramente avantajado por debaixo da mesa, além do olhar colérico do seu irmão mirrado, que parece ser mais moço, avançando em direção ao seu prato. À esquerda a irmã, ossuda, aponta o que parece ser um garfo para o seu pescoço. Um anjo (ou um cachorro, difícil termos certeza, pois este obviamente foi pintado por um aprendiz) pode ser visto serrando os pés da cadeira. A criada simula um tropeço com a panela direcionada para a cabeça do glutão. Filósofos humanistas do século XVI afirmam categoricamente que a dobradinha não levava cebola.&lt;br /&gt;            Aqui, em “O tocador de luto” não temos a mínima idéia o que o artista pretendia retratar.&lt;br /&gt;            Observem agora, nesta tela, “Menino Descascando Gabiroba”, datada do século XVII, a doçura lasciva do jovem rapaz com a faca na mão. Reparem no desgaste da faca e nos calos da mão direita. Por algum motivo as gabirobas são descartadas no solo. Esta tela, encomendada pelo papa Inocêncio II para decorar o refeitório de uma abadia florentina, foi roubada das mãos do pintor por um poeta russo de modos efeminados.&lt;br /&gt;            Já neste “Auto-retrato”, em mau estado de conservação, do período introspectivo do gênio quando vivia em Milão, nota-se algum parentesco do olhar buliçoso do artista e o do leiteiro, bem mais ao fundo da tela, como que tentando passar despercebido. Há quem afirme, por isso, que a santa retratada nos quadros do mesmo artista não seja mesmo a sua querida genitora.&lt;br /&gt;            Aqui em “Vestido de Palhaço” notamos a corte em festa, com o monarca em elegantes trajes ricamente adornados. A rainha, de vestido plissado em meio ao banquete, gargalha ao apreciar o espetáculo das dançarinas, evidenciando sua embriaguez. Estranhamente não vemos representantes do povo. Também não vemos ninguém vestido de palhaço, como sugere o título da obra. A cabeça que rola na guilhotina, pintada ao que parece mais recentemente, guarda impressionante semelhança com o rosto do pintor.&lt;br /&gt;            Em “Passeio no Rio Volga”, o pintor mostra que deixou de lado o rigor acadêmico. Ao atentarmos para a delicada mão da moça que segura a sombrinha, veremos que há seis dedos, sendo dois polegares. A rótula colada ao tornozelo também não está em conformidade com a anatomia da época. Lembro que quando foi pintado este quadro, o rio ainda não era poluído, o que poderia ser uma explicação. A prancha de surfe ao lado da cesta de piquenique também é um mistério.&lt;br /&gt;            Há um debate quanto à autenticidade deste outro quadro. “A Madona Nua”, com suas opulentas curvas sensuais foi tão solicitada no seu tempo que seu autor foi aposentado pela coroa. Hoje se sabe que foi por lesão por esforço repetitivo.&lt;br /&gt;            Aqui em “Natividade”, uma fase ignorante do artista, mostra a criança deitada num monte de manjerona. Os três reis, excessivamente magros, trazem presentes: um louro, um lenço e esfirras. Não se sabe se por falta de régua ou se por uma alusão qualquer, o feixe de luz erra a criança e atinge em cheio o cabrito, que mostra uma expressão aborrecida de quem acabou de acordar. José está a cara do Che Guevara.&lt;br /&gt;            Observem a beleza deste outro óleo sobre tela. Conta-se, mas aí já pode ser lenda, que ao terminar esta obra, tal é a perfeição e vivacidade das formas, o artista teria ouvido assustado “Parla!” vindo do personagem da tela. Assustou-se ainda mais ao descobrir que era sua temível sogra recém-chegada atrás da tela cobrando-lhe: “Como espera sustentar minha filha com estas porcarias de pintura? Parla, desgracciado!”.&lt;br /&gt;            Neste outro quadro de molduras muito simples vemos dois rapazes com o olhar curioso, as mãos ao lado dos rostos, uma nítida impressão de embaçado na tela. Notem o relevo perfeito, a mobilidade das expressões, uma das mãos que se move dando tchauzinho...&lt;br /&gt;            Ei! Alguém aí pode me fechar essa janela, por favor?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-6825811319051141269?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/6825811319051141269/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=6825811319051141269&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6825811319051141269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6825811319051141269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/03/deus-me-louvre.html' title='Deus Me Louvre'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-7390196812182365541</id><published>2008-03-09T17:06:00.000-07:00</published><updated>2008-03-09T17:09:12.599-07:00</updated><title type='text'>O Menu na Janela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Pelo cardápio diário, Anselmo costumava ter uma boa idéia da situação em casa:&lt;br /&gt;Segunda: abobrinha ao forno.&lt;br /&gt;            Ela chegou dizendo ter ouvido que eu estava de caso com a moça que trabalha de caixa na farmácia. Tudo bem que a moçoila em questão é mesmo uma gracinha. Tipo mignon, peitos empinadésimos, pernas grossas, uma voz muito sensual para quem pergunta para o balconista se já chegou o remédio para urticária. Devo mesmo ter reparado nela. Agora, daí a dizer que estamos tendo um caso, vai uma grande distância. Caso é uma palavra muito forte. A não ser que agora já se chama “caso” ficar de vez em quando conversando na saída do trabalho. O máximo que fizemos foi passear de carro algumas vezes até as proximidades do parque da cidade, mas eu tenho certeza que isso ninguém viu.&lt;br /&gt;            Terça: pato no tucupi.&lt;br /&gt;            Parece que o filho da vizinha da farmácia, um adolescente cheio de espinhas na cara que trabalha na lanchonete da esquina, apelidado de “Choquito”, me viu apanhando a Dyane (esse era nome dela, parece que uma homenagem a um romance barato que a mãe era vidrada, se é que prestei atenção na história) umas sete ou oito vezes. Diz ela que o rapaz inclusive andou fotografando a cena. Ah, se eu pego esse “Choquito”... Não tem mais o que fazer? Vou espremer toda aquela cara caramelizada com flocos crocantes do mais puro chocolate...&lt;br /&gt;            Quarta: rabada.&lt;br /&gt;            Fui à forra. Parece que a história toda da tal fotografia era invenção. Limpei minha barra. Agora ela tinha que ouvir! Que negócio era esse de acreditar em tudo o que se fala? Ainda mais sobre a minha pessoa, um cara trabalhador, que só tem olhos para a sua mulher (que culpa eu tenho se em boa parte do dia a minha mulher não está na frente dos meus olhos?). Se era para me condenar, pelo menos escolhesse alguém da minha altura, não essa moça de um metro e cinqüenta e qua...(ops!). Essa baixinha de meia-tigela! Além do mais, que culpa eu tinha de a minha velha enxaqueca ter piorado nos últimos meses? O que? Eu nunca tive dor de cabeça? Quem falou em dor de cabeça? Eu falei enxaqueca! Olha, era melhor mesmo deixar isso para lá. Eu não queria mais ouvir falar em Dya...(ops de novo!) dyabo de mulher nenhuma nessa casa de novo!&lt;br /&gt;Obrigado, meu Deus!&lt;br /&gt;            Quinta: buchada.&lt;br /&gt;            Como é que era? Agora o bairro inteiro andava dizendo que a moça estava grávida? Era só o que me faltava! Só faltava dizer que o Diamante Negro (era Choquito, Choquito, claro) andava me ameaçando com o DNA da criança! Quantas vezes ia ter que repetir que eu mal a conhecia? O que, ela andava por aí dizendo que eu era o pai do bebê? Ai, minha dor de estômago voltando... Hein, não era dor de cabeça? Chega, não quero mais papo!&lt;br /&gt;            Sexta: ensopado.&lt;br /&gt;            Tocaram a campainha. A empregada anunciou. Tinha uma tal de Dayane ou Diane querendo falar com a patroa. Não podia ser verdade. Por que ninguém nos ensina como reagir numa hora dessas? Simularia um infarto? Correria para o quarto para fazer as malas e pularia a janela? Do vigésimo quinto andar as chances de escapar seriam pequenas. Não adiantaria. Devia encarar os fatos. Quem sabe não ocorreria algum milagre? Talvez tivesse esquecido o troco do remédio para a pressão.&lt;br /&gt;            Sábado: picadinho.&lt;br /&gt;            A cena habitual. Ia sair de casa. Ela nunca esperava que isso fosse acontecer um dia. Logo eu, um sujeito tão trabalhador, que dizia só ter olhos para ela... Desisti da janela. Mas do jeito que as coisas andavam, estava considerando seriamente as alternativas. Diziam que monóxido de carbono era indolor, mas a garagem do prédio era toda monitorada. Além do mais, a minha asma já não estava grande coisa mesmo... &lt;br /&gt;            Domingo: pizza (encomendada)&lt;br /&gt;            Prometi que nunca mais poria os pés naquela maldita farmácia. Não sei se ela acreditou ou estava só querendo dar um tempo, planejando uma morte mais lenta. O fato é que eu realmente não cheguei mais perto da Dyana. Ainda mais que o filhote é a cara do dono da farmácia. Mas tenho achado que agora estamos indo muito bem. Exceto pelas minhas crises renais e por aquela gostosinha da imobiliária, que não pára de me dar bola. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-7390196812182365541?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/7390196812182365541/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=7390196812182365541&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7390196812182365541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7390196812182365541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/03/o-menu-na-janela.html' title='O Menu na Janela'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-4895777641143546124</id><published>2008-02-21T14:06:00.000-08:00</published><updated>2008-02-21T14:08:07.271-08:00</updated><title type='text'>Livro Para a Nova Geração</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Já sabemos. Sua mãe comprou este livro para você, na tentativa desesperada para que você tenha um pouquinho mais de instrução. E você, naturalmente, há muito tempo não lê coisa alguma. Não faz mal. Nossa coleção é especialmente desenvolvida para estimular o gosto pela leitura. Não percamos tempo, então:&lt;br /&gt;            Vá à última página. (Uma dica: é a que tem o número maior no rodapé, ali, na parte final do livro).&lt;br /&gt;            Leia o último parágrafo.&lt;br /&gt;            Descubra que o personagem principal é assassinado.&lt;br /&gt;            Se ainda tiver ânimo ou curiosidade, leia o parágrafo acima, pouco mais longo, e saiba como foi que aconteceu o assassinato. Caso você seja daquele tipo de pessoa extremamente curiosa, dê-se ao trabalho de ler o último capítulo inteiro, que já dá para ter uma boa idéia do motivo que levou ao crime. É curto, são só duas páginas, acredito que não vá doer.&lt;br /&gt; Tudo bem?Agora, abra na página 28. Nela você verá um desenho ricamente ilustrado que abrange os eventos das primeiras 27 páginas, exceto o texto das orelhas (não as suas, querido, as do livro). Aliás, as orelhas são destacáveis, pois ali só se encontram informações sobre o autor e outras besteiras (destaque-as agora e lixo com elas). Não tente apertar nada nesta página ilustrada. O que pode lhe parecer um botão de aparelho eletrônico é apenas o sol, levemente estilizado. A figura é assim, parada mesmo. Desculpe-nos a inclusão de um pequeno texto de três palavras aí. Era absolutamente necessário.&lt;br /&gt;Novamente desloque-se para o texto. Nada de pânico. Apenas abra as páginas 17, 32 e 39. Não estamos lhe pedindo para que leia todo o texto, é claro. Somente gostaríamos que desse uma olhadela (rápida olhada) no estilo literário (a maneira própria do escritor escrever). As frases já estão devidamente destacadas em piloto amarelo. Sei lá, achamos que poderia ter alguma importância... Mas, pensando bem, achamos que não tem nada a ver. Deixa para lá.&lt;br /&gt;Feche o livro. Pegue-o com as duas mãos. Sinta o seu volume, espessura, tipo de encadernação. O que? Não, não é brincadeira! Poxa, é que as pessoas costumavam fazer isso também, quando adquiriam um livro. Frescura?&lt;br /&gt;.................................&lt;br /&gt; Tudo bem, já passou.&lt;br /&gt;Além disso, o que? Muito grosso? Mas são só 42 páginas! Hein? Um folder publicitário para você já é muito grosso? Olha, não pode ser assim...&lt;br /&gt; Ei, que é isso? Aonde é que você vai?&lt;br /&gt;...................................&lt;br /&gt;Droga!...&lt;br /&gt;(Este produto também está disponível em versão em DVD. Sem aquelas legendas complicadas, é claro!)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-4895777641143546124?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/4895777641143546124/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=4895777641143546124&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4895777641143546124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4895777641143546124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/02/livro-para-nova-gerao.html' title='Livro Para a Nova Geração'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-4731594994275218066</id><published>2008-01-31T13:42:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T13:43:58.857-08:00</updated><title type='text'>Me Dê Motivos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Querida (se me permite a intimidade) Kika:&lt;br /&gt;Quando listei os vinte e três motivos pelos quais eu a amava, você deve estar lembrada, era exatamente pelo fato de você, na época contar com vinte e três – como se dizia – “primaveras”.&lt;br /&gt;E você, como era o costume, então me disse: “Legal, vou também fazer o mesmo!”.&lt;br /&gt;Prevendo dificuldades, tentei dissuadi-la. Até porque, numa rápida vistoriada, não consegui achar em mim mais do que três ou quatro qualidades.&lt;br /&gt;Você, no entanto, foi em frente. Naquele mesmo dia, lembra? Pegou papel e caneta e começou:&lt;br /&gt;-Olhos.&lt;br /&gt;-Que é que tem os olhos? – perguntei.&lt;br /&gt;-São lindos!&lt;br /&gt;Olhos tristes, escondidos sob sobrancelhas arqueadas, olhos dum sujeito meio depressivo. Mas você os achava lindos, não discuti. Deixei.&lt;br /&gt;A partir dali, a dificuldade começou. Meia hora você de bruços sobre a cama, linda, caneta na boca, pezinhos pra cima. Num silêncio entrecortado por vários “Não, não” ditos em voz baixa. Eu angustiado, fazendo de conta que não era comigo.&lt;br /&gt;Pensei em sugestões. “Olha, a batata da perna até que não é má!”.&lt;br /&gt;Fiquei calado. Disfarcei com a necessidade de preparar um café e deixei-a matutando. Quando voltei, você me disse: “Calma, calma, vou fazer. Me dá só um tempo”.&lt;br /&gt;Não sei porque, Kika, você não esqueceu. Treze anos se passaram.&lt;br /&gt;Casamos. Cada qual com os seus, claro. Eu, inclusive, há quatro anos separado. Não sei, talvez nunca tenha me esquecido dos meus vinte e três motivos. Ou das suas vinte e três qualidades (já nem sei o que era uma coisa ou outra).&lt;br /&gt;Hoje, ao abrir meu e-mail, leio surpreso: Vinte e sete motivos. Remetente: Kika!&lt;br /&gt;Achei impossível. Vinte e sete, Kika, estou com quarenta, e só agora você consegue terminar a lista! Levei cinco minutos pra fazer a minha!&lt;br /&gt;Ainda fosse só por isso, mas...&lt;br /&gt;Cabelos loiros. Hoje? Naquela época, não? Mas, e agora, que cabelos? Loiros, muito menos. Meus únicos fiapinhos, sustentados pela orelha, estão duma cor amarelo-meio-  acinzentada.&lt;br /&gt;E que história é essa, Kika, de “habilidade com a raquete”? Eu nunca joguei tênis – ou pingue-pongue – na minha vida! Inventou? Ou confundiu com outro? Ou quem sabe essa raquete está em sentido figurado?&lt;br /&gt;Não quero dar uma de exigente, afinal essa lista foi iniciativa sua. Mas se você se propôs a ela, podia dar ao menos uma pesquisada. Ou perguntar pra Maria Tereza, minha atual namorada.&lt;br /&gt;Não, melhor não.  Maria Tereza é uma mulher objetiva e não parece lá muito interessada. Além disso, é meio feia. E mal-humorada, na maior parte do tempo. Às vezes me pergunto por que estou com ela. Bem, devo ter os meus motivos.&lt;br /&gt;É isso, Kika! Vou fazer a lista: trinta e quatro – Maria Tereza tem trinta e quatro - motivos pelos quais agüento minha nova namorada. Obrigado pela idéia.&lt;br /&gt; E ó: dezenove centímetros? Só se há treze anos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-4731594994275218066?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/4731594994275218066/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=4731594994275218066&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4731594994275218066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4731594994275218066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2008/01/me-d-motivos.html' title='Me Dê Motivos'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-678634723703959408</id><published>2007-12-16T15:50:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T15:51:24.156-08:00</updated><title type='text'>O Fotógrafo do Apocalipse</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu sou aquele.&lt;br /&gt;            Que descobriu o caminho marítimo para Ubatuba. Que cuspiu na cruz do bom ladrão. O biógrafo da esposa de Caim. Que gritou terra à vista por engano cinqüenta e seis vezes. Que embruteceu Brutus, que jurou Prometeu. O amor platônico de Sócrates. Contador do Jó.&lt;br /&gt;            O clandestino da arca de Noé. O surfista normando no dia D. O que achou que Salomão falava sério. Aquele. Que atropelou um cachorro judeu. O camareiro de Lee Oswald. Mané de Souza, irmão de Tomé. Quem pediu bis pro quatorze. O sparring de Bruce Lee.&lt;br /&gt;            O filho do dono da manjedoura. O companheiro de farra de Zebedeu. O que apagou a tocha. Reserva do filho do técnico. Convidado pro pontapé final. O escravo fugido no dia da Lei Áurea. O segundo da Maria Madalena. O amolador de flecha de Guilherme Tell. O voto vencido contra Barrabás.&lt;br /&gt;            Aquele. O que disse que da Vinci não ia dar pra coisa. Quem ensinou Baco a beber. O fiel à Lucrecia. Quem usou madeira da arca na fogueira. O dos doze trabalhos banais. Gari de Veneza. Quem achou que Mao era bonzinho. O médico que desenganou Matusalém. Amigo de Malcolm. O Y, não o X.&lt;br /&gt;            O que traduziu o lema Paz e Amor pro russo. Quem respondeu “Morte”, bem alto, às margens do Ipiranga. Aconselhou Camões a escrever prosa. Suplente do cavalo de Nero. O que pediu pro cavaquinho não chorar. O seminarista vizinho de Woodstock. O irmão feio de Narciso. Quem punha um olho na costela de Adão.&lt;br /&gt;            Aquele do qual todos tanto esperavam, o chamado às pressas, o que não apareceu. O que pediu autógrafo, mas estava sem caneta. O que perdeu a paciência, o que não teve pernas pra chegar. &lt;br /&gt;            Aquele mesmo.&lt;br /&gt;            O fotógrafo do apocalipse.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-678634723703959408?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/678634723703959408/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=678634723703959408&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/678634723703959408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/678634723703959408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/12/o-fotgrafo-do-apocalipse.html' title='O Fotógrafo do Apocalipse'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-1181048035479666791</id><published>2007-12-03T16:30:00.000-08:00</published><updated>2007-12-03T16:35:01.451-08:00</updated><title type='text'>Cenas da Pilhéria Humana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cena um:&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;            Pereira (não lhe cito o primeiro nome com o fortuito de não identificá-lo por completo, são tantos os Pereira) sentiu ao acordar que algo definitivo estava por lhe acontecer. O granito da noite anterior, uma torrente de ar de direção sudorese que penetrava pela janela entreaberta, tudo colaborava para o mau adágio.&lt;br /&gt; Olhou para a cama desfeita, vazia, ao seu lado. Lembrou-se que a esposa o havia beijado ao sair mais cedo. Beijo quiroprático, beijo de quem está casado há muito tempo. Parece que ia ao esteta, o mesmo que anos antes lhe fizera um absorto sigiloso. Teria mesmo ido ao asceta?&lt;br /&gt; Na realidade não importava. Sabia que a esposa o traía há muito tempo. Desde que a vira beijando um amuleto em plena luz do dia, na volta do azougue. Como pôde bancar o agiota por tanto tempo? Logo ele, que quando moço não costumava levar semáforo para casa.&lt;br /&gt; Sentia o ar pesado. Apenas o vôo solidário de um mosquete a quebrar o silêncio da sua casa.&lt;br /&gt; Saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Cena dois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Na rua a sensação andrômeda não se desfez. O zelador do prédio, que limpava os estragos do temporal da noite anterior cumprimentou-o, de cabrochas. Pereira respondeu de forma zigomática.&lt;br /&gt; O zelador tentou puxar conversa. Informou-lhe que o Cordeiro, um senhor meio anho, propedêutico da vizinhança, havia sido balido numa troca de tiros entre a polícia e um bando de rubicundos. Etéreo, Pereira respondeu que sim, que deveriam mandar consertar.&lt;br /&gt;Com o sol forte do meio da manhã octogonal, tateou o bolso da camisa, procurando pelos ósculos escuros. Novamente os havia esquecido. Ao dar os primeiros passos com destino incerto, porém, um borborigmo preto atravessou seu caminho. Seria outro pedágio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena três:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu-se por um destino. Não queria que percebessem que andava à toa. Na verdade, o vazio interior confundia-se com a fome, por isso resolveu fazer uma refeição na Adaga do Jorge, seu amigo de infância. Gostava dali. Não era um restaurante luxuoso, do tipo freqüentado por prognatas, mas era um lugar onde se comia muito bem. Era um pouco longe, pensou que talvez fosse melhor chamar um sintaxe. Besteira. Não teria ânimo de conversar com o motorista. Iria a pé mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena quatro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao atravessar a alçada, sentiu-se muito mais cansado que de costume. Achou mesmo que iria ter um prolapso. Era como se alguma coisa impedisse a correta miscigenação do sangue. Além disso, uma terrível dor no buço quase o impedia de caminhar.&lt;br /&gt; Um turista de casaco estampido ofereceu-lhe ajuda. Recusou. Só então se lembrou que esquecera da injeção de anilina da manhã.&lt;br /&gt; Que atitude bobina, pensou, para um dialético como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena cinco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguiu chegar, cambraia, à farmácia, ao lado da pradaria. Uma moça, meio centelha, providenciou a injeção. Por pouco não lhe aplica uma anti-titânica por engano. Pragmática, não deixou de praguejar mesmo quando percebeu que não tinha troco. Como sempre, encheu-lhe os bolsos de clichês.&lt;br /&gt; Na saída, talvez para disfarçar a tonsura que ainda sentia, escolheu um hidrante e ainda fingiu se interessar por um remédio para quiasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Cena seis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Apesar do berílio intenso do sol do meio-dia, o clima era venturoso, o que facilitou a chegada ao restaurante. Estranhamente, apesar de ser hora do alvoroço, o restaurante estava vazio. Mesmo assim, buscou o lugar mais enfermo, onde não pudesse ser incomodado. Pela primeira vez no dia, sentiu uma sensação laxante.&lt;br /&gt;O garçom, que conferia um almaço de cheques predatórios, apagou o pigarro e veio atendê-lo. Fomento, Pereira não se fez de togado e pediu quase tudo o que viu no larápio.&lt;br /&gt;De entrada, falácia de camarote e acetona (o que acabou dando algum trabalho ao cozinheiro, pois o vidro de acetonas estava hermeneuticamente fechado). Como prato principal, pediu vários tipos de carne: preâmbulo, tutela ao forno e alcatrão.        Quase não tocou na resenha aos quatro queijos, que veio um pouco queimada.&lt;br /&gt;Toda essa comilança foi acompanhada de grandes goleadas de gincana. De sobremesa, dossel de abóbada e trunfos recheados de úvula. E, acredite, ainda houve espaço para uma enorme fatia de cartomancia! Recusou, porém, o cafetão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Cena sete:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Saiu do restaurante completamente imberbe, pois bebera ainda mais do que havia comido. Um estranho amortecimento na ogiva o incomodava. O valor estipêndio cobrado pelo almoço e o mal-estar provocado pelo excesso à mesa serviram apenas para mergulhá-lo ainda mais na baraúna em que já se encontrava. Dentro de sua cabeça uma cimitarra não parava de cantar. Ou talvez fosse apenas uma fosca... Mas fosca não canta, Pereira, pensou, dizimado.&lt;br /&gt;            Havia entrado em profuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Cena oito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ao passar pela pontifícia, avistou um cachalote, talvez deixado por algum índigo, e, num gesto de cabide, sentindo uma sensação de despojo em relação a si mesmo, trepou no beirute e, sem olhar para baixo, atirou-se, provocando um coliseu de dois carrilhões que passavam na hora balística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Epitáfio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Ainda hoje, os poucos amigos que visitam o climatério onde jazz o corpo, em meio a um forte perfume de vândalos que atrai esvoaçantes libelos, não deixam de depositar tertúlias no seu regozijo.&lt;br /&gt;            Tivessem percebido a gravidez da situação, certamente tê-lo-iam internado num frontispício, dizem, fingindo não notar a presença freqüente de uma mulher na faixa dos trinta, uma prozaquiana, orando baixinho, desfiando as pontas do seu Romário como se fosse para alguém do cúmulo ao lado.&lt;br /&gt;            Evitam risos, pois não há nada de cônico na escória do pobre Pereira...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-1181048035479666791?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/1181048035479666791/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=1181048035479666791&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/1181048035479666791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/1181048035479666791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/12/cenas-da-pilhria-humana.html' title='Cenas da Pilhéria Humana'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-8847787879086414157</id><published>2007-11-19T15:13:00.000-08:00</published><updated>2007-11-19T15:16:27.552-08:00</updated><title type='text'>Fim dos Tempos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Noel Corp, em que posso servi-lo? Não, eu mesmo. Papai Noel. Noel Corp é o nome da empresa. Empresa, sim. Uma holding, para ser mais exato. Qual é o seu pedido, meu filho? O que? Claro que sou o Papai Noel. Não está me reconhecendo pela voz? Ho,ho,ho! E agora, reconheceu? Sei. Pareceu um pouco falso. Tudo bem. Da próxima vez eu capricho um pouco mais. E aí, vai pedir agora? Não? Precisa pensar um pouco. OK. E-mail-me assim que decidir. Tchau.&lt;br /&gt;            Noel Corp. Papai Noel falando. Seu pedido? Uma BMW, um apartamento na praia, não precisa ser cobertura, e um lifting facial. Qual é a sua idade, minha filha? Tem sim, pra mim tem que revelar. Quarenta e sete? Não, não vou contar, pode ficar sossegada. Tem se comportado direitinho? Por favor, aguarde na linha, estaremos transferindo a sua ligação para o ramal de adultos. Feliz Natal.&lt;br /&gt;            Noel Corp. Sim, Papai Noel. Finlândia? Sim, entregamos na Finlândia. Um pouco mais caro, claro. Por que, se é próximo do Pólo Norte? Meu filho, cá pra nós, tem alguma criança por perto aí? Não? Então. Nossa sede não fica no Pólo Norte, desculpa se o fizemos acreditar nisso há tanto tempo. Onde fica? Wichita, no estado do Kansas, quando vier aos Estados Unidos venha nos fazer uma visita. Bye.&lt;br /&gt;            Noel. Sim. Papai Noel. Se pode me chamar de “papito”? Não entendi, minha filha. O que, fica toda arrepiada quando me ouve chamar de minha filha? Se eu posso o que? Vestido só de touquinha vermelha? Olha aqui, minha senhora, isto é uma instituição de respeito, ta ouvindo? É por essas e outras que a senhora vai ficar sem presentes este ano, viu? Não se importa, desde que eu faça o que? Desde que sentou no meu colinho há doze anos vem pensando nisso? Que sem-vergonhice! Não me ligue mais, sim? Quando quiser presentes, peça pro seu “papito” me ligar. Essa é boa! Na minha idade... Pensando bem, precisamos instalar uma webcam nessa coisa.&lt;br /&gt;            ALÔ!! Desculpe. Papai Noel. Sim? Um boneco do Super-Homem e um mini-system? Que bonitinho... E você se comportou esse ano, meu filhinho? Não respondeu pra mamãe? Fez os deveres de casa? Ajudou o papai? Foi à missa? Escovou os dentes três vezes ao dia? Apertou a descarguinha? Baixou a tampa? Muito bem! Agora é só me dar nome e endereço para que o Papai Noel leve os presentinhos para sua casa. Vai o que? Perguntar para a mamãe. Eu espero, não tem problema. Que lindinho!&lt;br /&gt;            Meia hora depois:&lt;br /&gt;            Trote de novo!&lt;br /&gt;            Por favor, descubram o endereço desse menino. E me embrulha uma Barbie e aquele aparelho de som das três letrinhas pra essa peste.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-8847787879086414157?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/8847787879086414157/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=8847787879086414157&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8847787879086414157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8847787879086414157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/11/fim-dos-tempos.html' title='Fim dos Tempos'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-1755870172172614604</id><published>2007-10-29T13:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-29T13:19:47.620-07:00</updated><title type='text'>Tofu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nunca deixem que ninguém saiba. Pertencemos a uma sociedade secreta. A dos que não vão morrer nunca. Nem mesmo envelhecer. Quer dizer, pelo menos não além do ponto considerado razoável. Lógico, a maioria dos mortais não está percebendo. Sim, porque nos olhamos sigilosamente, com um sorriso no olhar. Sorriso próprio dos que são superiores.&lt;br /&gt;            O nosso segredo, há muito revelado, está aí para todo mundo ver. Ou ler. Mas os mortais não querem saber. Continuam se lambuzando com sorvetes em taças cada vez maiores. Não bastasse isso, cobrem tudo em calda de chocolate quente. Mas é lógico que eles não se satisfazem. Adicionam melados wafers, além de sebosos pedaços de castanha de caju. Para acompanhar tudo isso, oceânicas quantidades de refrigerante. Não-light! Rá, rá!&lt;br /&gt;            E no cinema, então... É fácil identificá-los. Os outros. Os mortais! Lá vêm eles... Com as duas mãos ocupadas, atrás de enormes copos de papelão lotados de pipoca. Crocantes flocos de gordura saturada! Com uma pitada de sal? Não. Com sal suficiente para derreter a neve de uma cidade de médio porte. Chegaram a batizar a coisa: Combo. Nome de esquadrão. “Atenção, Águia Vermelha falando. Estamos cercados. Repito, estamos cercados. Solicito envio imediato da unidade Combo. Responda. Câmbio”.&lt;br /&gt;            Sem falar naquelas monstruosidades que insistem em chamar de pizza. Sim, porque pizza não é mais o que vemos por aí. Elas apareceram com cara inocente: muzzarela, napolitana... O máximo do despudor costumava ser a antes temida calabreza. Pobre coitada. Foi soterrada por pesadas lajes de cinco variedades de queijo, translúcidos pedaços de bacon e batata palha. Ah, e não esqueça da borda recheada! Recentemente a consciência pesou. Passaram então a cobrir tudo com rúcula. A ingênua tática da camuflagem. Rá,rá,rá!&lt;br /&gt;            A lista é infindável. Churrascos. Grotescas orgias carnívoras. Antigamente realizado em ocasiões especiais ou em finais de semana. Agora incorporado ao cotidiano.&lt;br /&gt;            Tem mais: borrachudos pães de queijo, churros gonorréicos, embriagantes brigadeiros, quindins cobertos por gorduras “trans”-parentes, adorados Doritos, multidimensionais lasanhas, péssimos, péssimos bombons...&lt;br /&gt;            Cantis repletos de aspartame, estamos com nossos estômagos roncantes e hálitos cetóticos aguardando ansiosamente pela tomada do poder. Iniciaremos então uma nova raça. Invadiremos bares, lanchonetes e restaurantes com nossa munição de acelgas e brotos de bambu. Dispararemos cápsulas de gelatina e vitamina E. Bombas de ginseng. Granadas de alcachofra arremessadas de barricadas de tofu. Assumiremos nosso posto na eternidade. Jovens, é claro.&lt;br /&gt;            Ei, espere. Que ruguinha é esta aqui? Não, não pode ser! Não! Nãããooo!!... &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-1755870172172614604?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/1755870172172614604/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=1755870172172614604&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/1755870172172614604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/1755870172172614604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/10/tofu.html' title='Tofu'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-3753794582307526002</id><published>2007-10-15T18:46:00.000-07:00</published><updated>2007-10-15T18:49:31.219-07:00</updated><title type='text'>Cineurose</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            -Ao voltarmos do café da manhã, podíamos pegar uma prainha. O que você acha?&lt;br /&gt;            -Praia? Não, obrigado. Não tenho coragem. Vai você...&lt;br /&gt;            -Por que? Não sabe nadar?&lt;br /&gt;            -Sei. Quer dizer, acho que ainda sei. Pelo menos, eu sabia. Até o dia em que fui assistir “Tubarão”. Não consegui mais nem por os pés na água! Nas poucas vezes em que tentei, aquela maldita musiquinha começava a tocar dentro da minha cabeça...&lt;br /&gt;            -Então, tudo bem. Podemos apenas dar uma esticada pelo centro da cidade. É só o tempo de tomar uma ducha.&lt;br /&gt;            -Ducha? No banheiro do hotel? Nem pensar! Desde que eu assisti “Psicose” não houve mais jeito de encarar um chuveiro.&lt;br /&gt;            -Usa a banheira, então.&lt;br /&gt;            -Banheira? Você assistiu “Atração Fatal”?&lt;br /&gt;            -Ué? Como é que você toma banho, então?&lt;br /&gt;            -Na canequinha.&lt;br /&gt;            -Paciência. Então depois da canequinha, podíamos ir visitar aquele prédio com vista panorâmica...&lt;br /&gt;            -O que? Você não lembra do “Inferno na Torre”?&lt;br /&gt;            -Ah, sei, sei. Então façamos um “tour” de ônibus pela cidade...&lt;br /&gt;            -“Velocidade máxima”...&lt;br /&gt;            -De táxi, então.&lt;br /&gt;            -“Taxi Driver”.&lt;br /&gt;            -Metrô...&lt;br /&gt;            -“King Kong”.&lt;br /&gt;            -Tudo bem. Nesse caso vamos assistir ao jogo nesse estádio próximo ao hotel.&lt;br /&gt;            -Eu, hein? “Pânico na multidão”!&lt;br /&gt;            -Tá bom, ficaremos no hotel. Só preciso ir ao caixa automático do banco aqui ao lado. Quer ir junto?&lt;br /&gt;            -Não. “Um dia de cão”.&lt;br /&gt;            -Ai, meu Deus! O que você acha de irmos ao barzinho do hotel...&lt;br /&gt;            -“Um Drink no Inferno”...&lt;br /&gt;            -...dar uma olhada nas gatas...&lt;br /&gt;            -“Traídos pelo Desejo”.&lt;br /&gt;            -... quem sabe rola até uns beijinhos...&lt;br /&gt;            -“Um beijo antes de morrer”...&lt;br /&gt;            -Ah, não! Assim não dá! Porque então você não pega o primeiro avião e volta pra casa?&lt;br /&gt;            -“Aeroporto”, “Náufrago”, “Morte nos Andes”...&lt;br /&gt;            -Tá bom, tá bom. Come logo esse pãozinho com manteiga e vamos passar o dia inteiro no quarto...&lt;br /&gt;            -Não posso.&lt;br /&gt;            -Por que não pode? Vai me dizer agora que você viu algum filme em que o ator come pão com manteiga e morre por causa do excesso de colesterol...&lt;br /&gt;            -Não. “Último Tango em Paris”, mesmo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-3753794582307526002?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/3753794582307526002/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=3753794582307526002&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3753794582307526002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3753794582307526002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/10/cineurose.html' title='Cineurose'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-7666138868355866769</id><published>2007-09-30T06:33:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T06:35:56.052-07:00</updated><title type='text'>Caríssimas Baratas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            A clonagem apareceu para comprovar uma realidade que Nostradamus falhou em prever: os homens estão se tornando cada vez mais obsoletos. Digo isto com profunda dor n’alma, por motivos óbvios. Mas as evidências estão todas aí. Duvida?&lt;br /&gt;            Verifique então o comportamento de uma mulher em qualquer local público. Vamos tomar como exemplo um restaurante. A nossa mulher-exemplo está sentada, com outras pessoas à mesa. Adentram ao restaurante mais quatro pessoas: dois homens e duas mulheres. As mulheres se separam para, digamos, ir ao toalete. Verifique o comportamento da nossa cobaia. Para onde foi direcionado o seu olhar? Em pelo menos noventa por cento dos casos, para a dupla feminina. Aí vem a pergunta: por que? Se perguntado o motivo, a resposta deverá ser algo como: para apreciar (criticar) seus vestidos, sapatos, bolsas, etc., ou para analisar (criticar) os seus corpos ou maneira de andar, ou ainda seus cabelos ou maquiagens.&lt;br /&gt;            Agora volte a fita e observe o comportamento dos homens-cobaia na mesma situação. De novo, em mais de noventa por cento dos casos (se as suas mulheres deixarem), irão olhar para a dupla feminina. Lógico que, se questionados, irão responder (se suas mulheres deixarem) que os motivos são totalmente outros, ainda que alguns poucos possam ter realmente se encantado com um determinado vestido, bolsa ou maquiagem. De acordo com esta observação, constatamos que, exceto por cerca de dez por cento da população adulta, poderiam os homens entrar em qualquer recinto vestidos apenas com uma singela gravata (sem nada por baixo), que ainda assim dificilmente seriam muito notados. Ainda não fiz o teste: não uso gravatas.&lt;br /&gt;            Ainda com o mesmo exemplo, pergunte para as mulheres do referido restaurante qual foi o motivo que as levaram a se vestir de uma determinada forma. A resposta deverá ser: para se sentirem bem com elas mesmas. Pergunte agora aos homens. Resposta: para impressionar a mulherada!&lt;br /&gt;            Viu?&lt;br /&gt;            Podemos então concluir que, com exceção de algumas funções condenadas à extinção, as mulheres se bastam totalmente. Não devemos nos enganar quando as vemos compenetradas nas lojas, suando em academias ou se torturando em salões de beleza. Nem sequer passa pelas suas cabeças a intenção de nos agradar. Claramente a questão toda se resume a uma palavra: competitividade. Essa é a verdadeira força motriz da sociedade. As mulheres envidam seus esforços para vencerem umas as outras, só isso. Mas e os homens que as acompanham?&lt;br /&gt;            Conformemo-nos com a posição de troféus. Com posição intermediária entre um diploma na parede e uma bela tornozeleira ou uma bolsa da moda. Sim, porque todos os homens são dotados de um sistema testosterônico-adrenalítico-sei-lá-mais-o-quê que lhes entorpece o cérebro, embotando o raciocínio ao ver uma mulher bonita ou atraente (estou falando dos homens machos, aqueles verdadeiramente testosterônicos-adrenalíticos-não-sei- mais-o-quê). Sistema que os fazem parecer mais fortes, mais bonitos, mais capazes, mais... Sei lá, talvez mais bobos, somente.&lt;br /&gt;            Portanto, rapaziada, unamos forças. Nós e as baratas. Sim, as baratas! Por que outro motivo teriam elas sobrevivido incólumes desde o início da civilização, senão para preservar nossa parca função social?&lt;br /&gt; Só devemos ter o cuidado de exterminar machos e fêmeas na mesma proporção, para a manutenção das espécies (a nossa e a delas, as baratas). Como saber a diferença? Observe-as em um restaurante. Quando adentrar um casal de baratas, verifique o comportamento da barata-fêmea...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-7666138868355866769?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/7666138868355866769/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=7666138868355866769&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7666138868355866769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7666138868355866769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/09/carssimas-baratas.html' title='Caríssimas Baratas'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-6006880434644912142</id><published>2007-09-16T13:07:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T13:10:25.991-07:00</updated><title type='text'>Desilusão Precoce</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A vida para o Luquinha já não vem mais tendo muita graça ultimamente. Tem sentido todo o peso dos seus cinco anos nas costas. Seus antes coloridos brinquedos começaram a ficar em tons acinzentados. O motivo? Fátima Daniela, Fafá para os íntimos, aquele aviãozinho do 404. Ele nunca soube explicar muito bem o que vira naquela menina. Mas desde o começo tinha tido absoluta certeza: era mesmo para sempre. Nem bem acordava e já começava a pensar naquela boquinha semi-desdentada, com gengivas tão vermelhinhas, naquele olhar aparentemente tão inocente, mas tão malandrinho, na maneira delicada de segurar a chupeta, quase despencando da boca. Se bem que ele preferisse as chupetas dos modelos mais antigos, daquelas redondinhas por fora, não esses novos modelos que dão a impressão de focinheiras aos seus pobres usuários.&lt;br /&gt;             Mesmo assim, Luquinha era incapaz de ver os defeitos de sua amada. Lambuzos de sopinha na cara, aquele narizinho escorrendo durante metade do ano, até mesmo aqueles verdadeiros terremotos que ainda ocasionalmente escapavam do seu bumbumzinho. Bumbumzinho esse que gerava dúvidas na sua cabeça. Seria possível que ela ainda estaria usando fraldinha? Ou a natureza teria sido mesmo pródiga naquele traseirinho tão arredondado? Não importava.&lt;br /&gt;            A parte mais esperada do seu dia era quando a sua babá anunciava que iriam brincar no play. Na maioria das tardes, Fafá já estava maravilhosamente empoleirada no seu carrossel, quando ele chegava de mãos dadas com Edineuza, uma mocinha meio zarolha que morava com eles e fazia dupla jornada como empregada doméstica pela manhã e à tarde brincava com ele e sua irmã mais velha. Irmã essa que foi a responsável pela sua aproximação daquela beldade.&lt;br /&gt;            No início eles aparentavam nem se gostar tanto assim. Tanto é que não foram poucas as vezes que ele voltou para o 802 chorando, com a cara inchada por causa de alguma mordida de sua atual paixão, ou mesmo com algumas dezenas de fios de cabelo a menos, arrancados num ímpeto de violência, principalmente quando ele se metia a besta de tentar andar no seu triciclo, ou quando fazia comentários pouco felizes a respeito de alguma peça do seu vestuário.&lt;br /&gt;            Mas com as mulheres costuma ser assim mesmo. No início não nos percebem. Passado algum tempo, se acham alguma coisa nossa de que gostaram, não largam mais do nosso pé. E foi justamente na transição desses opostos que Luquinha conheceu o período mais feliz de sua vidinha. &lt;br /&gt;            Mesmo nos dias mais fechados, suas tardes costumavam ser ensolaradas. Brincavam de esconde-esconde, pulavam corda, jogavam caçador. Até o antes proibido triciclo já era compartilhado. É bem verdade que não sem uma certa preocupação da titular. Normal: como conta-conjunta.&lt;br /&gt;            Para Luquinha essa vida não deveria mais terminar. Era bem alimentado, não precisava se preocupar com gastos e tinha o seu grande amor ali do lado. Não o dia inteiro. Mas como em toda relação, devemos mesmo ter um certo distanciamento durante algumas partes do dia, para não haver desgaste. Quando começava a escurecer, Edineuza juntava as tralhas, fingindo que não via quando a Fafá dava um tapinha ou um soquinho (com a sua conhecida mão pesada) no seu amado.&lt;br /&gt;            Como em toda história do gênero, não poderia faltar o elemento de dramaticidade. Numa bela tarde de sábado, não se sabe se influenciada por uma overdose de guaraná, Fafá percebeu o descuido e tascou-lhe um beijo no seu namorado. No rosto, mas daqueles bem melecados.&lt;br /&gt;             Luquinha ainda deu uma demorada risada, como que paralisado por aquele gesto tão inusitado. Não saberia explicar, no entanto, o que estava sentindo. Percebia que cada poro da sua bochecha estava sendo inundado por aquela saliva grudenta.&lt;br /&gt;            E o cheiro de cuspe, então? Como alguma coisa podia ser tão nojenta? Tantas mordidas da mesma boquinha, e nunca percebera... Talvez anestesiado pela força das dentadas. Correu em direção à Edineuza, que não tendo presenciado a cena, não conseguia entender o seu desespero.&lt;br /&gt;Incapaz de achar o elevador naquele vale de lágrimas, subiu os oito andares pela escada mesmo, embora depois não lembrasse de tê-lo feito. A psicologia explica: amnésia pós-traumática.&lt;br /&gt;            Hoje, nas raras vezes em que sai de casa, Luquinha espera até ter certeza que Fátima Daniela (não a chama mais pelo apelido, pois não quer mais nenhuma intimidade) já desceu. Só então se aventura a entrar no elevador. Não sem antes se disfarçar de Batman.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-6006880434644912142?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/6006880434644912142/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=6006880434644912142&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6006880434644912142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6006880434644912142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/09/desiluso-precoce.html' title='Desilusão Precoce'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-8971667487342478778</id><published>2007-09-02T16:09:00.000-07:00</published><updated>2007-09-02T16:12:13.581-07:00</updated><title type='text'>Um Tanto A Mais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Segundo consta... Não, segundo consta todo mundo já mais ou menos sabe: a história de Moisés. Mas parece que não foi tudo bem assim. O que realmente aconteceu foi que ele aproveitou a maré baixa e atravessou com meia dúzia de companheiros a vazante do Mar Vermelho e, como aqueles brutamontes egípcios não sabiam nadar, ficaram literalmente a ver navios. Alguns inclusive chegaram a engolir um pouco de água salgada. O que deu cores mais carregadas a essa história foi a tendência de algumas pessoas a valorizar o ocorrido.&lt;br /&gt; Pessoas como a Irene. Costuma se dizer que Irene não foi gerada. Foi exagerada. Porque desde onde a memória pode alcançar, talvez por algum tipo de carência ou mesmo por pura necessidade de chamar atenção, seus familiares habituaram-se a ouvir de sua boca certos exageros. Tudo para ela tem de ser propositalmente superestimado.&lt;br /&gt;            -Vocês viram quanto custa aquela geladeira nova da propaganda? Quase noventa mil!&lt;br /&gt;            -Noventa mil por uma geladeira, Irene! Tem certeza?&lt;br /&gt;            -Não tenho bem certeza se era noventa ou nove mil. Mas era alguma coisa assim.&lt;br /&gt;            Lógico que a precisão dos números acabam por não ter nenhuma importância. O que se desejava era o impacto da notícia.&lt;br /&gt;            -E o acidente na BR, mais de cem mortos!&lt;br /&gt;            -Cem mortos, Irene? O que foi esse acidente? Um avião caiu em cima de um trem?&lt;br /&gt;            Atenção recebida, começa a revisão na contabilidade:&lt;br /&gt;            -Não sei se foram cem mortos ou cem no total, contando os feridos. Mas tinha barulho de umas dez ambulâncias passando pelas redondezas da casa da Cinira, que fica perto da estrada.&lt;br /&gt;            Quando ia se ver, a coisa não era muito maior que o trivial choque entre dois carros com alguma gravidade, mas nada de proporções hecatômbicas que Irene tentava fazer parecer. E a criatividade de Irene não tem limites no que se refere ao não-convencional. Até quando suprime os números, a informação não deixa de ter caráter bombástico:&lt;br /&gt;            -Essa alcachofra que vocês estão comendo hoje é tão cara que ninguém na cidade pode comprar.&lt;br /&gt;            -Então espera – diz o marido, fingindo ares de preocupação. Nós mal tiramos umas cinco folinhas. Liga pro verdureiro e diz que nós vamos devolver.&lt;br /&gt;            Esse se tornou o maior problema com as invencionices da Irene. Com o passar de algum tempo suas histórias desandaram para o total descrédito, que descambaram para a ironia. Como quando o cunhado caiu da escada e ela se incumbiu de dar a notícia para o pessoal de casa:&lt;br /&gt;            -Quebrou-se todo. Parece que está na UTI.&lt;br /&gt;            -Diga lá, mãe, foi só uma unha quebrada, não foi?&lt;br /&gt;            Porém, isso não foi sempre assim. Anos atrás, o marido leu uma reportagem dizendo que todos esses exageros podiam ser um sintoma de psicose, de doença mesmo, que faz com que a pessoa perca a noção do que é realidade. Ligou para um psiquiatra, querendo saber se era caso para consultá-lo. Ele, então, após o resumo do caso, fez-lhe a pergunta definitiva:&lt;br /&gt;            -Mente a idade?&lt;br /&gt;            -Mente.&lt;br /&gt;            -Para cima ou para baixo?&lt;br /&gt;            -Para baixo.&lt;br /&gt;            Poupou-lhe a consulta.            &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-8971667487342478778?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/8971667487342478778/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=8971667487342478778&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8971667487342478778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8971667487342478778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/09/um-tanto-mais.html' title='Um Tanto A Mais'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-4951030251234394161</id><published>2007-08-19T13:09:00.000-07:00</published><updated>2007-08-19T13:13:21.558-07:00</updated><title type='text'>Camaleão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi pouco antes do fim do jantar.&lt;br /&gt;            Novamente a mãe se enganara. Dera o potinho de ração do Igor para o Júnior.&lt;br /&gt;            Era a terceira vez na semana que Igor, o poodle toy, comia peru com batata salsa, já estava ficando meio enjoado.&lt;br /&gt;            Ao tentar retirar a ração do Júnior, porém, este ameaçou um choro.&lt;br /&gt;            O-ou, disse a mãe, vai começar de novo!&lt;br /&gt;            Júnior foi arroxeando, arroxeando, arroxeou. Estático, flácido, olhos arregalados mirando o teto.&lt;br /&gt;            Ignorar, foi o conselho do pediatra da família. Há coisas muito piores, explicou. A Portuguesa de Desportos, por exemplo, há três anos que amarga a segunda divisão.&lt;br /&gt;            A mãe lembrou do truque sugerido pelo médico: contar pra quem estivesse perto, em tom casual, o resumo de alguma novela do dia anterior. Começou com a das oito.&lt;br /&gt;            A irmã do meio a cada dois minutos conferia a respiração, enquanto pensava se teria direito à chupeta de Júnior – d”Os Incríveis” - como herança. Teria, no entanto, que desinfetá-la.&lt;br /&gt;            Jenifer, a irmã mais velha, disfarçava a tensão jogando Igor, ainda digerindo o peru com batata salsa, para o alto.&lt;br /&gt;            O pai, chegado tarde do trabalho, beijou distraído o filho violeta, e meteu-se na cama ao perceber que a mãe lavava a louça. Só estranhou as duas novelas: uma muda, na TV, e a outra, que a mãe repassava para Jenifer e a irmã do meio.             “Então, Pedro Otávio (ai, meu Deus!) propõe a Estela casamento. Estela diz que sim, que ama Pedro Otávio, mas que seus dias de dançarina de boate (volta, desgraça!) são uma lembrança muito forte para ela.”&lt;br /&gt;            Devagar, Júnior parecia voltar a respirar. “Judite, a madrasta de Pedro Otávio sente-se terrivelmente enciumada e promete vingança, contratando um assassino de aluguel”.        &lt;br /&gt;            No chão da cozinha Júnior, já rosado, sentou-se no colo da irmã do meio, ao lado de Jenifer, que segurava Igor (agora ele esverdeado) de pé pelas patas dianteiras. Prestavam a maior atenção na história.&lt;br /&gt;            Ao perceber a devoção da platéia, a mãe se animou: “Marlene, a irmã de criação de Estela a avisa das intenções de Judite, a má madrasta. Pedro é um ingênuo, Estela se queixa à irmã. Nunca irá perceber as verdadeiras intenções de Judite”. Igor levanta a pata (amparado pela mão de Jenifer): mãe, mãe! A mãe olha para o cachorro.&lt;br /&gt;            Que que é “ingênuo”?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-4951030251234394161?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/4951030251234394161/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=4951030251234394161&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4951030251234394161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4951030251234394161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/08/camaleo.html' title='Camaleão'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-6919906528765146731</id><published>2007-08-05T16:53:00.000-07:00</published><updated>2007-08-05T16:57:00.454-07:00</updated><title type='text'>Mangaba</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Densa mata do parque Mangaba Nacional Resort, situado no coração da metrópole. O chefe da delegação, um miamense da gema, ainda atrapalhado com algumas expressões em português (roumetíater, por exemplo), mostra ao grupo de turistas italianos - a maioria do Bexiga - espécimes preservados da flora e fauna nativa.&lt;br /&gt;            -Desde o início da manhã, ensina o rapaz, ouvimos o canto do “easy-way” por aqui.&lt;br /&gt;            Todos param para prestar atenção:&lt;br /&gt;            “Easy-way”! “Easy-way”! - cantam as aves no alto das copas.&lt;br /&gt;            -Se virarem agora seus binóculos para a esquerda...&lt;br /&gt;            O chefe aguarda alguns minutos para que decidam qual das mãos é a esquerda. O primeiro a se mexer é imitado pelos outros.&lt;br /&gt;            - ...poderão notar um belo espécime do papagaio do “be cool” amarelo. Originalmente, estes pássaros apresentavam plumagem esverdeada. Não se sabe ao certo o porquê, a maioria deles exibe hoje esse tom inteiro amarelado, além dum enorme fígado e urina cor de Coca-Cola.&lt;br /&gt;            -Oh! - exclamam os turistas em uníssono. Exceto um deles, ainda procurando à direita.&lt;br /&gt;            -Outra espécie interessante é a coruja-buraqueira. Vejam como giram a cabeça de um lado para outro. O velho truque da Linda Blair em “O Exorcista”. Só ainda não descobriram como vomitar verde.&lt;br /&gt;            -Oh!&lt;br /&gt;            -Ema!&lt;br /&gt;            -Oh!&lt;br /&gt;            -Ema, querida, por favor, me traz um copo d’água, que tá um calor danado aqui.&lt;br /&gt;            A moça espera o chefe engolir a água e leva o copinho plástico embora.&lt;br /&gt;            -Anta!&lt;br /&gt;            Os turistas esperam. Não querem cair na mesma pegadinha duas vezes. Há sim uma estranha anta ao lado deles, imóvel. Um dos turistas passa a mão com cuidado no pêlo pardacento do animal, sem perceber dois furos de grosso calibre.&lt;br /&gt;            -Atchim! - espirra forte, esperando não ter pegado uma antavirose.&lt;br /&gt;            -Au! Au! - recua latindo o animal assustado, arrastando parte do falso pelame na fuga. O guia olha pros lados, disfarçando o mal-estar. Continua:&lt;br /&gt;            -As árvores espinhosas vistas ao fundo, onde se lê inscrito “Pedro II ama Anastácia” no tronco avermelhado, são espécies plantadas do “pau-no-brasil”. Acorrentados nelas estão pequenos macacos, os famosos micos-leões &lt;em&gt;golden&lt;/em&gt;.            &lt;br /&gt;            -Oh!&lt;br /&gt;            -Em hipótese alguma toquem nesses animais. São muito perigosos. Há em média cinco advogados, que também dão em árvores, para cada um deles.&lt;br /&gt;            Dois pequenos turistas comentam que podem adquirir bichos iguaizinhos ao preço de 2 reais mais uma porção de fritas e qualquer sanduíche no McRonald na saída do parque. O guia evita mostrar os tucanos, olhares fixos, parados nas árvores, parte da mesma promoção. Os dois últimos tucanos de verdade foram mortos, intoxicados pela odorização artificial de jasmin.&lt;br /&gt;            -Vejam, um jacaré legítimo!&lt;br /&gt;            -Oh! - bradam todos, admirados.&lt;br /&gt;            O guia levanta a barra da calça e expõe o pé direito do sapato no cepo, orgulhoso, para que todos o admirem.&lt;br /&gt;            Espetada no bambu, uma cacatua voa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-6919906528765146731?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/6919906528765146731/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=6919906528765146731&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6919906528765146731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6919906528765146731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/08/mangaba.html' title='Mangaba'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-9086997548613787980</id><published>2007-07-22T16:27:00.000-07:00</published><updated>2007-07-22T16:28:38.142-07:00</updated><title type='text'>De Fábrica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;-Giro, sulco, cíngulo, área.&lt;br /&gt;            -Aqui.&lt;br /&gt;            -Pronto. Este é o último de hoje. Embala.&lt;br /&gt;            -Espera.&lt;br /&gt;            -Que foi?&lt;br /&gt;            -Não tá faltando nada?&lt;br /&gt;            -Sulco, giro, sulco, giro, área... Não, tá tudo aqui.&lt;br /&gt;            -E a sutileza?&lt;br /&gt;            -Como?&lt;br /&gt;            -É, a região da sutileza, cadê?&lt;br /&gt;            -Não incluímos mais, já faz algum tempo.&lt;br /&gt;            -Como assim, não incluímos mais? Vamos mandar cérebros assim, toscos?&lt;br /&gt;            -A idéia nem foi nossa. Percebemos que esta região nos modelos masculinos das últimas décadas vinham se apagando, talvez pelo freqüente arrasto das orelhas nos tatames, não sabemos ao certo. Experimentamos então alguns modelos sem sutileza de fábrica. Foi um sucesso! Sem sutileza, sem senso crítico. Sem senso crítico, adoram e compram tudo o que vêem. As grandes corporações encamparam a idéia. Pensam até em pagar os altos royalties para fabricarem eles mesmos os seus próprios cérebros.&lt;br /&gt;            -Mas, e os cérebros femininos, como é que ficam?&lt;br /&gt;            -De início, nossa ouvidoria esquerda vivia vermelha, de reclamações femininas por terem elas que conviver com brutamontes insensíveis. Fomos progressivamente adaptando estes modelos, também. Apagamos a área na grande maioria, para que pudessem combinar. Interessante, nessas a tarefa não foi tão fácil, de início.&lt;br /&gt;            -Conseguiram?&lt;br /&gt;            -A área auditiva e o sulco visual borraram um pouco. Felizmente, cérebros têm uma grande capacidade adaptativa. Os próprios donos buscam, como compensação, imagens mais coloridas, ligam seus sons mais altos, acabam apreciando letras de músicas mais simples, algumas com não mais do que duas ou três palavras, o refrão virou a própria música, não é genial?&lt;br /&gt;            -Sei não...&lt;br /&gt;            -E depois, não se pode negar o avanço na estética: notou como as cabeças andam mais bonitas?&lt;br /&gt;            -Mais bonitas?&lt;br /&gt;            -É! Redondinhas.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-9086997548613787980?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/9086997548613787980/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=9086997548613787980&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/9086997548613787980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/9086997548613787980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/07/de-fbrica.html' title='De Fábrica'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-8427017210879745509</id><published>2007-07-08T16:12:00.000-07:00</published><updated>2007-07-08T16:14:08.961-07:00</updated><title type='text'>Na Curva do Rio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Quando o pai adentrou a sala de espera, a família, que dava a impressão de haver se acalmado, ganhou novo ânimo. A sogra, como se a visão do genro a fizesse lembrar de coisas ruins, recomeçou a chorar.&lt;br /&gt;            -Vim o mais rápido que pude.&lt;br /&gt;            -Já faz duas horas que ele está lá dentro – aumentou a esposa, com a intenção de ampliar a culpa do pai pela demora.&lt;br /&gt;            -Mas ninguém entrou com ele? – indagou o pai, preocupado.&lt;br /&gt;            -O doutor não deixou. – resmungou a avó, mãe do pai. – Diz que é pior pra criança. Que se a gente entra, vai ficar fazendo cara de dor e aí, sim, é que ele vai ficar com medo.&lt;br /&gt;            -Não é possível! Você tem certeza, mãe? Não era só uma sujeira, um pedacinho de pipoca...&lt;br /&gt;            -Não – respondeu a mãe, derrotada. Tantos anos (cinco) de cuidados... A gestação inteira sonhando com sorvetes de maria-mole e corações de doce de abóbora! (Havia lido que a dieta da mãe na gravidez influencia o gosto da criança pela vida inteira. Resistiu bravamente). E para que? Sairia dali direto para a confeitaria mais próxima. E levaria o Chiquinho junto! É o que dá acreditar em tudo que se lê.&lt;br /&gt;            -O doutor mostrou no espelhinho. É cárie mesmo, e das grandes!&lt;br /&gt;            O pai estava inconsolável. Uma criança tão novinha... Se fosse no tempo dele, ainda. Chegava a passar dias sem passar perto de uma escova! Mas logo o seu Chiquinho!&lt;br /&gt;            -Como foi que vocês descobriram?&lt;br /&gt;            -Noutro dia, quando ele dava uma risada – disse a mãe – eu notei um pontinho preto. Em questão de dias, tava o maior buracão.&lt;br /&gt;            -Também não é tão ruim assim – interveio o tio, calmamente – Soube de muita criança que na idade dele já passou até por tratamento de...&lt;br /&gt;            Notou todos os olhares acusadores para cima dele. Emendou baixinho:&lt;br /&gt;            -...canal.&lt;br /&gt;            Abaixou a cabeça, envergonhado.&lt;br /&gt;            Abre-se a porta. Chiquinho emerge devagar, olhos semicerrados. Examina a família com certo ar de desdém, após o que fita o horizonte. É um novo quase-homem. Acabara de passar pelo seu ritual de iniciação. Um pouco cedo, é verdade. Ouve uma voz tênue, pesarosa, ao fundo, como se ele não estivesse ali:&lt;br /&gt;            -Extração...&lt;br /&gt;            A mãe, angustiada, corre para confortá-lo. Ao que Chico – apenas Chico, agora – recusa. Com a voz rouca, de quem segura o choro, comanda:&lt;br /&gt;            -Levem-me ao tal telhado das andorinhas.&lt;br /&gt;            O tio jura ter ouvido um:&lt;br /&gt;            -Rau!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-8427017210879745509?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/8427017210879745509/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=8427017210879745509&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8427017210879745509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8427017210879745509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/07/na-curva-do-rio.html' title='Na Curva do Rio'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-3434217492406397200</id><published>2007-07-01T12:58:00.000-07:00</published><updated>2007-07-01T12:59:22.073-07:00</updated><title type='text'>Coisas Vans</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;-Nico!&lt;br /&gt;-Peçanha! É Nilo.&lt;br /&gt;-O que?&lt;br /&gt;-Meu nome. Nilo.&lt;br /&gt;-Claro. Nilo. Nós o chamávamos “a oitava praga do Egito”.&lt;br /&gt;-E você, “Peçonha”: comentários maldosos.&lt;br /&gt;-E aí, como é que vai a Vanda? Coincidência. Foi aqui neste mesmo supermercado que tudo entre vocês começou.&lt;br /&gt;-Terminamos.&lt;br /&gt;-Não diga! Vocês viviam grudados...&lt;br /&gt;-Nos últimos tempos faltava gente para apartar.&lt;br /&gt;-Dois pombinhos, sempre apaixonados, era o que ela dizia.&lt;br /&gt;-Quer que eu morra como um passarinho, apedrejado, é o que ela agora diz.&lt;br /&gt;-Chamávamos de “casal 20”!&lt;br /&gt;-Numa escala de 0 a 100 podia até ser...&lt;br /&gt;-Que coisa! E vocês viviam fazendo planos...&lt;br /&gt;-Os de saúde e previdência privada continuam com ela.&lt;br /&gt;-Uma moça tão legal...&lt;br /&gt;-Por isso contratou dois advogados.&lt;br /&gt;-Tão dedicada...&lt;br /&gt;-Dedilhada, você quer dizer, né?&lt;br /&gt;-E olha, te considerava um semideus, hein?&lt;br /&gt;-É. Ultimamente era uma “cê me dá”. “Cê me dá isso”, “Cê me dá aquilo”...&lt;br /&gt;-Não brinca!&lt;br /&gt;-Não brinco. Mas anel, colar, pulseira, eticétera. Até nosso Yorkshire ela queria que dividíssemos ao meio.&lt;br /&gt;-Sei. Mas, e agora, Nico, sozinho?&lt;br /&gt;-Não exatamente.&lt;br /&gt;-Como assim? Ah, já sei! Anda pegando todos os brotinhos que pode...&lt;br /&gt;-Mais ou menos.&lt;br /&gt;-Leva pra dar uma voltinha...&lt;br /&gt;-É isso aí.&lt;br /&gt;-Malandro, hein?&lt;br /&gt;-Não, motorista de van escolar, mesmo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-3434217492406397200?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/3434217492406397200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=3434217492406397200&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3434217492406397200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3434217492406397200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/07/coisas-vans.html' title='Coisas Vans'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-7422666436899160713</id><published>2007-06-24T18:25:00.000-07:00</published><updated>2007-06-24T18:26:41.936-07:00</updated><title type='text'>Dissabores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nojo, vergonha, um certo parentesco com dúvida existencial. Leocádio não sabia os reais motivos que o faziam não mais aparecer naquele restaurante outrora tão “aprazível” (como ele mesmo gostava de defini-lo). O fato é que não mais poria os pés lá. Pronto, estava decidido!&lt;br /&gt;Todos os dias, quando estava no seu trabalho como bibliotecário da Faculdade de Ciências e Letras de Ribeirão Dourado, Leocádio reservava um tempinho para checar o cardápio impresso do Restaurante Primo Mangiare, já se deliciando com as opções do dia. Apesar de ser um típico restaurante “por quilo” , ele preferia não se referir desta forma ao seu delicioso Mangiare. Ficava sempre a esquisita impressão de que se tratava de restaurante argentino, onde só se poderia comer carne de porco (“porquilo”).&lt;br /&gt;Saladas das mais variadas (apesar do banho de vinagre transformar aquele arco-íris num sabor quase monocromático), dois tipos de arroz (“com ou sem sujeirinhas”), carnes (de frango, principalmente, que o fazia pensar como um mesmo animal podia se transformar tanto). E as massas. Ah, as massas!...Estas eram as verdadeiras preciosidades . Tão saborosas que em certas ocasiões teve que resistir ao impulso de ir abraçar o “ chef de cuzim” (fala um pouco de francês, sim , tá pensando o quê ?).&lt;br /&gt;Porém uma coisa apenas o irritava profundamente nesta orgia gástrica do meio-dia. Quase todos os dias, quando estava pronto para locupletar o seu rico estômago, aparecia pontualmente um senhor dos seus oitenta e tantos anos, que talvez devido à perda de muitos dos seus outrora cinco sentidos, aproximava seu imenso e cabeludo nariz das fumegantes travessas. E o que era pior: parecia às vezes perder-se em divagações . Que estaria ele pensando: se haveria outro paraíso como este em outra vida? Seria hora de almoçar ou de jantar?  Afinal, as tropas aliadas já desembarcaram na Normandia?&lt;br /&gt;Por anos e anos Leocádio havia suportado tal provação. Até porque era muito tímido para mostrar qualquer sinal de impaciência com aquele senhor, que, além do mais, merecia respeito pelos cabelos brancos que um dia habitaram aquela deslustrada cabeça.&lt;br /&gt;Qual não foi então sua alegria quando, nos últimos dias, começou a notar a ausência do pobre velho (por que este irritante adjetivo acompanha os senhores que dobraram o cabo da boa esperança , outro irritante complemento nominal ?).&lt;br /&gt;Encheu-se de coragem, talvez alavancada pela feliz perspectiva de não ter mais tão ignóbil convívio, e perguntou ao dono do restaurante, um sujeito que conhecia desde a infância mas com quem nunca havia trocado mais do que duas ou três palavras devido à sua “ tremenda carranca”, fato conhecido de todos os que ali freqüentavam:&lt;br /&gt;-E aí, Jesuíno, aquele velhinho que ficava cheirando a comida morreu, é?&lt;br /&gt;-O senhor - respondeu Jesuíno com um tratamento de quem não quer intimidade- deve estar perguntando sobre meu avô... Não morreu, não.&lt;br /&gt; Estava viajando, soube por outra pessoa (Jesuíno pára de falar automaticamente ao proferir a décima primeira palavra). Voltaria da praia nos próximos dias.&lt;br /&gt;Precisava?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-7422666436899160713?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/7422666436899160713/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=7422666436899160713&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7422666436899160713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7422666436899160713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/06/dissabores.html' title='Dissabores'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-8644877410742454132</id><published>2007-06-17T14:36:00.000-07:00</published><updated>2007-06-17T14:37:09.122-07:00</updated><title type='text'>Clareou, Bate</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;-Qual era mesmo o nome dele?&lt;br /&gt;-Lázaro. Lázaro Laranjinha.&lt;br /&gt;-Ah, é.&lt;br /&gt;-Um verdadeiro fenômeno com a bola nos pés. Com a bola só, não. Daí o apelido. Fazia horrores com uma laranja. Dizem até que se o futebol fosse jogado com laranja, seria maior que o Pelé.&lt;br /&gt;-Sei.&lt;br /&gt;-E não era só laranja. Embaixadinha, fazia com tudo: limão, bola de tênis, bola de gude, mexerica...&lt;br /&gt;-Figo.&lt;br /&gt;-Hein?&lt;br /&gt;-Figo, fazia?&lt;br /&gt;-Aí, também, você tá de sacanagem. Tô falando de coisa redondinha.&lt;br /&gt;-E por que é que não se houve falar do cara?&lt;br /&gt;-Problema é que o Lázaro tinha uma saúde frágil, vivia machucado. Machucado só, não. Tinha, na verdade, tudo quanto era coisa, o coitado. De joanete a espirro mal curado. De asma até zumbido, era um dicionário de doença. Jogava uma média de dois jogos por campeonato, só.&lt;br /&gt;-Mas aí arrasava!&lt;br /&gt;-Arrasava, arrasava. Não fosse o fato de que era muito violento.&lt;br /&gt;-Violento? Com saúde frágil?&lt;br /&gt;-Mas isso não impedia. Sabe como é briga em futebol. O primeiro empurra, o segundo enfia o dedo na cara. A partir daí, ninguém é de ninguém. Na confusão, quando iam ver, lá estava o Lázaro, engalfinhado com cinco ou seis.&lt;br /&gt;-Na porrada?&lt;br /&gt;-Não. Quer dizer, normalmente não. Gostava mais era do engalfinhamento mesmo. Não foram poucas as vezes em que, muito depois da briga ter acabado, tinham que puxar o Lázaro do meio da turma, com uma cara estranha, meio que de satisfeito.&lt;br /&gt;-E nunca ninguém notou nada?&lt;br /&gt;-Notar, notavam. Mas como ele era ex-prisioneiro, a turma tinha medo e ficava por isso mesmo.&lt;br /&gt;-Ex-prisioneiro?&lt;br /&gt;-Cinco anos na primeira vez. Na segunda, mais quatro. Estelionato. Onde é que você acha que o Laranjinha adquiriu tamanha habilidade?&lt;br /&gt;-Na sobremesa...&lt;br /&gt;-Claro. Sobremesa de penitenciária. Laranja. E a dele era a única que já vinha descascada.&lt;br /&gt;-Uai, por quê?&lt;br /&gt;-Pra treinar falta. Se tivesse casca, não achava um que ficasse na barreira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-8644877410742454132?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/8644877410742454132/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=8644877410742454132&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8644877410742454132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8644877410742454132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/06/clareou-bate.html' title='Clareou, Bate'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-6828240423599933576</id><published>2007-06-10T11:15:00.000-07:00</published><updated>2007-06-10T11:18:02.848-07:00</updated><title type='text'>Refogado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É por sua própria conta e risco que lerá esta história. Eu mesmo, quase me sufoquei com um Pretzel ao ouvi-la. Ainda hoje, sinto um salzinho arranhando no fundo da garganta.     Mas você, não. Deve ser do tipo corajoso. Vá em frente, então:&lt;br /&gt;            O casal deitado na enorme cama, início da noite. Quarto escuro, silêncio.&lt;br /&gt;            De repente, sons estranhos, gorgolejos, sons metálicos vindos do banheiro, ao que parece.&lt;br /&gt;            Ele, o homem da casa, senta na cama, assustado. Olha para o lado: sua mulher dorme, ressona.&lt;br /&gt;            Sai da cama e caminha em direção aos sons. Pararam, agora.&lt;br /&gt;            Aproveita para urinar. Não se incomoda com a descarga.&lt;br /&gt;            Ao tentar abrir a torneira da suíte, depara-se com algo inusitado: a torneira sumiu!      Como pode, ter sumido?&lt;br /&gt;            Se desperta, o coração acelera. Tenta lembrar: sim, usou a pia antes de deitar, estava lá no início da noite. Corre para a segunda pia, no mesmo banheiro. Nada!&lt;br /&gt;            Ambas as torneiras foram levadas. Alguém entrara ali, por isso os barulhos estranhos, de encanamento.&lt;br /&gt;            Em meio ao pânico, o raciocínio torna-se confuso. Estaria ali, ainda, o ladrão? Num pulo, afasta-se da porta aberta. Poderia ser golpeado com a torneira pelo assassino, que estaria à sua espreita! Puxa rapidamente a porta para si: não, não há ninguém atrás da porta...&lt;br /&gt;            Somente agora, mais aliviado, percebe seu corpo extremamente pesado, como se houvesse engordado muito desde o dia anterior. Não fosse o efeito do medo, teria lembrado de olhar para baixo, notado como sua própria cintura estava avantajada.&lt;br /&gt;            Os sons novamente retornam. Agora, mais assustadores ainda. Canos estralando, dilatando-se. Há água no prédio? - questiona-se.&lt;br /&gt;            Volta à descarga. Ao tentar apertá-la, no entanto, nota em seu braço os pêlos duros, ouriçados, em meio à sua pele esverdeada.&lt;br /&gt;            Esverdeada?&lt;br /&gt;            Tenta correr ao espelho, esquecido do ladrão (ou assassino) à espreita.&lt;br /&gt;            Seu corpo verde, peludo, pesado, de cintura enorme, o impede de chegar ao espelho com a rapidez esperada. O que estaria acontecendo? E se o assassino, pivete, ladrão de cano, o persegue agora, como irá conseguir fugir?&lt;br /&gt;            Não resiste mais ao desespero, e grita. Grita alto, forte, muito forte para que alguém, a mulher que seja, venha ao seu socorro. Não emite som algum. Somente uma baba espessa, pegajosa, escorre-lhe pelo canto da boca.&lt;br /&gt;            Com muito esforço, chega ao espelho. Não reconhece a figura estampada na sua frente. Foca o olhar. Mas o que é isto que está vendo, será possível? É um... Um...&lt;br /&gt;            -Chuchu?&lt;br /&gt;            -Chuchu?&lt;br /&gt;            -Hein?&lt;br /&gt;            -Pesadelo de novo, chuchuzinho? – pergunta a mulher, tentando acalmá-lo.&lt;br /&gt;            Não responde, descascado do seu orgulho, recusando o muxoxo.&lt;br /&gt;            Não pega bem, pra um maxuxo desse tamanhão.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-6828240423599933576?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/6828240423599933576/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=6828240423599933576&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6828240423599933576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/6828240423599933576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/06/refogado.html' title='Refogado'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-7426999483040469912</id><published>2007-06-03T16:57:00.000-07:00</published><updated>2007-06-04T09:45:43.402-07:00</updated><title type='text'>Banquete</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Mais alguém aí vai de bolinhos de ovário?&lt;br /&gt;-Ai, não. Pra mim, chega. Enchi a pança nesse &lt;em&gt;femme gras&lt;/em&gt; da entrada.&lt;br /&gt;-Eu quero!&lt;br /&gt;-Me passa o pâncreas, faz favor.&lt;br /&gt;-Não sei, tô achando esse pâncreas meio duro.&lt;br /&gt;-Devia ser alcoólatra, a margô. Por isso eu prefiro pâncreas importado. Os da Índia são os melhores.&lt;br /&gt;-Pára de chupar dedinho, Duda! Me dá nos nervos, esse barulho. E depois, vai sair com a bata cheia de gordura.&lt;br /&gt;-E o cemitério, cadê esse garçom que não traz o cemitério?&lt;br /&gt;-Gente, há quanto tempo que eu não experimentava um baço tão tenro...&lt;br /&gt;-Isso é porque você não provou a hipófise.&lt;br /&gt;-Também, mal cheguei na mesa, e cadê a hipófise?&lt;br /&gt;-Desculpa, mas você sabe que eu venho nesse restaurante só pra comer uma hipófise.&lt;br /&gt;-Tá boa! Então quem foi que detonou a tireóide toda?&lt;br /&gt;-Cê sabe que eu tenho um fraco pelo sistema endócrino. Já o cerebelo, detesto. Tá todo aqui, ó, nem mexi.&lt;br /&gt;-Vai ver é por isso que você é toda desequilibrada.&lt;br /&gt;-Engraçadinha! Quer ver essa traquéia parar no olho de alguém?&lt;br /&gt;-Ai, que nojo! Larga esse negócio, Duda! Não sei por que você já não pede sem traquéia.&lt;br /&gt;-É que eu mando embrulhar, pra levar pro Bob.&lt;br /&gt;-Eu não sei quanto a vocês, mas eu já tô satisfeita.&lt;br /&gt;-Eu também. Quem vai querer sobremesa?&lt;br /&gt;-O que é que tem?&lt;br /&gt;-Romeu e Julieta.&lt;br /&gt;-A Julieta, eu dispenso. Já Romeu, pode me mandar dois.&lt;br /&gt;-Fominha!&lt;br /&gt;-Queridas, amanhã vou de vegetariano, e vocês?&lt;br /&gt;-Eu também.&lt;br /&gt;-Mi tchú. Não tô podendo mais. Com essa, é a quarta mulher que nós comemos esta semana! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-7426999483040469912?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/7426999483040469912/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=7426999483040469912&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7426999483040469912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7426999483040469912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/06/orgia.html' title='Banquete'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-4123245626486915747</id><published>2007-05-27T15:01:00.000-07:00</published><updated>2007-05-27T15:03:19.756-07:00</updated><title type='text'>Extinto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;             Um glu veio dar na praia.&lt;br /&gt;            A menina, que percorria aquela faixa de areia a procura de conchinhas todos os dias, reparou naquela criatura meio morta, mas ainda respirando.&lt;br /&gt;            Levou para casa.&lt;br /&gt;            Não contou a ninguém. Temia que a mãe, que detestava animais dentro de casa, não fosse deixar.&lt;br /&gt;            Providenciou caminha com uma caixa de sapato embaixo da cama. Só precisava mudar de lugar uma vez por semana, no dia da faxina. Dava de comer duas vezes por dia. Comia de tudo, aquela coisa: folha de alface, queijo, biscoito. Até barrinha de cereal.&lt;br /&gt;            Viraram companheiros quase inseparáveis. Só não eram mais grudados porque em situações de família reunida ela não se atrevia a mostrar o pequeno amigo.&lt;br /&gt;            Quando estavam no quarto, porém, ela retirava o bichano da caixa com cuidado, dava banho, secava com secador aquela bola de pêlo que constituía a quase totalidade de um glu adulto. Mais: cantava para ele, fingia que dava aula. Enfim, fazia tudo que uma menina faz com seu bicho de estimação.&lt;br /&gt;            Não havia melhor companhia para uma menina.&lt;br /&gt;            Até que a menina cresceu.&lt;br /&gt;            A partir daí, todos os dias na hora do banho, a agora mocinha percebia certa inquietação dentro da caixa.&lt;br /&gt;            Ficava a criatura atenta aos menores movimentos da dona. Aqueles olhos de peixe morto – embora um glu não fosse um habitante das águas – a fitá-la sem disfarçar o interesse.&lt;br /&gt;            E ela, que quando pequena apreciava a vigília, subitamente começou a ficar incomodada. Chegou a fechar o pequeno glu na gaveta da cômoda ao vestir a calcinha. Quando o retirou, no entanto, o bichano mostrava-se terrivelmente azulado, assustado. Nunca havia sido aprisionado anteriormente.&lt;br /&gt;            Aprendeu a fingir. Virava de lado, mas olhava de canto de olho agora. O que só fez o mal-estar aumentar.&lt;br /&gt;            A relação ficou estremecida. A moça não sabia o que pensar. Não havia outros glus para comparar comportamentos. Estaria ela convivendo com um glu tarado?&lt;br /&gt;            Precisava esclarecer. Chamou a melhor amiga para dormir na sua casa. Certificou-se de que o glu já estivesse na caixa, pois se recolhia cedo.&lt;br /&gt;            Na manhã seguinte, enquanto a moça ainda dormia, a amiga, ao se abaixar para calçar os tênis, soltou um grito desesperado.&lt;br /&gt;            Lá estava ele encolhido, enrolado dentro do tênis da visita, dormindo tranquilamente.&lt;br /&gt;            Pedólatra, o desgraçado, pensou a moça.&lt;br /&gt;            Confundido com um rato, passado o susto, não mereceu maiores atenções por parte da amiga. A dona, contudo, levou a pequena besta para um passeio inesperado.&lt;br /&gt;            Na praia, na mesma praia onde tudo iniciara, a moça certificou-se de que estavam sozinhos. Retirou-o calmamente da caixa e, avançando lentamente em direção ao mar, subitamente mergulhou a criatura, segurando o frágil corpinho peludo, que já adivinhava o pior. As perninhas se agitaram por alguns minutos, frenéticas, até que uma grande e única bolha se desprendeu das águas:&lt;br /&gt;            “Glú!!”&lt;br /&gt;            Foi o último glu de que se teve notícia.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-4123245626486915747?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/4123245626486915747/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=4123245626486915747&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4123245626486915747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/4123245626486915747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/05/extinto.html' title='Extinto'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-3061190566115332294</id><published>2007-05-20T15:30:00.000-07:00</published><updated>2007-05-20T15:32:32.958-07:00</updated><title type='text'>Tá No Céu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            -Percebeu? – perguntou, como introdução ao assunto.&lt;br /&gt;            -O que?&lt;br /&gt;            -É o quarto ou quinto estabelecimento em que nós entramos.&lt;br /&gt;            -E...&lt;br /&gt;            -E em todos eles quem me atende me chama de senhor. “Pois não, senhor”, “E pro senhor, o que vai ser?”, “Alguém já atendeu o senhor?”.&lt;br /&gt;            -Sim, e daí?&lt;br /&gt;            -Daí que há, não sei, um ou dois anos atrás, praticamente ninguém me chamava assim.&lt;br /&gt;            -Sei. E você está se sentindo velho por causa disso...&lt;br /&gt;            -Não é essa a questão. Velhos todos nós estamos sempre ficando. O que me incomoda é não saber por que de uma hora para outra passei a merecer essa honraria. É alguma ruga nova na cara? É a clareira na testa que abriu de vez? São os meus gestos, a minha fala?&lt;br /&gt;            -Sei lá. Nunca pensei nisso. E olha que já faz alguns anos que só me tratam dessa forma.&lt;br /&gt;            -Aí é que está! Alguém começou a chamar o senhor de senhor, o senhor não reagiu, e pronto! Pegou. É que nem apelido.&lt;br /&gt;            -Viu só?&lt;br /&gt;            -Vi! É por isso que eu vou reagir. Não vou deixar que isso aconteça comigo!&lt;br /&gt;            -Não. Eu disse: viu só? Você me usou como exemplo já me chamando de senhor!&lt;br /&gt;            -Tem certeza? – perguntou por pura educação ou talvez para disfarçar o desconcerto. Era líquido e certo que o seu interlocutor cruzara, há muito tempo, a fronteira senhorial.&lt;br /&gt;            -Não só tenho certeza como não me incomodei nem um pouco com isso. Você (disse ele com cuidado, para não acabar chamando-o também de senhor) vai ver! Isso é uma enorme besteira. Quando você (deu uma entonação exagerada ao pronome) se der conta, todos estarão lhe tratando assim. E aí deixará de ser esse problema todo que você (este último saiu quase gritado) está fazendo. Vai por mim!&lt;br /&gt;            -É, pode ser... Respondeu o novo senhor desanimado, não querendo parecer infantil (logo ele, um senhor, não ficava bem).&lt;br /&gt;             Não prolongaria a discussão. Provavelmente teria que se conformar. Lembrou-se de alguns senhores que faziam papel ridículo tentando se fazer passar por pessoas jovens. Não com ele. Teria, enfim, maturidade para enfrentar a transição. Despediu-se do outro adotando uma postura já meio envergada, cabisbaixo com o repentino peso dos anos desabando em suas costas.             &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;             Ou então eram seus suspensórios que estavam muito apertados. Ou quem sabe... Não, suas polainas não pesavam nada!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-3061190566115332294?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/3061190566115332294/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=3061190566115332294&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3061190566115332294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/3061190566115332294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/05/t-no-cu.html' title='Tá No Céu'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-7292754243445162705</id><published>2007-05-13T15:28:00.000-07:00</published><updated>2007-05-13T15:32:45.193-07:00</updated><title type='text'>Breu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O meu patrão me dizia sempre:&lt;br /&gt;-As pessoas não gostam de chegar aqui e perceber que as revistas estão todas fora de ordem!&lt;br /&gt;Ele era meu patrão e eu, o empregado. Por isso, não discutia. E, enquanto ia botando as revistinhas todas, uma por uma, em ordem, ia pensando:&lt;br /&gt;Quem são essas pessoas?&lt;br /&gt;Nenhuma pessoa (ou seja, “as pessoas” citadas pelo meu patrão) gosta de chegar aqui e perceber que as revistas estão todas fora de ordem?&lt;br /&gt;Ou nenhuma pessoa gosta de chegar aqui, estejam as revistas todas em ordem ou não?&lt;br /&gt;Ou as revistas, estando fora da ordem, o que não podem é ser percebidas como tal pelas pessoas que aqui vêm?&lt;br /&gt;Outra coisa: já que as pessoas não gostam de chegar aqui e perceber que as revistas estão todas fora de ordem, gostariam então de perceber que &lt;em&gt;apenas algumas&lt;/em&gt; revistas estão fora dessa ordem? Se sim, por quê?&lt;br /&gt;E ainda: se as tais pessoas (ah, essas pessoas!) não gostam de chegar aqui e perceber que todas as revistas estão fora de ordem, poderíamos deixar as revistas fora de ordem mesmo, mas não deixar as pessoas chegarem &lt;em&gt;até aqui&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Ainda arrumando as revistas, pois era um empregado não dado a discutir bobagens com patrões, pensava cá comigo:&lt;br /&gt;Pode ser que, caso as pessoas (somente pessoas ou animais também? Ai, meu Deus, quanta dúvida!) não &lt;em&gt;gostem&lt;/em&gt; de aqui chegar e perceber que as revistas todas estejam fora de ordem, talvez &lt;em&gt;amem, adorem&lt;/em&gt; aqui chegar e perceber que as revistas estejam todas fora de ordem? Mas aí achava que talvez não, dada a carranca do patrão.&lt;br /&gt;Uma dúvida era de todas a mais cruel: caso fosse mesmo verdade (como ele sabia de todos estes detalhes: entrevista, pesquisa de opinião?) que as pessoas não gostavam de chegar aqui e perceber que todas as revistas estavam fora de ordem, por que é que, inevitavelmente, ao sair, deixavam as revistas novamente assim, fora de ordem? Só hoje, mais sábio e calejado, é que percebo: não gostavam de perceber as revistas todas fora de ordem na &lt;em&gt;chegada&lt;/em&gt; aqui. Na &lt;em&gt;saída&lt;/em&gt;, era uma questão totalmente diferente.&lt;br /&gt;Apesar das indagações que, dia após dia, assomavam-se na minha humilde cabecinha, fazia tudo direitinho: revistas em ordem, todas. Para que não pudessem, as pessoas, ao chegar ali...&lt;br /&gt;Foi aí que me deu o estalo. O fim do enigma que, durante tantos anos arrumando aquele lugar, me perturbava (e, sem eu saber era responsável pela manutenção do meu angustiante emprego):&lt;br /&gt;Catei todas as revistas e comecei a jogá-las da forma mais bagunçada possível por todos os lugares. Sorteadas, para reforçar a bagunça. Após o que, fui embora, orgulhoso, satisfeito.&lt;br /&gt;No dia seguinte, o da demissão (justa causa, alegou o patrão), tentei explicar:&lt;br /&gt;-Fiz como o senhor pediu: ao chegar aqui, as pessoas que não gostavam de perceber que todas as revistas estavam fora de ordem, ao vê-las assim, como as deixei, não apenas perceberiam. &lt;em&gt;Teriam a certeza&lt;/em&gt; que estavam todas fora de ordem.&lt;br /&gt;Mas era, como disse, ele o patrão e eu, o empregado. E como era ele o patrão, dessa forma só poderia haver um empregado, eu. Ou talvez, quem sabe...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-7292754243445162705?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/7292754243445162705/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=7292754243445162705&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7292754243445162705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/7292754243445162705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/05/breu.html' title='Breu'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-8707357750819510380</id><published>2007-05-06T15:05:00.000-07:00</published><updated>2007-05-06T15:07:30.208-07:00</updated><title type='text'>Má Escolha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na convenção do partido, buscam-se os nomes para compor a chapa. O vice, engraçadinho, com a sua cômoda posição já garantida, não acha nada melhor para fazer do que disparar os seus famosos gracejos. Diz o prefeito:&lt;br /&gt;            -Para a pasta da educação, queremos alguém com a cultura do Juvenal e a seriedade do Sarmento.&lt;br /&gt;            -Ou seja, algo assim como um jumento – arremata baixinho o vice.&lt;br /&gt;            Risos. Alguns de forma aberta, outros meio constrangidos.&lt;br /&gt;            -Já na agricultura, o ideal seria alguém com o tino comercial do Sena e o gosto pela terra do Mourão.&lt;br /&gt;            -Um verdadeiro “Senourão”! – dispara o vice, ele mesmo não contendo o riso.&lt;br /&gt;            -Para a saúde, uma pessoa com a sensibilidade do Dorival e a presteza do Godói.&lt;br /&gt;            -Um dodói, diz o vice, agora conquistando a parte mais séria da platéia, mas irritando profundamente o prefeito, que tenta manter a compostura.&lt;br /&gt;            -Na economia, devíamos pôr uma mente brilhante como a do Salomão, mas que entenda de assuntos externos como o Biafra.&lt;br /&gt;            -Um autêntico “Salafra”, manda o vice, com o tom de voz cada vez mais alto e fazendo força para não cair na gargalhada, assim como muitos membros do partido.&lt;br /&gt;            Pronto. Mais uma vez a convenção se transformava numa verdadeira bagunça. Não fosse o vice alguém de costas tão largas, genro do dono do jornaleco da cidade, teria sido expulso sumariamente do recinto. O prefeito, porém, insistia:&lt;br /&gt;            -Para as obras públicas, devemos juntar a honradez do Carlinhos com a astúcia do Ramalho.&lt;br /&gt;            E o vice, quase se arrebentando de tanto rir, cuspindo nos vizinhos partidários, grita:&lt;br /&gt;            -Essa eu me abstenho de juntar! Rá, rá, rá.&lt;br /&gt;            Assim não era possível continuar. A imprensa toda presente (um repórter e um estafeta) estava registrando todo esse absurdo. Para a oposição, o prato já estava transbordando de cheio. Agora nada mais restava ao prefeito do que tentar aprender a fórmula. Esperou que a poeira baixasse, ergueu a voz o máximo que pôde e disse:&lt;br /&gt;            -No cargo de vice, como os senhores todos já sabem, temos aqui ao meu lado o filho da querida Noêmia, conhecida por todos, que sempre foi uma bela mistura de PUREZA e espírito de LUTA!&lt;br /&gt;            O vice, no embalo da festa, já ia juntando os pedaços sem se dar conta:&lt;br /&gt;            -Uma grandessíssima...&lt;br /&gt;            E, subitamente, sério como nunca ninguém o via:&lt;br /&gt;            -Ei, ninguém aí vai me trazer aquela garrafa d’água?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-8707357750819510380?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/8707357750819510380/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=8707357750819510380&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8707357750819510380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/8707357750819510380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/05/m-escolha.html' title='Má Escolha'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-438054872032983709</id><published>2007-04-28T12:21:00.000-07:00</published><updated>2007-04-28T12:23:02.961-07:00</updated><title type='text'>Nu e Cru</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;-Então é isso?&lt;br /&gt;            -É isso.&lt;br /&gt;            -Eu tô...&lt;br /&gt;            -Tá. Você não lembra?&lt;br /&gt;            -Só me lembro que eu tava no meu carro parado na esquina e...&lt;br /&gt;            -Pois é. Foi assim mesmo.&lt;br /&gt;            -Então é assim... Mas, afinal, aqui é céu ou purgatório? Inferno, já saquei que não é... Pode falar “saquei”?&lt;br /&gt;             -Por que? Tem alguma placa que diz que aqui não se pode falar de alguma coisa? Mas vamos começar a deixar as coisas claras por aqui: esqueça esse negócio de céu, purgatório, inferno. Vocês sempre vêm com essa mesma conversa. Tudo bem, eu é que devia já ter me acostumado. Mas vocês não têm idéia do que é ter que repetir a mesma história todos os dias. Qual era sua profissão?&lt;br /&gt;            -Guia turístico.&lt;br /&gt;            -Ah, então desculpe. Você sabe. Mas como eu estava dizendo, essa divisão foi criada por vocês mesmos, apenas para fins didáticos. O problema é que, como nós não interferimos, foi virando verdade. Sabe como é... Velho Testamento, aquele rapaz, o Dante, todo mundo confirmando essa balela. Aceita um cafezinho?&lt;br /&gt;            -Cafezinho? Quer dizer que a gente ainda sente necessidade de tomar cafezinho, comida, essas coisas?&lt;br /&gt;            -Na verdade, não. Essa do cafezinho era só para dar ares de uma certa etiqueta. Não se ofenda. Não foi com a intenção de zombar. É que certos hábitos são difíceis de largar. Esse do cafezinho é um deles. Depois do almoço, então, junto com um cigarrinho, é quase impossível. Por isso a gente oferece. Ter não tem, mas a gente oferece. Assim o pessoal vai se desabituando aos poucos.&lt;br /&gt;            -Desculpe...&lt;br /&gt;            -Sim.&lt;br /&gt;            -Não, é que você... Posso chamar de você?&lt;br /&gt;            -Do que é que você me chamava antes?&lt;br /&gt;            -Lá embaixo?&lt;br /&gt;            -Não. Vamos chamar de “antes”. Esqueceu que você não está “lá em cima” nem “lá embaixo”?&lt;br /&gt;            -É mesmo!&lt;br /&gt;            -Tudo bem, é o que eu estava falando em relação aos hábitos. Mas vamos lá. Como é que você me chamava?&lt;br /&gt;            -Desculpe de novo, mas primeiro eu preciso saber... Você, ou o Senhor, é o...&lt;br /&gt;            -No escalão? Tá vendo o que eu te falo? Lá vem você com aqueles conceitos bobinhos. Desde que chegou aqui deve estar se perguntando: será que é São Pedro? Mas vestido desse jeito? Ou será que é o Próprio, o Todo- Poderoso? Agora eu pergunto: que diferença vai fazer para você? É pro tratamento? Vou te responder: aqui todo mundo só deve me chamar de honorabilíssimo chefe executivo celeste magnânimo. Repita, por favor.&lt;br /&gt;            -Honora...&lt;br /&gt;            -Chega! É brincadeira, lógico. Me chama de você. Se é que você vai precisar me chamar pra alguma coisa. Agora se você puder me dar licença...&lt;br /&gt;            -Por favor, só mais uma coisa. Uma não, duas. Eu não posso deixar de perguntar.&lt;br /&gt;            -Diga.&lt;br /&gt;            -Você perguntou minha profissão. Não é que eu queira dar uma de desconfiado logo aqui, Deus me livre. Quer dizer, você me livre. Mas... Não era para você já saber, já que você tudo sabe?&lt;br /&gt;            -É vero. Desculpa, é que às vezes eu confundo os idiomas de vocês. É verdade. Tudo sei. Ou deveria tudo saber. Só que na maioria das vezes eu confundo um pouco. Problema é que nós criamos vocês todos muito parecidos: todos à imagem e semelhança da gente. Mas pra te falar a verdade, pouco me importa o que vocês faziam lá embaixo.&lt;br /&gt;            -Como assim? Na profissão?&lt;br /&gt;            -Não, em tudo! Ai, meu Eu! Vou ter que te explicar de novo? Essas histórias de pecado, moral, etc. Tudo coisa da cabeça de vocês! Talvez você não consiga entender. Você já vivia na era de televisão, telefone, Internet. Já ocupava bastante bem a tua cabecinha. Agora tente imaginar na era pré-medieval. Essa gente não tinha mais o que fazer a não ser inventar história!&lt;br /&gt;            -Desculpa mais uma vez. “Estória”, você quis dizer.&lt;br /&gt;            -Não, história, mesmo. Ou você acha que tudo o que você lia nos livros de história acontecia de verdade? O lance é o seguinte: vocês criaram as normas. Desde então fazem um esforço danado para segui-las. Têm conseguido cada vez menos, é verdade. Mas tudo bem. Com isso mantém um grau aceitável de estabilidade cósmica. Já quando a turma chega aqui, descobre que todo o sacrifício foi em vão. Aí é tarde: Inês é (literalmente) morta.&lt;br /&gt;            -Ai, que dor de cabeça! E eu que pensava que ia ficar livre disso aqui! Então só mais uma pergunta: é verdade mesmo? Essa é eterna?&lt;br /&gt;            -Essa o que?&lt;br /&gt;            -Essa vida, uai.&lt;br /&gt;            -Que mané vida é essa que tu tá falando? Pois tu já não acabou de realizar que tu tá morto?&lt;br /&gt;            -Mas...&lt;br /&gt;            -Agora dá uma licencinha que eu tenho mais o que fazer. Vida eterna... Essa é boa! Daqui a pouco vai me perguntar aonde é que estão as nuvenzinhas! Com o preço do gelo seco pela hora da morte! Próximooo!!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-438054872032983709?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/438054872032983709/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=438054872032983709&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/438054872032983709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/438054872032983709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/04/nu-e-cru.html' title='Nu e Cru'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-116777741525668937</id><published>2007-01-02T14:35:00.000-08:00</published><updated>2007-01-02T14:53:53.890-08:00</updated><title type='text'>Da Vida Cruel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em parte pela distância, em parte devido ao fato de estar sem seus óculos, Pedro não conseguia definir se a luz verde que via pela janela do quarto em que estava sentado era ou não proveniente de um semáforo. Apenas supôs, pelo fato do brilho vir do meio da rua, de onde se ouviam carros passando a toda velocidade. Esticou-se, apoiado nos sólidos braços recurvados da poltrona, aguardando que a luz se transformasse primeiro no amarelo e depois no vermelho, quando então teria certeza: tratava-se de um semáforo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Longos minutos se passaram. E nada. Permanecia ali a luzinha verde, impassível. Pedro continuava na dúvida. Havia semáforos em que o sinal verde demorava a se fechar, talvez este fosse um deles, mas será?&lt;br /&gt;Uma hora se passou. E mais uma, duas, três horas. Enquanto o sinal não mudava de cor, Pedro permanecia na sua angustiante incerteza. Várias vezes decidiu que pronto, que não agüentava mais, não devia mesmo ser um semáforo. Mas, ao ameaçar o definitivo mergulho no conforto da poltrona, pensava: e se for agora? Já esperei tanto... Esse sinal há de mudar, e aí terei sido derrotado pela falta de persistência. Vou esperar, só mais um pouquinho.&lt;br /&gt;Pedro, a terceira vítima fatal da luz verde do estacionamento da Rua Augusta será enterrado hoje, no cemitério da Luz Divina, às quatorze horas e trinta minutos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-116777741525668937?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/116777741525668937/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=116777741525668937&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/116777741525668937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/116777741525668937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2007/01/da-vida-cruel.html' title='Da Vida Cruel'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115793736518767650</id><published>2006-09-10T18:10:00.000-07:00</published><updated>2006-09-10T18:16:05.200-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7808/2566/1600/4844011_3592f1be9b.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7808/2566/400/4844011_3592f1be9b.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:180%;"&gt;Um Macaco Fonia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115793736518767650?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115793736518767650/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115793736518767650&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115793736518767650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115793736518767650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/09/um-macaco-fonia.html' title=''/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115793581690159445</id><published>2006-09-10T17:46:00.000-07:00</published><updated>2006-09-10T17:50:16.913-07:00</updated><title type='text'>Parando o Mal-Começado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando iniciei o projeto deste “livro”, havia pelo menos mais outro tanto de histórias e crônicas iguais às já aqui publicadas.&lt;br /&gt;O motivo de eu tê-las colocado na Internet foi menos nobre do que a princípio possa ter parecido.&lt;br /&gt;Sempre me achei um escritor (e daí? Disseram o mesmo ao Paulo Coelho e vejam o que aconteceu: não somente ele, mas o mundo inteiro acreditou!). Além disso, meus conhecidos (vá lá, um ou dois!) me davam força para que escrevesse um livro. E assim o fiz. Resultado: nem meus (dois) incentivadores tiveram o ânimo de lê-lo.&lt;br /&gt;Ainda assim, tive a audácia de levar o tal livro a uma famosa editora paranaense. Para minha total surpresa, o editor, ao abrir o livro na minha frente, não parava de elogiá-lo, dando várias gargalhadas (acredite, pois não tem gente que ri vendo “A Praça é Nossa?”). Começou ali mesmo a negociar o contrato.&lt;br /&gt;Ao retornar para acertar as bases, após alguns dias... Não é que roeu a corda? (aquele ratazana!)&lt;br /&gt;Logo me recuperei do baque. Dois anos e cinco tarjas pretas depois, estava escrevendo novamente, ânimos redobrados.&lt;br /&gt;O resultado desta nova empreitada seria (eu disse “seria”) mostrado todo aqui neste &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;, ao preço de banana nenhuma.&lt;br /&gt;Vejam, no entanto, vocês, a força da Internet! Nesta fábrica de malucos, encontrei uns dois ou três corajosos como vocês, meus caros... posso chamá-los de “fãs”? (deixa, vai!..) leitores.&lt;br /&gt;Criei então novo ímpeto para mostrar meus trabalhos a alguma editora (mas desta vez, uma que demonstre alguma sensibilidade – direi que estou doente e que tenho dezenove filhos na faixa dos trinta anos que dependem de mim pra tudo - não uma murina qualquer!). Então fico devendo a vocês (“indulgentes”, pode?) o resto das minhas bobagens. Enquanto isso, por que não revêem as que já estão aqui?&lt;br /&gt;(Resposta, óbvia: porque têm mais o que fazer!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino este lamento com uma das frases por mim cunhadas (não, burro, não é “uma frase das minhas cunhadas”!) que me faz seguir em frente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu sei que estou sendo reconhecido, só me falta o talento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS.: este &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; provavelmente se reativará após o número de novas decepções abaixo:&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115793581690159445?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115793581690159445/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115793581690159445&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115793581690159445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115793581690159445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/09/parando-o-mal-comeado.html' title='Parando o Mal-Começado'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115730579281124777</id><published>2006-09-03T10:46:00.000-07:00</published><updated>2006-09-03T10:49:52.823-07:00</updated><title type='text'>Pois Ias ao Léo</title><content type='html'>DI VINO VERITAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Talvez cansado do estilo pós-barroco&lt;br /&gt;            Dormi sentado no banco da igreja&lt;br /&gt;            Sonhei que era o santo do pau oco&lt;br /&gt;            Quem sabe é assim que Deus me veja&lt;br /&gt;            Em meio às trevas, intrépido, olhar brilhante&lt;br /&gt;            Entalhado na madeira cor cereja     &lt;br /&gt;            Acordei pálido, entrevado e trepidante&lt;br /&gt;            Isso é que dá um sujeito ignorante&lt;br /&gt;            Misturar vinho espumante com cerveja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            DIABÓLICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A fina fera do meu desiderato&lt;br /&gt;            Habitué de gestos desumanos&lt;br /&gt;            Quem sabe toma-me por Nosferatu&lt;br /&gt;            Quando crava a estaca no meu peito&lt;br /&gt;            Não quer saber por onde correm os canos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115730579281124777?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115730579281124777/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115730579281124777&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115730579281124777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115730579281124777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/09/pois-ias-ao-lo.html' title='Pois Ias ao Léo'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115664044069223944</id><published>2006-08-26T17:57:00.000-07:00</published><updated>2006-08-26T18:00:40.706-07:00</updated><title type='text'>Esporte Brutão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O novo esporte é muito simples. Onze jogadores para cada lado. Muitos desses onze não precisam nem ser realmente jogadores. Podem ser arregimentadas pessoas mais qualificadas para serem bancários, advogados, técnicos em computação ou, o que é mais freqüente, que não tenham vocação para mais nada. O que importa é que caibam nas camisas dos seus times sem grande dificuldade. Entalou, nada feito. Um dos jogadores é o goleiro, que deverá ter o seu equilíbrio emocional avaliado. Caso seja considerado saudável emocionalmente, outro jogador deverá ser escolhido para a posição. Para os jogadores restantes, pede-se apenas que evitem manifestações exageradas de amizade com os participantes do time adversário, o que pode levantar suspeitas. Para os do mesmo time a coisa é diferente. Porém convém ao bom senso evitar a retirada de mais de cinco peças de roupa na comemoração do gol (incluídos todos os jogadores do bolo, bem entendido).&lt;br /&gt;            Um dos participantes deve estar vestido de preto. Como alternativa, de cor de rosa com bolinhas azuis em degradê e rendilhado na cintura. Este é o responsável pela manutenção da disciplina e pelo cumprimento das regras. Se bem que há estudos em andamento mostrando que o evento transcorre muito melhor na sua ausência. Não importa. Condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; (vide glossário) é que a sua genitora seja famosa por manter conduta ilibada (vide glossário novamente). Será sempre auxiliado por mais dois profissionais vestidos no mesmo modelito, cada qual com sua bandeira de cores diferentes. Muito embora possam mostrar nítida preferência pelo time do lado contrário, as bandeiras não devem estampar preferências clubísticas de forma descarada.&lt;br /&gt;            Empresários devem ficar ao lado das quatro linhas, tratando de negociar os jogadores para outro time a cada gol surgido. Porém, para o bom andamento do espetáculo, a troca só deverá ser realizada após o término das partidas. A preferência deve ser dada a times rivais da mesma competição.&lt;br /&gt;            Quanto à freqüência das torcidas, estas deverão ser terminantemente proibidas de participar diretamente do espetáculo. Exceção feita aos empresários já mencionados (que poderão ocupar até metade dos lugares existentes), dirigentes e seus amigos e familiares (que nesse caso são a mesma coisa), e cerca de dez a vinte desocupados para cada time. A única exigência para estes últimos é que gritem e pulem, fazendo caretas a cada lance do jogo, e que a cada quarto de partida virem em direção ao campo para se certificarem de que o jogo não acabou.&lt;br /&gt;            Por algum motivo já esquecido no tempo, o campo deve ser da cor verde. A proporção de areia, terra, estrume, cachorros e quero-queros não deve ultrapassar cinqüenta por cento da sua extensão. Alguma deformidade de superfície, porém, deve ser assegurada para servir como segunda desculpa-padrão (desculpas-padrão: vide anexo, 4º. Parágrafo, alínea c).&lt;br /&gt;            Ah, e a bola. Já íamos esquecendo da bola. Apesar de não possuir formato adequado para esta prática desportiva, insistimos em mantê-la assim. Continuamos dessa forma com a esperança de que um dia a maioria dos participantes saibam o que fazer com ela. Até lá é continuar endeusando a meia-dúzia que aprendeu a usá-la.&lt;br /&gt;            A transmissão ficará a cargo das TVs pagas (cabos e satélites), que cobrarão a módica importância de até 3 vezes o valor da mensalidade da referida TV. Além disso, poderão auferir grande parte da propaganda das placas e camisas, além de incluir durante a transmissão tantas propagandas quanto forem necessárias. Sabemos que o montante arrecadado é pequeno, mas outras sutis formas de merchandising estão sendo criadas...&lt;br /&gt;            As entrevistas com os jogadores devem incluir assuntos mais palpitantes para o telespectador, como por exemplo a movimentação da bolsa de valores, física quântica ou psicologia aplicada. O áudio deverá ser imediatamente cortado caso se pronunciem as palavras : grupo, unido, professor, “ tadeparabéns”, tudo e faremos (em qualquer ordem).&lt;br /&gt;            As regras do jogo: avança-se com a pelota (bola, na intimidade), evitando os adversários, até que se consiga introduzi-la no gol. Pronto. Só isso. É verdade! É só isso mesmo! O que, não gostou? Está bem, então é o seguinte: no clássico esquema 4:4:2 os alas avançam alternadamente, enquanto o médio-volante sobe ocasionalmente não descuidando da cobertura à zaga. Já no 4:3:3, mais ousado, o quarto-zagueiro blá, blá, blá...                    &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115664044069223944?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115664044069223944/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115664044069223944&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115664044069223944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115664044069223944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/08/esporte-bruto.html' title='Esporte Brutão'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115610967364132825</id><published>2006-08-20T14:32:00.000-07:00</published><updated>2006-08-20T14:34:33.673-07:00</updated><title type='text'>Mal Uma Orada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Devotadamente, o menino da roça começou a rezar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Palhoça que tá no céu&lt;br /&gt;            Monte de gado deixa nossos hóme&lt;br /&gt;            Minha nossa, eu posso mêmo&lt;br /&gt;            Dessa feita eu tô com vontade&lt;br /&gt;            Vendinha da serra, eu como pastel&lt;br /&gt;            O pão nosso é da padaria&lt;br /&gt;            Mas é longe&lt;br /&gt;            Pedro vai, com a sua licença&lt;br /&gt;            Assim como vai todo ano&lt;br /&gt;            Mas quem que não tem um fidido&lt;br /&gt;            E não vô mexê na minha criação&lt;br /&gt;            Vai bichá a do Durval&lt;br /&gt;            Nem vem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Já na missa, aquele PM trocou tudo. Mas por preocupação, mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Até a Maria&lt;br /&gt;            Veio na praça&lt;br /&gt;            O maior alvoroço&lt;br /&gt;            Agitam as avós, batendo talheres&lt;br /&gt;            Vem Tito, tá puto. Quem é que não sente? Sem luz!&lt;br /&gt;            Junta a Maria&lt;br /&gt;            Santo Deus!&lt;br /&gt;            Não vai levar nossos tambores!&lt;br /&gt;            Lá fora a patrulha não tá dando sorte&lt;br /&gt;            Também!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115610967364132825?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115610967364132825/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115610967364132825&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115610967364132825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115610967364132825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/08/mal-uma-orada.html' title='Mal Uma Orada'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115550887572432379</id><published>2006-08-13T15:39:00.000-07:00</published><updated>2006-08-13T15:41:15.743-07:00</updated><title type='text'>Teste do Banquinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tem o teste de popularidade. Muito comum no interior ou nos bairros das cidades maiores. O sujeito se planta num banquinho (ou para os menos sofisticados, no degrau) na porta do bar ou lanchonete, e fica acenando para os transeuntes. Tem que ser num lugar onde passe grande número de pessoas. De preferência com trânsito variado: pedestres, carros, ônibus, motos, bicicletas, carroças. Vale tudo. Ganha quem receber mais cumprimentos. Como o negócio está ficando com cara de competição oficial, vale a pena observar algumas regras para evitar roubalheira.&lt;br /&gt;            O valor do cumprimentado, por exemplo. O ideal seria  criar uma tabela. Pode ser por valor do veículo do cumprimentado ou pela importância do mesmo. Um prefeito valeria mais do que um office-boy, mesmo que a pé. Claro que polêmicas surgirão, como em qualquer jogo. O que vale mais, um cirurgião-dentista ou um delegado? Um professor vale mais do que um sargento? Sugiro que estas difíceis decisões sejam tomadas pelo Grande Juiz, o dono do bar. Enquanto se decide, desce duas bem geladas...&lt;br /&gt;            Tipo de aceno também deve ser motivo de maior ou menor pontuação. Obviamente que uma leve queda da cabeça vale menos que uma levantada de mão (ainda mais se acompanhada da levantada da cabeça). Um “opa” vale muito menos do que um “boa tarde, como é que vai”. Agora, parou para conversar, não tem pontuação extra, portanto nem dê muita bola. &lt;br /&gt;            O requisito para uma boa competição é a necessidade de que os outros participantes fiquem de costas para o cumprimentante, para evitar o viés de aferição (não, porque se é para fazer a coisa séria, vamos fazê-la). Outro problema a ser evitado é o viés de confundimento, que é quando o sujeito cumprimenta o participante achando que é outra pessoa. Não vale. Mais polêmica. Manda uns amendoinzinhos.&lt;br /&gt;            O “fora” desclassifica da competição naquele dia. Consiste no aceno do competidor (mais ou menos explícito, não importa) e não obtenção de resposta. Se o cumprimentado fizer cara de “que que é isso, tá louco?”, o gancho é para toda a temporada. Nunca se sabe, sempre tem os espertinhos...&lt;br /&gt;A premiação também fica a cargo do dono do bar, maior beneficiado. Poderíamos dizer que é o “cartola” do jogo. Pode ser uma porção extra de queijo no palito ou uma prorrogada no fiado. Mas cuidado. Como ele pode ter interesses escusos, vale a pena uma conferida na idoneidade do camarada. Caso a mesa de bilhar seja novinha em folha, desconfie. Paninho de estopa também: pintou Perfex, nada feito.&lt;br /&gt;            Último detalhe: as regras acima são sigilosas, de acesso proibido aos não-participantes. Conheço uns estraga-prazeres que deixariam de cumprimentar o próprio irmão no banquinho só para sacanear o coitado. Ou, o que é pior, por causa de meia-dúzia de polentinha frita.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115550887572432379?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115550887572432379/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115550887572432379&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115550887572432379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115550887572432379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/08/teste-do-banquinho.html' title='Teste do Banquinho'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115489143333916610</id><published>2006-08-06T12:09:00.000-07:00</published><updated>2006-08-06T12:10:33.353-07:00</updated><title type='text'>À Francesa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não me chame, não me chame, por favor!&lt;br /&gt;            - Para falar da Revolução Francesa, vamos ver...&lt;br /&gt; Ainda não tive tempo de decorar a matéria. Vou ficar bem quietinha. Se bem que a Meiriele me disse que se a gente não quer ser chamada...&lt;br /&gt;            -... tem que fazer o contrário: ficar bem à mostra.&lt;br /&gt;            - O que foi, Maria Gorete?&lt;br /&gt;            - Nada, professora.&lt;br /&gt;            Eu e essa minha mania de falar em voz alta o que eu estou pensando... Espero que não seja tarde.&lt;br /&gt;            - Maria Gorete, aproveitando a deixa, você poderia vir aqui na frente nos explicar sobre a Revolução Francesa?&lt;br /&gt;            Ai, meu Deus. Me ferrei. Logo hoje, que eu estou quase menstruada! Vai ficar todo mundo de olho nos meus peitões. Não falei? Olha ali a cara do Luis Fernando. Parece peixe na feira. E a Cicinha, então. Sempre com esse sorriso na cara. Tá rindo de quê, ô bobona? Lógico, não foi você que...&lt;br /&gt;            -... foi chamada.&lt;br /&gt;            - O que é que tem a chamada?&lt;br /&gt;            - Não, nada. Bom, a Revolução Francesa. A Revolução Francesa foi um movimento...&lt;br /&gt;            Movimento do que, mesmo? De rebolado é que não foi. Movimento do povo contra o poder do regime. Regime, regime... Será que eu já perdi peso essa semana? Já deixei de comer dois sonhos de valsa. Andar já vai ser mais difícil, ando mesmo só é com uma tremenda preguiça. Se concentra, infeliz. Regime abso... Absotu... Absolutista. Isso aí...&lt;br /&gt;            - Absolutista!&lt;br /&gt;            - O que?&lt;br /&gt;            - Absolutista, o regime que o povo foi contra na Revolução. O rei...&lt;br /&gt;            José, Jair, João, Prometeu, Aguinaldo. Ô diabo, como é o nome do tal do rei? Joaquim, Januário. Acho que começa com D. Não, com L. Lucas, Luis. É isso!&lt;br /&gt;            - Luis ...&lt;br /&gt;            Dez, doze, dezenove, quatorze. Não, dezesseis.&lt;br /&gt;            - Luis XVI. O rei que o povo era contra. Os camponeses e o povo pobre da cidade se juntaram para derrubar o regime do Luis XVI. Baseados na filosofia iluminista.&lt;br /&gt;            Seja lá o que isso signifique. Vamos em frente. Será que eles estão percebendo o quanto eu estou nervosa? Tira o olho daqui, desgraçado. Tem o negócio da pastilha. Queda das pastilhas. Da Bastilha. É Bastilha, mesmo? Peraí, Castilha é o nome da avó da Crica. Que por sinal...&lt;br /&gt;            -... caiu na banheira.&lt;br /&gt;            - Quem caiu na banheira, Maria Gorete?&lt;br /&gt;            - Ninguém. Bastilha. A queda da Bastilha, 1978. Não, 1789.&lt;br /&gt;            Desgraçados. Todo mundo se matando de rir. Deixe estar, jacaré. A partir de hoje eu fico livre dessa droga de história nesse semestre. Aí é só sentar e dar risada. Espere a minha vez, Cicinha. Tira o olho, bobão.&lt;br /&gt;            - Com a queda da Bastilha, o povo tomou o poder da mão do rei absolutista, que governava em causa própria e de uma minoria.&lt;br /&gt;            Mandei bem nessa frase, nem eu sei de onde é que eu tirei isso. Tá faltando aquela coisa do culote. Por falar em culote, por que será que a Janete tá olhando para as minhas pernas? Será que tem alguma coisa errada? E o Tarciso, não para de olhar as horas. Ai, meu Jesus, que tortura isso. Será que a Joana D’Arc passou por isso...&lt;br /&gt;            - ...no tempo da Inquisição?&lt;br /&gt;            - Inquisição?&lt;br /&gt;            - Não. Eu quis dizer...&lt;br /&gt;            Quis dizer o que, como é que a Inquisição entrou agora nessa história? Ah, é. Joana D’Arc. Aonde é que eu estava mesmo? Bastilha. Não, culote. Sans-Culotte. Isso.&lt;br /&gt;            - Sans-culotte. Os pobres das cidades francesas. Ajudaram a tomar o poder. Foi então que criaram a Declaração dos Direitos do Homem, que marcou o início da idade contemporânea. Tira o olho!&lt;br /&gt;            - Como?&lt;br /&gt;            - Nada ! E viveram felizes para sempre.&lt;br /&gt;            Ai, ai. Que porcaria é essa? Felizes para sempre é coisa de novela. Pode rir, pessoal. Pelo menos a professora... O que, também tá rindo? Aí já é demais. Será que ela não sabe que é contra os direitos do homem? Vou falar com o pai. Vou processar. A não ser que ela me dê uma boa nota.&lt;br /&gt;            - Um nove já está bom.&lt;br /&gt;            O que? Quem falou isso? Fui eu ou foi ela?&lt;br /&gt;            - O que você acha, Maria Gorete?&lt;br /&gt;            - Hein? Nove? Tá ótimo.&lt;br /&gt;            - Que nove? Quem falou em nove? Perguntei para você o que você acha que modificou após a Revolução no regime feudal existente na época?&lt;br /&gt;            Ai, meu Deus, não acabou essa tortura? Como é que eu vou saber isso? Quando é que esse sinal vai tocar? Pára de rir, ô bobona. Tira o olho, seu tarado! Vou processar! Vou processar...         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115489143333916610?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115489143333916610/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115489143333916610&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115489143333916610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115489143333916610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/08/francesa.html' title='À Francesa'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115429043422138451</id><published>2006-07-30T13:09:00.000-07:00</published><updated>2006-07-30T13:13:54.233-07:00</updated><title type='text'>Haxix's</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            -Boa tarde.&lt;br /&gt;            -Boa tarde.&lt;br /&gt;            -Qual é o pedido?&lt;br /&gt;            -O que é que tem?&lt;br /&gt;            -Bom, tem pastel, tem kibe, tem...&lt;br /&gt;            -Tem esfiha?&lt;br /&gt;            -Tem.&lt;br /&gt;            -De quê?&lt;br /&gt;            -De carne...&lt;br /&gt;            -Então eu quero uma de carne.&lt;br /&gt;            -Uma de carne...&lt;br /&gt;            -Me vê mais uma de carne!&lt;br /&gt;            -Mais uma de carne. Então são duas de carne...&lt;br /&gt;            -De quê mais que tem?&lt;br /&gt;            -Tem de frango, de...&lt;br /&gt;            -Tem de queijo?&lt;br /&gt;            -Tem.&lt;br /&gt;            -Não, obrigado. Detesto de queijo. Do que mais que tem?&lt;br /&gt;            -De frango, de...&lt;br /&gt;            -De frango é boa?&lt;br /&gt;            -Depende, senhor. Tem gente que gosta...&lt;br /&gt;            -Me vê então mais uma... De carne.&lt;br /&gt;            -De carne? São três de carne e uma de frango?&lt;br /&gt;            -Quem falou em frango?&lt;br /&gt;            -Desculpe, senhor. Achei que o senhor tivesse perguntado se a de frango era boa...&lt;br /&gt;            -Só perguntei. Não pedi.&lt;br /&gt;            -Então são só três de carne?&lt;br /&gt;            -Até agora, só. O que mais que tem?&lt;br /&gt;            -Tem pastel, kibe...&lt;br /&gt;            -Não! De esfiha. Do que mais que tem?&lt;br /&gt;            -Deixa eu ver. Tem...&lt;br /&gt;            -Tem de calabreza?&lt;br /&gt;            -De calabreza, não.&lt;br /&gt;            -De espinafre?&lt;br /&gt;            -Também não.&lt;br /&gt;            -Tem doce?&lt;br /&gt;            -Tem. Tem doce sírio, tem mousse de chocolate...&lt;br /&gt;            -Não. Esfiha doce! Não tem?&lt;br /&gt;            -Não (ai, meu Deus), esfiha doce não tem.&lt;br /&gt;            -Então me dá mais uma de carne.&lt;br /&gt;            -MAIS uma de CARNE??&lt;br /&gt;            -É.      &lt;br /&gt;            -São então... Quatro de carne no total?&lt;br /&gt;            -Que total?&lt;br /&gt;            -No total. Total do pedido!&lt;br /&gt;            -Quer dizer então que você já está fechando o pedido?&lt;br /&gt;            -Eu não, senhor. Tem mais alguma coisa que o senhor deseja?&lt;br /&gt;            -Tem doce?&lt;br /&gt;            -Meu senhor, eu já lhe expliquei que NÃO tem DOCE!!&lt;br /&gt;            -Mas agora há pouco você me falou que tinha!...&lt;br /&gt;            -Ah, o senhor está falando sobre o doce da sobremesa, agora (rrrr)??&lt;br /&gt;            -Sim, que doce seria?&lt;br /&gt;            -Seria o doce da esfiha!! Esfiha doce!! Não foi isso que o senhor me pediu?&lt;br /&gt;            -Foi sim. Ué, agora tem?&lt;br /&gt;            -NÃÃO!!! Desculpe... Não, senhor, não tem.&lt;br /&gt;            -Mas doce sírio tem?&lt;br /&gt;            -Tem. Quantos o senhor vai querer?&lt;br /&gt;            -Nenhum.&lt;br /&gt;            -(Eu já devia saber!). SÓ isso, senhor?&lt;br /&gt;            -Só.&lt;br /&gt;            -São 3 reais.&lt;br /&gt;            -3 reais? Subiu?&lt;br /&gt;            -Subiu.&lt;br /&gt;            -Que droga! Então, deixa. Me vê só uma.&lt;br /&gt;            -Só uma de carne, senhor?&lt;br /&gt;            -Não. De frango.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115429043422138451?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115429043422138451/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115429043422138451&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115429043422138451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115429043422138451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/07/haxixs.html' title='Haxix&apos;s'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115368999412374717</id><published>2006-07-23T14:24:00.000-07:00</published><updated>2006-07-23T14:26:34.136-07:00</updated><title type='text'>Bula</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cada comprimido de Kimedal contém 10 gramas (e uma pequena quantidade de mato) de mentirona. A mentirona é um derivado sardônico da N-mentiu-L-desassentiu-aparato de semolina. A mentirona é uma nova mer..., isto é, droga da família das neofalácias (apesar de muitos componentes desta família aparentemente nunca terem ouvido falar dela), com propriedades antiinflamatórias, antiácidas, antiestéticas e antiderrapantes.&lt;br /&gt; Seu mecanismo de ação se dá através da inibição de vários processos orgânicos, sendo o principal deles a inibição social, que faz com que o indivíduo isole-se em seu domicílio, evitando o contato com pessoas portadoras de doenças tão perigosas que vivem circulando por aí. A absorção é extremamente rápida, portanto localize a poltrona mais próxima quando a estiver ingerindo. Os comprimidos se dispersam no estômago, devendo se encontrar cerca de 6 horas depois no intestino delgado, onde sugere-se que sejam afixados avisos com letras garrafais para aqueles que costumam se atrasar em conversas fiadas próximo ao pâncreas ou na entrada da vesícula biliar.&lt;br /&gt; Sua biodisponibilidade é de cerca de 30 dias em cima da geladeira e de 20 dias em cima da pia da cozinha. Caso você demore mais do que este tempo para tomá-la, não vai mais encontrá-la disponível, afinal ela não vai ficar dando esse mole todo pra você.&lt;br /&gt;A ingestão de alimentos não influencia de forma significativa a absorção da mentirona, exceto quando se ingere num mesmo momento pizza de repolho roxo e batata frita de lanchonete da esquina, nessa ordem. A mentirona é metabolizada pelo sistema citocromo P450 versão 2.0 para Windows, deixando o fígado livre para tarefas mais importantes. O metabolismo da mentirona não é alterado em idosos (dos 71 aos 80 anos. Acima desta idade não temos certeza, visto que o único paciente com mais de 80 que iria tomar o medicamento passou desta para a melhor no exato momento em que concordou com o estudo, deixando onze filhos, trinta e quatro netos e a cadela Laika, que se recusou de forma veemente a participar das pesquisas, talvez imaginando que o falecimento do seu dono estivesse relacionado com o remédio).&lt;br /&gt;            Kimedal está até o momento indicado para o tratamento oftálmico, anal ou de qualquer outra região que possua um olho. Já há também uma indicação não confirmada para o prêmio de melhor combinação de cores da caixinha no Festival Anual dos Criadores de Design de Caixa de Medicamentos, a ser realizado em alguma bela cidade litorânea ainda a ser designada.&lt;br /&gt;            Testes “in vitro” não têm demonstrado qualquer efeito colateral, a não ser a formação de uma grande mancha multicolorida nos vidros em que foi aplicada, em alguns casos originando figuras curiosas, que muitos juram ter semelhança com uma santa com as mãos postas. Nos testes “in vivo” os efeitos são ainda mais interessantes. Foram notados: arregaloftalmia (olhos arregalados), estomatoptose (boca definitivamente aberta), ataquicardíaco (coração gravemente acelerado), sudorese (suor excessivo) e maionese (suor típico dos meses de maio ou de freqüentadores de churrascarias), notadamente no momento da entrega da cestinha ao sorridente caixa da farmácia. Sintomas estes prontamente aliviados com o financiamento em seis vezes no cartão ou com a suspensão da compra do medicamento.&lt;br /&gt; Testes “in mortos” não demonstraram qualquer problema, talvez devido ao fato de não se ter conseguido abrir a boca rígida dos indivíduos testados. Testes em animais de laboratório (antílopes, girafas e pequenos pandas em risco de extinção) mostraram que eles ainda continuam sem capacidade intelectual para abrir os frascos de medicamentos, o que inviabilizou qualquer conclusão definitiva.&lt;br /&gt;            Este medicamento é contra-indicado para qualquer paciente que tenha capacidade de entender esta bula ou que possua bons advogados. Uma vez que não existem estudos adequados sobre a reprodução humana e uso do Kimedal, adolescentes em fase de namoro no sofá da sala depois da sessão coruja devem ser rigorosamente observados. Mulheres com suspeita de gravidez devem ser evitadas, a não ser que você queira entrar no rol do teste de DNA. A amamentação não contra-indica o uso do Kimedal. Apenas tenha certeza de que o lactente engoliu o comprimidinho durante as mamadas.&lt;br /&gt;            Em caso de superdosagem o paciente deve ser imediatamente colocado em recipiente de madeira com belos entalhes na parte externa e um vidrinho retangular nas imediações do rosto para que seus parentes e amigos possam homenageá-lo.&lt;br /&gt;            Advertência: Todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças, exceto obviamente quando o remédio destina-se a elas, quando então poderão chegar um pouco mais perto, e talvez até tomá-lo. Evite também ir ao cinema assistir qualquer filme estrelado pelo Kevin Costner, mesmo que não tenha nada melhor para fazer.&lt;br /&gt; Não tome remédio sem o conhecimento de seu médico. Como provavelmente ele não tem muito tempo para conhecer muitos remédios, o melhor mesmo é pegar umas dicas com um bom balconista da farmácia.&lt;br /&gt;            Este é um novo produto, e embora cerca de duas e meia pesquisas tenham atestado a sua eficiência e segurança, podem ocorrer reações ainda não conhecidas. Não se acanhe, apresente-se a elas. Em caso de suspeita de reação adversa, o médico responsável deve ser notificado. Notificado só não, deve ser preso mesmo no ato, para aprender a não receitar coisas tão perigosas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115368999412374717?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115368999412374717/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115368999412374717&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115368999412374717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115368999412374717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/07/bula.html' title='Bula'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115306791951610974</id><published>2006-07-16T09:35:00.000-07:00</published><updated>2006-07-16T09:40:07.633-07:00</updated><title type='text'>Um Macaco Fonia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Observação: esta é uma história que não segue nenhum tradicional quesito. Exceto os do próprio autor, que é um tanto ex-quesito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Camba, ilhota situada ao sul do Mar Ijuana, é um lugar sui generis. Não obstante uma feliz cidade, alguém demente sandice que nunca moraria lá. Coisas estranhas vivem acontecendo. Um diagrama é verde. Noutro dia talagada. Declaro apenas o mar desse local lendário. Quem tenta entender a conversa dos habitantes janota algo estranho:&lt;br /&gt;Benjamin (às criancinhas): Que couve destilado da ilha?&lt;br /&gt;Escaravelho (agora um cara novo): Não sei, canso divergente aqui computador...&lt;br /&gt;Benjamin: Seria por causa desta grande pedra?&lt;br /&gt;Escaravelho: Pode ser, muita gente escorregadela.&lt;br /&gt;Benjamin (já esquecido das criancinhas): Por isso tanta gente acamada...&lt;br /&gt;Cabo Tino (chegando): De que camada vocês estão falando?&lt;br /&gt;Benjamin: Dessa pedra aqui. Só é segura na parte grossa. Mas todos se dirigem parafina. Eu, por exemplo, toda vez que ando lacaio. Não há um que não furibunda. Há inclusive um depauperado, o Rolando Rocha. Já foi em costado. Antes ninguém dava a aposentadoria. Agora baseado numa lei já dão. Dizem até que a companheira...&lt;br /&gt;Escaravelho: Consorte...&lt;br /&gt;Benjamin (afastando as criancinhas): Isto. Com sorte ainda consegue que de alguma forma deleite. Pobre Rolando. Logo ele, que costumava até filarmônica...&lt;br /&gt;Cabo Tino: Bem que sentinela alguma disfarçada tristeza. Se bem que aquela até meu manufatura. Não soldado a comentários maldosos, mas sempre senti que Mônica tem jeito divulgar. Sabe aquele ator famoso?&lt;br /&gt;Benjamin: Qual, o ator Doado? Casado com aquela atriz, Tonha?&lt;br /&gt;Cabo Tino: Não, o ator Mentado! Dizem que com ele também. Aliás, ela não pode ver um astrolábio que já quer beijar...&lt;br /&gt;Benjamin (pensativo): É consentimento que ouço tudo isso. Apesar dessa moça viver concílio postiço, é muito bonitinha. Ainda nem se verruga no rosto dela. Não viu maestria. Nem espinha, nem ex-cravo. Vai ver é por isso que a turma...&lt;br /&gt;Escaravelho (totalmente fora de si): Espera lá. De turma, também não! Aí já é exagero! Quando é só um, ela faz de tudo. Mas se chega a bando, nada! Essa é boa!&lt;br /&gt;E saiu falando sozinho:&lt;br /&gt;- Um a um tudo bem! Mas turba...&lt;br /&gt;Um anão que passava pelas redondezas, se assustou:&lt;br /&gt;-O nanismo é pecado?&lt;br /&gt;Benjamin para o Cabo Tino: É rapaz, pelo jeito alguém continua a mala...&lt;br /&gt;Chega o Louro.&lt;br /&gt;Louro: E aí? Ninguém mais aparece, ninguém mais me liga...&lt;br /&gt;Cabo Tino: Mentira. Eu desde que te vitiligo. Você é que não atende.&lt;br /&gt;Louro: Tá bom, tá bom. Sobre o que vocês estavam falando?&lt;br /&gt;Benjamin (disfarçando): Sobre acidente aqui na ilha.&lt;br /&gt;Louro: Ah, se dente é a questão, é só falar com o meu avô.&lt;br /&gt;Cabo Tino: Quem, o seu vô calista?&lt;br /&gt;Louro: Não, o meu vô dentista, e vi dente! O que concorreu a prefeito, mas é ruim devoto.&lt;br /&gt;Benjamin (maldosamente): Aquele que não atende boca mole, só mexe embocadura? Aquele quibebe, pega o carro e sai a catapulta por aí?&lt;br /&gt;Louro: Também não é assim, Benjamin! Tá vendo? Você fica falando dos outros desse jeito, depois não sabe por que o pessoal tigela! Tô falando do meu vô, poxa! O pai de quem megera! Eu não devia mais falar com você, depois de tudo que tem tumefeito!&lt;br /&gt;Benjamin: Tá bom, desculpa. Não falei por mal. É que todos na ilha já sabem de corado onde resolver seus problemas. Sedentário, só pode ser com seu avô. Com a vantagem de que fez o juramento e ainda tanajura. Ele nem discute provento!&lt;br /&gt;Louro: Pra falar a verdade, já anda discutindo convento, sim. Também, tá com 78 anos! Anda ficando perigoso sair de casa com o velho. Já disse lá pra mãe: quer deixar o velho sair a pé, deixa. Macarronada! Mês passado passou assim das árvores! Não consegue nem mais vergalhão! Qualquer dia, vamos ter que usar a padecimento, coitado.&lt;br /&gt;Benjamin: Falar nisso, vocês viram que coisa absurda essa nova lei? O próprio sujeito que vai usar o tu mulo vai ter que cavalo.&lt;br /&gt;Cabo Tino: Achei absurdo, mascavo. É triste que morra, masmorra decentemente. Daqui a pouco vão obrigar a embalsamar.&lt;br /&gt;Benjamin: Falando em balsa ao mar, lá vem o polaco! Esse sempre foi moleza domar. Se pudesse no marmoraria.&lt;br /&gt;Cabo Tino: E não sabe que já andou memorando mesmo?&lt;br /&gt;Benjamin: É um marista. Equivalente!&lt;br /&gt;Cabo Tino: O problema é a asma do polaco. Vive no marasmático.&lt;br /&gt;Benjamin: É mesmo. E já diz o ditado: “Miasma tu asma”.&lt;br /&gt;Louro (tirando meleca do nariz): Sorte que é bom pescador!&lt;br /&gt;Benjamin: Eca, louro!&lt;br /&gt;Louro: Não, é veterano. Olha que de marmanjo!&lt;br /&gt;E para o polaco:&lt;br /&gt;-E aí, polaco? O que é que trouxe da pescaria? Aceita escambo?&lt;br /&gt;Polaco: Aceito o escambau! Se algodão, algo dou em troca. E temporada de coisa aqui. Tem até siri.&lt;br /&gt;Louro (agora tirando da mochila uma flauta): Quer trocar a flauta pelo siri?&lt;br /&gt;Polaco: Não, no sirigaita. Pela flauta te dou o polvorosa.&lt;br /&gt;Benjamin e Cabo Tino (rindo): Esse sotaque do polaco...&lt;br /&gt;Polaco: Eu sei, é engraçado. Vai ver é por isso que todo mundo no mercadoria quando eu passava. Até quem tava no cantoria.&lt;br /&gt;Louro: Escuta polaco, não tem aí provocação?&lt;br /&gt;Polaco: Não, cação tá em falta. Mas pro vô tem...&lt;br /&gt;Cabo Tino: Ei, que cheiro de gás é esse?&lt;br /&gt;Benjamin: É o mau metano da vizinhança. Vive tomando chá-mate. É um chamativo. Não tá vendo que caracu?&lt;br /&gt;Cabo Tino: Caraoquê?&lt;br /&gt;Louro: Caramba!&lt;br /&gt;Polaco: Carambola! Escuta, e pôster, ninguém vai querer comprar?&lt;br /&gt;Louro: O que tem no pôster? Mulher pelada? Algo que motive?&lt;br /&gt;Polaco: Não, no postergado.&lt;br /&gt;Louro (perdendo o interesse): Ah!... Isso nem louco motiva.&lt;br /&gt;Polaco: Então com precaução.&lt;br /&gt;Louro: Não, obrigado, calção já tenho.&lt;br /&gt;Benjamin: Olha lá, pessoal! O futucar, o carro do futuro. Viram como passou rápido? Que fugacidade!&lt;br /&gt;Cabo Tino: Eu só violento passando. E na fuga à roça, pelo jeito...&lt;br /&gt;Louro: Pessoal da roça cansou da vidinha. Agora para eles só interessa servidão. A vida laqueadura! Carroça do jeito que tá, vamos ter que viver só de pescado.&lt;br /&gt;Polaco: Oba!&lt;br /&gt;Benjamin: Chega de conversa, pessoal. Não esqueçam que aqui eu é que sou o “boss”, tá bom?&lt;br /&gt;Cabo Tino: Já sabia: mostarda mas não falha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: “Em cabelo de Medusa nada dá jeito, a não ser pente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                  Marfim &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115306791951610974?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115306791951610974/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115306791951610974&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115306791951610974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115306791951610974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/07/um-macaco-fonia.html' title='Um Macaco Fonia'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115248218893279588</id><published>2006-07-09T14:54:00.000-07:00</published><updated>2006-07-09T14:58:44.116-07:00</updated><title type='text'>Pausa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se você não está gostando do que está lendo aqui, não me culpe. Eu não tenho nada a ver com isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade. Estou falando dele. O meu verdadeiro eu. Sim, porque eu já não tenho a menor idéia de quem ele (ou eu) seja.&lt;br /&gt;Essa confusão começou no berço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No relacionamento com a minha linda mamãe, que eu suspeitava claramente incestuoso, emergiram sérios conflitos entre meu ego em formação e meu id, já muito libidinoso. Pronto. Eu já não era mais o eu original. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir do meu primeiro ano de vida então, tudo piorou. Meu complexo edipiano era de tal complexidade, que meu pai, desconfiado, por via das dúvidas resolveu sumir com os alfinetes de fralda lá de casa.&lt;br /&gt;O que se seguiu foi uma bola de neve de influências ambientais e hormonais que levou minha preciosa carga genética ladeira abaixo. Mas eu sobrevivi... Será mesmo? Quanto ainda há de só meu nessa lama gelada que restou?&lt;br /&gt;Peraí. Quem falou em lama? Não estou dizendo? Eu aqui, no maior esforço auto-psicanalítico, tentando humildemente aliviar a minha barra, e já estão a jogar o meu pobre eu na lama...&lt;br /&gt;Mas tudo bem. É assim mesmo quando o sujeito é desprovido de grandes qualidades. Eu mesmo sempre propus que me deixassem quieto. Que pulassem esta minha geração. Eu ia ficar ali, num cantinho, sem fazer muito barulho, somente elogiando as grandes realizações dos meus pais (exceto, é lógico, essa minha pobre pessoa) e dando uma tremenda força na labuta dos meus filhos e sobrinhos.&lt;br /&gt;A idéia de início encontrou alguma relutância, mas nada como ser insistente. Após cerca de trinta anos tentando, finalmente perceberam que eu falava sério do alto do meu colchão de afundadas molas. Restava uma preocupação: tanta meditação e falta de exercício não teria desenrolado totalmente meu DNA? O que eu teria de aproveitável para passar para meus possíveis descendentes?&lt;br /&gt;Eles é que pensavam que eu não me exercitava! Desde a pré-adolescência, na calada da noite e na lacônica das manhãs e tardes, eu agia de maneira totalmente instintiva, preocupado com as futuras gerações, dando conta de eliminar uma boa quantidade de duplas hélices, pelo menos umas três vezes ao dia. Era tanta dupla hélice que cogitei montar uma indústria de helicóptero. Então isso não era exercício? Pensando bem, acho que meus pais deviam desconfiar da coisa quando entravam no meu antro impregnado. Ou sabiam disso ou talvez suspeitassem que eu fosse um viciado em água sanitária.&lt;br /&gt;Intrigante essa infalível intuição dos pais quanto ao futuro dos filhos. Meu pai vivia dizendo que eu tinha nascido para grandes realizações. E não deu outra. Desde que eu me conheço por gente (e às vezes me parece que só eu é que me conheço assim), em tudo que eu faço fazer sempre tem alguém pronto para comentar: “Grande coisa!”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115248218893279588?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115248218893279588/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115248218893279588&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115248218893279588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115248218893279588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/07/pausa.html' title='Pausa'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115185464459749288</id><published>2006-07-02T08:34:00.000-07:00</published><updated>2006-07-02T08:37:24.610-07:00</updated><title type='text'>Manual na Bucal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            A queixa corrente é de que recém-nascidos vêm sem manual de instruções. É realmente uma cegonha, digo vergonha, que essa mercadoria tão valorosa não cegonha, digo disponha, desse complemento que tanto prazer nos proporciona ao ler. Não seja por isso. Para preencher esta lacuna, apenas nos demos ao trabalho de adaptar alguns manuais já existentes. A coisa ficou mais ou menos assim:&lt;br /&gt;            Parabéns! Você acaba de adquirir o que há de mais moderno no mercado antropológico! Um autêntico &lt;em&gt;homo sapiens&lt;/em&gt;! Antes de desfrutá-lo, esteja certo de ler atentamente este manual.&lt;br /&gt;            Primeiro certifique-se do conteúdo presente na embalagem. O modelo masculino deve ter uma saliência frontal embutida, além de duas (cuidado: nunca as aperte!) bolinhas pendentes inseridas logo abaixo. O modelo feminino, mais compacto, não dispõe destes apetrechos. No seu lugar há um &lt;em&gt;slot&lt;/em&gt; (pequena fenda) na porção mediana. Nada deve aí ser inserido por um período mínimo de 16 anos, sob pena de perda da garantia. Porém, mantenha-o sempre limpo, mas não muito arejado.&lt;br /&gt;            Os modelos atuais já são equipados de fábrica com dispositivos auditivos &lt;em&gt;Timpan&lt;/em&gt; e visuais &lt;em&gt;Retin&lt;/em&gt;, ultra-sensíveis. Não esqueça, entretanto, que essa sensibilidade requer cuidados especiais. Evite dirigir palavras ríspidas para seu equipamento, bem como deixá-lo ligado por muito tempo próximo de fontes televisivas, nocivas ao seu cérebro em formação. Tapas e chineladas também poderão danificar seus frágeis circuitos internos.&lt;br /&gt;            Para um melhor desempenho, dê preferência para combustível lácteo Maternal, podendo o enlatado servir como substituto na sua ausência, com alguma perda de potência nas curvas e retomadas após derrapagens.&lt;br /&gt;            Periodicamente há necessidade de limpeza da porção traseira. Use apenas lencinhos umedecidos. Os modelos mais antigos possuíam menor sensibilidade nessa área. A autonomia, contudo, permanece a mesma. No caso de não-percepção do aviso sonoro, desenvolvemos um alarme odorífero com o que há de mais eficiente em tecnologia putrefatória.&lt;br /&gt;            Lave-o de preferência diariamente. Evite cera. Palha de aço também não é recomendada. Nos orifícios superiores (exceto a abertura do tanque de combustível) a limpeza pode ser feita com cotonetes, desde que com todo o cuidado. Aviso: pequenos objetos podem aí se alojar. Em hipótese alguma use aspirador de pó (veja lista para assistência técnica autorizada). &lt;br /&gt;            Vazamentos são freqüentes até o término do segundo ano. Apenas evite se posicionar na frente ou nas proximidades de seu equipamento quando a cobertura plástica descartável (vendida separadamente) tiver sido removida (obs.: esse cuidado é recomendado apenas para a versão masculina).&lt;br /&gt;            Em caso de pane, ligue para a central de atendimento 24 horas (exceto nos fins de semana, feriados, jogos importantes do campeonato brasileiro ou capítulo finais das novelas), não esquecendo de checar a validade do seu cartão de convênio. Um de nossos pediatras o atenderá com um sorriso nos lábios e um pedacinho de alface entre os dentes. Para verificar superaquecimento, não confie no método manual. Sempre use um termômetro (também vendido separadamente).&lt;br /&gt;            Com algum tempo de uso, pequenas avarias na parte externa poderão surgir, sem que haja grande prejuízo estético ou funcional. Lembre-se: devoluções por este motivo (ou qualquer outro) não serão aceitas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115185464459749288?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115185464459749288/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115185464459749288&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115185464459749288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115185464459749288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/07/manual-na-bucal.html' title='Manual na Bucal'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115126563010730765</id><published>2006-06-25T12:58:00.000-07:00</published><updated>2006-06-25T13:02:32.656-07:00</updated><title type='text'>Vernizagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deveria ser curso universitário. Mas curso técnico também já serviria, com pouco menos de qualificação. Não, porque cara-de-pau não se aprende da noite para o dia! É uma coisa trabalhada, com anos de experiência para se atingir a perfeição. Obviamente há muitos talentos inatos, notadamente no gênero feminino. Traço evolutivo. Questão de sobrevivência. Desde tempos cavernosos, as mulheres precisavam fazer beiços para conseguir o que queriam de seus homens, mesmo que fosse uma boa sova de tacape, inclinação sado-maso também proveniente de tempos imemoriais.&lt;br /&gt;Algum anti-evolucionista apressado poderia argumentar que o beiço diminuiu na espécie com o passar do tempo. É no aparente paradoxo, entretanto, que confirmamos Darwin: o beiço diminuiu proporcionalmente ao aumento da sutileza cara-de-pau. Não houve mais necessidade do evidente e manjado beiço. Deixamos isso para as criancinhas, ainda ingênuas na arte de iludir.&lt;br /&gt;O verdadeiro pau-caráter é aquele de quem menos desconfiamos. Aquele de quem só ouvimos elogios, pelo menos abertamente. Já dizia o profeta: “Tremei nas bases quando ouvires que alguém é muito bonzinho!”. Não citarei seu nome, jurei confidência.&lt;br /&gt;No pau-caratismo, como em todas as áreas, há os bem-sucedidos e os mal-sucedidos. Contudo, não se engane. Quem conhece mesmo da arte é sempre um bem-sucedido na vida. Há, porém, especializações no pau-caratismo (PC). Há aqueles que dominam a matéria principalmente para uso profissional. Outros se especializam no uso com finalidade amorosa. Mas o grão-mestre pau-caratista joga em todas as posições com a mesma destreza.&lt;br /&gt;O único perigo real do pau-caráter é o deslize para a loucura. Porque às vezes consegue tal perfeição, que passa ele mesmo a acreditar na sua própria conversa. Agora, se você acha que o risco vale a pena, ainda não se sente com muita habilidade nesta área, mas deseja aperfeiçoar-se, aqui vai o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DECÁLOGO DO PAU-CARÁTER:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Nunca, em hipótese alguma, minta. O PC somente cria novas verdades. E acredita piamente nelas.&lt;br /&gt;2) Treine a exaustão. Faça pequenos testes, como, por exemplo, criar – não mentir – a sua própria idade (não pouca coisa, isso todo mundo faz; diga, por exemplo, que você tem cinco anos com a maior seriedade, e se irrite profundamente se alguém duvidar).&lt;br /&gt;3) Nunca se julgue o máximo em tudo. Afinal, o máximo não está aí para ser julgado!&lt;br /&gt;4) Espelhe-se sempre nos melhores. Ou então carregue uma foto com você para o caso de não haver espelho por perto.&lt;br /&gt;5) Admita pequenas falhas. Nos outros.&lt;br /&gt;6) Nunca dê qualquer tipo de desculpa. Venda-a. E de preferência, bem caro.&lt;br /&gt;7) Aprenda a ouvir as pessoas. A maneira correta de fazer isto é assentindo com a cabeça na maior seriedade (exceto no caso de piadas) enquanto pensa em coisas mais importantes do que as que estão sendo ditas, não esquecendo de salpicar um ou outro comentário, com frases neutras como: Não diga! Que coisa!&lt;br /&gt;8) Faça pose de quem sabe tudo. É muito mais importante do que realmente saber sobre qualquer coisa.&lt;br /&gt;9) Fale sempre com grande segurança. Aliás, não só fale, mas ande sempre com grandes seguranças (de firma especializada) perto de você.&lt;br /&gt;10) Não esqueça de dois ditados, que devem ser combinados: “Ninguém é perfeito” e “Em toda regra há exceção”. Exemplo disso: você!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115126563010730765?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115126563010730765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115126563010730765&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115126563010730765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115126563010730765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/06/vernizagem.html' title='Vernizagem'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115060063981686398</id><published>2006-06-17T20:07:00.000-07:00</published><updated>2006-06-17T20:17:19.830-07:00</updated><title type='text'>Vivida Dudura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A revista “Caras e Bocas” está na casa da famosa dupla de cantores da música sertaneja Limão Seco e Variano para mostrar sua intimidade e conversar um pouco sobre suas vidas:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B&lt;/strong&gt;: Limão Seco, você possui algum ídolo de infância?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco&lt;/strong&gt;: Macaca... Macaca...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Macaca?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; MacaCartney. Popol MacaCartney!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; E você, Variano?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Eu num si alembro de nenhum ídalo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Limão Seco, você tem algum prato preferido?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Babaca...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; O que?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Babacalhau. Sosô dedescendente de poportuguês. Memeu papai...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Eu também. Meu papai e minha mamãe. De sem dente tá cheio lá em casa! Excrusive na minha família já nasce tudo sem dente!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Sei. Limão Seco, você tem mais algum prato predileto?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Fifico com água na bobo... na bobo... na boboca. Papasso na amante... amante...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; Hein?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Nanão. A pipica... A pipica...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Hã?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; A pipicanha. Papasso na mamanteiga. No chuchu... chuchurrasco.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; Ah... E você, Variano?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; todos prato são predileto pra mim...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Algum prato que você não goste, Limão seco?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Empapada... Empapada...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; Sei, aquelas comidas empapadas em molho...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Não. Empapada... Em papadaria, aqueque aquequeles dodoces fofo... fofo... fofolheados.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Variano, alguma comida não te agrada?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Até hoje nenhuma comida me agradô, não. Eu é que agrado minhas galhinha antes de comê elas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; Sei. E alguma sobremesa que vocês gostem?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Marme... marme...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Eu também. Mar me lembro das sobremesa que eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Nanão. Quiquiz dizer marmelada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Mudando de assunto: e nas horas de lazer, Limão Seco, o que você faz?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Cocô... cocô... chichi...chichi... Não! Cocorro fafazer um chichimarrão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; E você, Variano?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Eu tenho lido muito...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Ah, é? E que livros você lê?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Não, eu lido muito no nosso sítio. Lido com os boi, com as vaca...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; Mas livros mesmo, você nunca leu?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Eu mesmo não. Minha mãe sim, era muito leiteira. Nunca largava os gibi.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; E por falar em bichos... Bichinhos pequenos, Limão Seco, você gosta de algum?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Sento o pé... Sento o pé...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Eu também. Sento o pé logo nesses bichinho chato!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Não. Sento o pé...iii...aa! Eu gosto de sentopéiiiaa... Mas paparece queque tá tutudo em extin...extin...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Extinlingue... Meu primo é um, que vivem dando estilingada em tudo quanto é bicho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; E afinal, Limão Seco, você casa ou não casa com a sua noiva?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Agora cagô... cagô...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; O que?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Cago... cagotêra quiqui tá lá em cacaaasa, vavamos ter quiqui esperar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; E o último CD de vocês, como é que está? Algum grande sucesso?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Sosó porcari... porcari...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Como?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Sosó “Por cariiinho” é quiqui tá fafazendo sucecesso, ainda.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;B:&lt;/strong&gt; Para terminar, me falem do show.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Ah, aí si sinfo... sinfo...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Nós sinfo mesmo! Os pratocinador (agora se alembrei que é um prato que eu também não gosto) não tão querendo pagá a gente...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Não... “Sisinfonia de amor”, o nonome do shoshow!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;C&amp;amp;B:&lt;/strong&gt; Bem, era só isso por hoje, obrigada.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Vava...Vavariano, vovooocê viu cocomo essas revivistas têm fofo...fofo...fofo...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Variano:&lt;/strong&gt; Fofoqueira! É só isso mesmo...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limão Seco:&lt;/strong&gt; Nãnão seu buburro! Fofotóóógrafa boboazuuuda!!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115060063981686398?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115060063981686398/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115060063981686398&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115060063981686398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115060063981686398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/06/vivida-dudura.html' title='Vivida Dudura'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-115005614598861196</id><published>2006-06-11T13:00:00.000-07:00</published><updated>2006-06-11T13:02:26.000-07:00</updated><title type='text'>Conjugais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Ele acordara e nada sentira, pelo menos não a princípio. Checara as horas no velho rádio-relógio, fizera as contas de quanto dormira, levantara da cama, arrumara o quarto e preparara demoradamente o café. Pouco comera. Mal engolira duas fatias de pão com geléia de uva. Lavara as louças do dia anterior, abrira as janelas da casa, regara cuidadosamente as plantas, dera comida aos peixes no vistoso aquário da sala de jantar, como se habituara em todas as manhãs. No entanto, uma misteriosa e inédita indisposição o atormentara naquele estranho dia. Por um bom momento, não detectara o motivo daquilo.&lt;br /&gt;            Subitamente dera conta do que acontecera. Seu dia estivera todo no pretérito mais-que-perfeito! Logo ele, que nunca fora nada próximo da perfeição... Pânico o acometera. O que sucedera? Alguma travada no Word divino? Pensara então nos seus possíveis inimigos... Houvera algum desentendimento recente? Cometera ele algum tremendo deslize no seu ambiente de trabalho? Estivera sendo vítima de algum maligno vodu?        Malograra na busca de respostas. Tentara de todas as formas a transformação: correra pela casa, batera panelas escandalosamente, abrira torneiras, pulara num só pé, gritara como um insano. Nada funcionara. Cada ação sua o jogara mais e mais nas profundezas desse até então desconhecido tormento. Nunca pensara que um tempo verbal possuíra tamanha importância na sua vida. Que insuportável aflição!&lt;br /&gt;            Como já se esperara, fora tomado de um desvairado impulso suicida. Afinal, quem já ouvira tão desbragada sandice? Rabiscara apressadamente um bilhete de despedida, prendera uma corda cuidadosamente no gancho do vaso da samambaia, confirmara a firmeza da engenhoca, e só então subira no banquinho da sala. Contara até três. Segurara a respiração na antecipação do crítico momento...&lt;br /&gt;            Porém, no segundo fatal, sua esposa adentrara a casa. Um ressonante grito de pavor evitara o pior. Recompusera-se.&lt;br /&gt;            Permanecera, no entanto, a angústia.&lt;br /&gt;            Abraçaram-se demoradamente. Depois choraram. Conversaram a respeito do problema, e concordaram que fora um pesadelo terrível. Só então perceberam que, acidentalmente, se depararam com a própria solução: a chegada da sua mulher transformara inesperadamente a ambos na terceira pessoa do plural. E então, dessa maneira, automaticamente se habilitaram também ao pretérito perfeito, em que coincidiam as conjugações.        Pularam de alegria, brindaram aos berros, beberam vinho pelo resto do dia. Só então dormiram. Estavam definitivamente salvos.&lt;br /&gt;            Nunca mais se largaram. Viveram (!) felizes para sempre.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-115005614598861196?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/115005614598861196/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=115005614598861196&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115005614598861196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/115005614598861196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/06/conjugais.html' title='Conjugais'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114944569535949081</id><published>2006-06-04T11:26:00.000-07:00</published><updated>2006-06-04T15:03:12.140-07:00</updated><title type='text'>Enchendo A Copa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um ácido refluxo, azeitona do empadão, o acorda da noite mal-dormida. É dia decisivo, oitavas.&lt;br /&gt;Tem febre, é certo que tem. Ainda assim, quer bater a falta. Pede aos outros que se afastem. Olham-no com cara feia. A sua, porém, mais feia ainda, da noite mal-dormida, vence a disputa.&lt;br /&gt;Toma grande distância. Da cama ao banheiro, sete passos. Tenta enxergar o goleiro. Tarefa impossível dali, detrás da barreira. Se ainda não fosse tão pequeno...&lt;br /&gt;Será possível que não haja goleiro? Todo bom time começa por um bom, dizem.&lt;br /&gt;Afasta-se um pouco mais da bola. Agora sim, vista de cima, parece-lhe redonda. Podia jurar que era plana. Efeito do vinho chileno, talvez.&lt;br /&gt;Ouve um grito de gol.&lt;br /&gt;Uma falsa mulata, a mesma falsa mulata de outras copas (pelo menos das que foram transmitidas a cores), banhas apertadas num top amarelo, como se mulatas brasileiras andassem pelas ruas brasileiras o tempo todo, o tempo todo de top amarelo, vibra, virada para a torcida. Mas como, se a falta nem foi batida?&lt;br /&gt;Batida?&lt;br /&gt;Agora lembra, batida: seis limões (limãos? e degraus ou degrais?) numa garrafa de água mineral (minerais, essa tem certeza) antes do jogo.&lt;br /&gt;O juiz apita: Priiii!!&lt;br /&gt;-Pode, seu juiz, pooor favor, apitar mais baixo, tô cuma doooor de cabeça... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114944569535949081?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114944569535949081/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114944569535949081&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114944569535949081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114944569535949081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/06/enchendo-copa.html' title='Enchendo A Copa'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114885475381642680</id><published>2006-05-28T15:16:00.000-07:00</published><updated>2006-05-28T15:19:13.836-07:00</updated><title type='text'>Duro de Roer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desde o início da adolescência, Maneco manifestou um especial interesse pela anatomia. Não que pretendesse cursar Medicina ou qualquer outro curso da área da saúde. Seu empenho tinha um motivo particular: Inezinha, a filha do caseiro do sítio do seu avô. Nos finais de semana costumava levá-la para trás dos estábulos (que ao contrário do que possa parecer não são ossos do corpo humano) e, ali mesmo, deitados sobre montículos (também não são) de feno, discorria longamente a sua dialética esquelética. Mas tinha que ser tudo ali, não na ponta da língua, mas na ponta dos dedos:&lt;br /&gt;            - Essas daqui são as escápulas, os últimos ossos da parte de trás do corpo. Então se o sujeito não for pego pelas escápulas, consegue se livrar de ser agarrado. Daí a expressão: “escapuliu por pouco”.&lt;br /&gt;            Inezinha ficava atônita. Onde o Maneco aprendeu tanto?&lt;br /&gt;            - Aqui no teu joelhinho fica a rótula, que é onde ficam as informações sobre ano de fabricação, prazo de validade, etc.&lt;br /&gt;- Ainda aqui na parte de trás da sua perninha está situada a fíbula, entre a cronícula e o romancíbulo. A fíbula é que nem história inventada.&lt;br /&gt;            Impressionante. Esse rapaz era mesmo um atlas anatômico ambulante! Enquanto isso, fingia não se incomodar com seus ágeis dedos a percorrê-la.&lt;br /&gt;            - Esse é o zigomático. Também chamado de malar, porque fica situado numa parte onde o ar às vezes não cheira lá muito bem. É o osso que orienta todo o corpo quando este se movimenta. É só o cérebro ligar no zigomático, que o corpo anda sozinho.&lt;br /&gt;            Sem perceber empecilhos, Maneco continuava a desfilar seus conhecimentos:&lt;br /&gt;            - Essa aqui é a falange, osso responsável pela risada sensual nas mulheres. Você sempre ouve falar que a mulher fica muito mais sexy se numa falange ri.&lt;br /&gt;            Inezinha suspirava sem saber se por causa do intelecto do moço ou se pelos avanços da mão boba.&lt;br /&gt;            - Esse outro chama-se rádio. Situa-se num espaço chamado ráqui, entre o déqui e o amplificador. Aqui está a ulna, um osso que se desgasta facilmente. Atualmente tem sido muito substituída pela ulna eletrônica.&lt;br /&gt;            E seguia, entusiasmado:&lt;br /&gt;             Aqui na unha está a clavícula, osso que só uma boa manicure deve por as mãos. Aqui atrás fica o ilíaco, dos versos famosos de um tal grego chamado Homero (Homero também conhecido por Úmero, outro osso. Mas esse é um mero coadjuvante, nem vale a pena localizar).           &lt;br /&gt;            Nestas alturas, Inezinha já estava totalmente entregue. E o Maneco não perdia tempo. Partia para regiões mais recônditas:&lt;br /&gt;            - Nessa região fica o sesamóide, na entrada da caverna. Lembra da estória? Abre-te Sesamóide!&lt;br /&gt;            E, no auge do enlevo, partia para sua própria anatomia:&lt;br /&gt;            - Neste local aqui fica o sacro. Lá em Portugal as mulheres vivem gritando para os seus maridos: Joaquim, não sabes que não quero que cóccix o teu sacro o dia inteiro? Vais fazer algo de útil!&lt;br /&gt;            Mas para azar do Maneco, após tanta ostentação cultural, sempre acontecia que o pai da Inezinha desse por sua falta e pusesse a procurá-la aos berros.&lt;br /&gt;            Novamente Maneco acabava pagando o preço alto da sua erudição. De novo ficaria sem mostrar para ela aquele ossinho tão especial que mudava de tamanho quando ele se empolgava...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114885475381642680?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114885475381642680/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114885475381642680&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114885475381642680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114885475381642680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/05/duro-de-roer.html' title='Duro de Roer'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114824242262980084</id><published>2006-05-21T13:10:00.000-07:00</published><updated>2006-05-21T13:13:42.643-07:00</updated><title type='text'>Relações Familiares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um náufrago no seu próprio habitat. Foi assim que Geodásio se sentiu quando a sua Telefunken, uma televisão 20 polegadas “de colores” deu os últimos sinais de vida durante o jantar. Nem bem havia acabado a musiquinha da novela “Um pecado de amor” e... “fuiiim!”. Lá estava a sua velha companheira de todas as horas, aquela que tantas emoções havia lhe proporcionado, como num leito de UTI a exibir apenas uma fina linha do Equador cintilante separando dois hemisférios de coisa nenhuma. Ainda tentou todos os métodos ortodoxos amplamente conhecidos como ajustar a palha de aço da antena, girar no sentido anti-horário o seletor de canais e por fim, o mais científico artifício: o da porrada. Mas não, era preciso admitir. Não havia mais salvação. &lt;br /&gt;            Subitamente Geodásio deu-se conta do ambiente que o cercava. Não fora pelo insuportável ruído da ruminação e gorgolejo das pessoas presentes, um silêncio sepulcral teria definitivamente ali se instalado.&lt;br /&gt;            Mas quem eram mesmo estas pessoas? Exceto pela bela presença de sua esposa naquela mesa, pairava uma desconfortável incerteza sobre os demais. Espera um pouco. Quem disse bela esposa? Tudo bem que quando se casaram há cerca de trinta anos a Déia (qual era mesmo o seu nome de batismo? Era difícil decifrar após tanto tempo dirigindo-se a ela desta forma, e depois, provavelmente qualquer pessoa que responda por Déia certamente não deve ter um nome que mereça ser lembrado) não era de se jogar fora. Exceto por um discreto buço a ressaltar a quase ausência de queixo, o que causava algumas vezes a impressão de que Deus esquecera de fazer a boca, ela possuía um corpinho bem interessante distribuído nos seus um metro e quarenta e quatro centímetros. Mas como era possível que ela tivesse se conservado tão bem nestes anos todos?&lt;br /&gt;            Não levou muito tempo para desvendar o enigma. A não ser que aquela senhora de meia-idade sentada ao seu lado fosse sua sogra, o que dificilmente Geo (seu nome também não era grande coisa) teria aceitado como companhia na sala de jantar, esta suposta esposa era na verdade uma de suas duas filhas. Como estavam parecidas! Mas e o rapaz ao lado dela? Seria seu filho também? Por mais que se esforçasse não conseguia se lembrar de terem tido um filho do sexo masculino... Lógico. Devia ser o seu genro. Seria apropriado perguntar?&lt;br /&gt;            Foi em meio a este dilema que ele finalmente concordou com as queixas de sua mulher. Provavelmente ele estava mesmo muito dependente daquele aparelho de televisão. Mas que culpa tinha ele? Os programas todos são tão interessantes! Não fosse por algumas propagandas chatas e pela presença ocasional do programa eleitoral gratuito ele realmente talvez nunca tivesse se ausentado da frente daquele aparelho. Concedida a crítica, restava pensar sobre o que faria com o resto de sua vida. Compraria um novo televisor ou tentaria reatar os laços familiares com aqueles estranhos a compartilhar a sua mesa? Por que questionamentos desta natureza invadiram-no duma hora para outra?&lt;br /&gt;            Pensando bem, essa tragédia deve ter vindo como um aviso para Geodásio. Não era mesmo possível este estado de coisas. Uma vida inteira na convivência dos seus familiares, e ele mal sabia quem eles eram.&lt;br /&gt;            Não.&lt;br /&gt;            Ele haveria de mudar.&lt;br /&gt;            Afinal, há mais de uma década ele vinha tentando identificar esse gosto na sua sopa. Já era hora de contar para a Déia que ele detestava batata-salsa.    &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114824242262980084?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114824242262980084/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114824242262980084&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114824242262980084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114824242262980084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/05/relaes-familiares.html' title='Relações Familiares'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114764461357936147</id><published>2006-05-14T15:07:00.000-07:00</published><updated>2006-05-14T15:10:13.593-07:00</updated><title type='text'>Provação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pode até ser que eu tenha achado agradável depois, mas a minha preocupação deve ser apropriadamente manifesta como alguém que ainda não passou pela experiência. Não quero parecer excessivamente ansioso com uma coisinha à toa como essa. Também não quero ajudar a disseminar um temor infundado em meus colegas de gênero, mas... Sim, nós temos medo de quem sabe manchar (literalmente) uma masculinidade conseguida a tão duras penas com anos de bolas de gude, espadas de He-Man, estilingues, etc. Claro que só posso estar falando do famoso toque retal!&lt;br /&gt;            Desconfio seriamente de que este exame seja fruto da mente doentia de quem o imaginou. Senão vejamos: nas minhas aulas de Ciências aprendi que a próstata é uma glândula que se situa por detrás da bolsa escrotal (estou admirado em como prestei atenção nesta aula!). Ora, se é assim, porque ela não pode ser acessada com esta “leveza”? Ou então façam um raio X da coitadinha. Não, o tarado do urologista só vai ficar satisfeito se invadir o meu mais profundo “eu” interior!&lt;br /&gt;             Outro problema é o de ordem semântica. Tenho um amigo pouco dado aos requintes da educação que se retirou do consultório com as calças na mão. Também pudera. O que foi consentido foi um “toque”, não um “escarafuncho”!&lt;br /&gt;            Como deve ser próprio de todo ritual de iniciação, me confesso ignorante dos procedimentos (ou devo dizer preliminares?) que envolvem este exame. Serei instruído sobre hábitos alimentares? Não, é sério! Tenho um intestino de bebê. Pode parecer um pouco pornográfico, mas aquela tal de “duchinha” não seria indicada?&lt;br /&gt;            Não, acho que não precisa tanto assim. E a posição? Nunca tive coragem de perguntar para ninguém para não dar a impressão de que não vejo a hora, mas qualquer uma vale? Confesso que vou ter ganas de estrangular o médico se ele me responder que pode ser de ladinho mesmo.&lt;br /&gt;          Quero deixar claro o tom estritamente sigiloso dessas preocupações . Vai que as nossas crianças descobrem! Certamente irão partir para o contra-ataque:&lt;br /&gt;          -Come tudinho senão a mamãe vai levar você pra fazer exame de próstata!&lt;br /&gt;          Também não se deve correr o risco de cair no ridículo com propostas ao nosso carrasco:&lt;br /&gt;          - Se eu abrisse bem a boca não dava pra fazer por cima?&lt;br /&gt;          Sempre imaginei que uma das grandes vantagens do progresso da medicina era viver mais e com melhores condições de vida. Mas veja só: no tempo do meu tataravô a expectativa de vida talvez não passasse dos quarenta. Então desse vexame ele estava livre. Vai ver nem existia próstata ainda...     Mas agora não adianta mais. Vamos, sim, ter que conviver com estes dois fantasmas a atormentar a cabeça masculina: o Boitatá no começo da vida e o exame de “próstatá” na segunda metade dela.                                                                             &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114764461357936147?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114764461357936147/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114764461357936147&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114764461357936147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114764461357936147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/05/provao.html' title='Provação'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114699818232337369</id><published>2006-05-07T03:32:00.000-07:00</published><updated>2006-05-07T03:36:22.336-07:00</updated><title type='text'>Meia-Culpa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;           Quero dizer que não tive participação em nada disso. Quando cheguei, já estava tudo irremediavelmente encaminhado neste planeta.&lt;br /&gt;            O aquecimento global, por exemplo. Tudo bem, eu uso meu carrinho emissor de poluente, sim. Mas daí a aquecer o planeta inteiro, já vai uma grande diferença. Até proponho uma justa expiação. Ao invés de aquecimento global, façamos uma equânime distribuição. Cada qual com seu ardor devido. Calculo que pelos meus mais de vinte anos de poluição deva ter direito a uns cerca de, deixe-me ver, 0,005 graus centígrados a mais distribuídos no meu ano inteiro, se eu não errei nas contas. Isso se vão levar em consideração o meu fusquinha meia oito, que eu só tirava da garagem para tomar um ar, depois de lavá-lo nos finais de semana. Como entusiasmado subscritor do Código do Consumidor, vou exigir que minha parte seja fornecida nos meses de inverno. Eu nem vou achar muito ruim. Meu inverno anda meio friozinho demais pro meu gosto, mesmo.&lt;br /&gt;            Poluição sonora. Outro flagelo do qual sou totalmente inocente. E como cidadão consciente, tenho feito os meus esforços pelo bem da comunidade. Mesmo com a bexiga do tamanho de uma noz, foz de um aparelho urinário supostamente diureticômano, tenho acumulado meus líquidos dejetos nas incontáveis idas noturnas ao banheiro sem dar descarga, para evitar que meus vizinhos ouçam o desagradável gorgolejo. Sem falar na minuciosa pontaria na porcelana, o que reduz cerca de vinte e cinco decibéis. Por mijo. Pum nessas horas então, nem pensar. Somente quando já novamente amparado pelo colchão. Com o cuidado adicional de conferir se a patroa mudou de posição após a, digamos assim, emissão, o que recomenda mais cautela esfincteriana na próxima empreitada.&lt;br /&gt;            Já sei o que vão dizer. Que no quesito poluição visual não tenho álibi. Enganam-se. Preciso explicar que aquele conjunto de calça cáqui com blazer xadrez me foi dado todo ele de presente no meu aniversário. Inclusive com as meias de losangos dourados entremeados com cifrões vermelhos. Não pude deixar de usá-los. Pelo menos durante os sete anos seguintes, para não deixar mamãe muito triste. O pingüim da geladeira também, já tinha ido para a despensa. Mas aí me disseram que era fashion novamente e nos reconciliamos, apesar do pé quebrado e da cara de magoado. Agora só espero que não me citem o retrato dos meus avós na salinha da televisão. Ele tem valor sentimental, pôxa. Os dois ali, recém-casados, entre as nuvens... Tá bom, concordo que a expressão do meu avô ficou um pouco forçada. Vai ver é porque minha avó estava mais para sultão do que para odalisca. Mas naquele tempo era assim. Teve coragem de encarar para fazer meu pai, teve que ter coragem para casar.&lt;br /&gt;            Entretanto, não sou ingrato. Sei também reconhecer a contrapartida. Não colaboro para estragar, mas também não mexo uma palhinha para ajudar. Não tenho direito adquirido para usufruir tudo que tenho usufruído até agora. Fosse pelo meu esforço, teria certamente deixado a humanidade onde estava como eu a peguei.&lt;br /&gt;            Ao menor impulso evolutivo teria provavelmente dito coisas do tipo: “Muito interessante essa idéia do telefone celular, mas vai ser muito complicado. Afinal de contas, já estamos conseguindo nos comunicar perfeitamente bem com telefones dentro de casa. A única coisa chata é ter que girar a manivela”. E na era pré-aviação: “Podíamos tentar construir algum objeto para podermos voar como os pássaros. Mas só de pensar nisso tudo já tá me dando um soninho...”.&lt;br /&gt;            Tivesse eu vivido no período Cretáceo (ou Mesozóico, não sei bem) e meu irmão mais novo falasse em inventar a roda, eu certamente teria lhe dito para se preocupar com coisas mais úteis como acender o fogo para o jantar ou raspar o teto sujo da caverna. Não sem antes lhe tascar um baita tapa na sua orelha peluda.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114699818232337369?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114699818232337369/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114699818232337369&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114699818232337369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114699818232337369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/05/meia-culpa.html' title='Meia-Culpa'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114632258667398014</id><published>2006-04-29T07:53:00.000-07:00</published><updated>2006-04-29T07:56:26.683-07:00</updated><title type='text'>Perito À Vista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Pensando na morte da bezerra?&lt;br /&gt;            Ficava assim. Pensando não só na morte. Mas na vida toda da pobrezinha. Na brevidade daquela existência. Nas possíveis causas do óbito. Teria sido prematuridade? Deviam ter desconfiado de cara, com aquela espécie de espirro desde o nascimento. Com um soluço emendado no final. Parecia arma com recuo, tadinha. Cada tiro rasgava nossa alma. Pelo menos se tivesse sido atendida a tempo... Mas por um veterinário de verdade. Não por aquele boliviano que meu pai mandou chamar. Ou peruano, sei lá. “El loco” Rodriguez. Com um nome desses teria sido melhor encomendar logo a extrema-unção.&lt;br /&gt;            Vinha de Kombi, trazendo todo o material necessário para o atendimento: serrote, mandril, torniquete... E um monte de outras ferramentas a mais. Não tinha certeza se todos aqueles instrumentos eram próprios do ofício. Quando se exigiu que mostrasse o diploma, disse ter extraviado na última inundação da Colômbia. Ou Venezuela, não lembro. Ao notar a aproximação de “El loco”, a mãe da paciente apenas emitiu um breve mugido, consternada. Parecia prever o pior.&lt;br /&gt;            Assim se passava na localidade de Lourenço Cercado, a milhares de quilômetros de qualquer cidade de médio porte: tínhamos que aceitar a palavra de qualquer sumidade que aparecesse. E enquanto ia preparando o seu parecer num minucioso exame de ponta de botas, o especialista contava detalhes do terremoto que se abateu no seu país de origem. Não demorou a dar o veredicto: infecção. Como se dele se esperasse outro tipo de veredicto. Vinha com seus vastos conhecimentos do Paraguai (ou Equador) a peso de ouro (grãos de milho, nesse caso) para proferir brilhante diagnóstico. E não menos luzidio tratamento:&lt;br /&gt;            Prescreveu uma espécie de salmoura, ou qualquer coisa do gênero, para ser introduzida no traseiro da bichinha. Que naquele estado não haveria de reclamar da vida, já que de partida pra outra.&lt;br /&gt;            Duas vezes. Não precisou mais do que duas vezes daquele milagroso preparado para que, em meio a um barulho estrepitoso, a criatura começasse a estrebuchar. Nessas alturas, decerto, Dr. Rodriguez e todo seu cabedal cruzavam a fronteira do Panamá. Ou do Uruguai.&lt;br /&gt;            Não sei se pela ligação afetiva com a bichana, não lembro de funeral tão comovente. Como de resto não lembro de mais nenhum funeral envolvendo qualquer membro da família bovina naquele povoado tão pobremente povoado.        &lt;br /&gt;            E de quem ouvisse lamentos ou críticas, meu pai sempre tinha a resposta pronta:&lt;br /&gt;            “O médico era bom. O provável é que a gente não tenha compreendido direito como era para fazer o tratamento. Também, ninguém aqui sabia alemão”.&lt;br /&gt;Ou seria polonês?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114632258667398014?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114632258667398014/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114632258667398014&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114632258667398014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114632258667398014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/04/perito-vista.html' title='Perito À Vista'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114580651793024461</id><published>2006-04-23T08:32:00.000-07:00</published><updated>2006-04-23T08:35:17.930-07:00</updated><title type='text'>Barracão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Foram barrados, os três, na porta da boate. Um deles, indignado, reagiu. Os outros dois, resignados, ficaram de comentaristas do barraco.&lt;br /&gt;            -Não é possível! Você sabe quem eu sou?&lt;br /&gt;            -O sub-tesoureiro do sindicato dos desocupados...&lt;br /&gt;            -Não pode ser, estamos num país livre...&lt;br /&gt;            -País, sim. Já dentro da casa dele, só sai depois de lavar a louça e de dar um brilho na calçada.&lt;br /&gt;            -Tá pensando que eu sou moleque?&lt;br /&gt;            -Essa frase ficava melhor dita por alguém que não fosse pichador.&lt;br /&gt;            -O que que é isso, não devo nada pra ninguém!&lt;br /&gt;            -Não é o que dizem o padeiro e o dono da farmácia...&lt;br /&gt;            -Eu pago meus impostos!...&lt;br /&gt;            -Deve ser por isso que só entra na prefeitura disfarçado.&lt;br /&gt;            -Respeite os meus cabelos brancos!&lt;br /&gt;            -Tá vendo algum cabelo no meio da careca?&lt;br /&gt;            -Nunca fui tão humilhado!&lt;br /&gt;            -A não ser quando foi recusado no exército por feiúra.&lt;br /&gt;            -Isso não vai ficar assim!&lt;br /&gt;            -Com certeza! Quem o conhece sabe que tudo pode ficar pior.&lt;br /&gt;            -Você sabe de quem eu sou filho?&lt;br /&gt;            -Se souber diga, porque a mãe não tem muita certeza...&lt;br /&gt;            -Olha, eu só não te encho a cara de porrada porque...&lt;br /&gt;            -Porque eu tenho menos de um metro e meio, sou totalmente estrábico, tísico, e não consigo mais te alcançar do outro lado da calçada... &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114580651793024461?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114580651793024461/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114580651793024461&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114580651793024461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114580651793024461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/04/barraco_23.html' title='Barracão'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114521872715260489</id><published>2006-04-16T13:14:00.000-07:00</published><updated>2006-04-16T13:18:47.163-07:00</updated><title type='text'>Data Velia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;             Muito se tem discutido sobre a hora ideal para a primeira consulta geriátrica. Tem havido alguns exageros. Conheço mães que cogitam de levar seus bebês. Calma. Ainda que a tendência atual seja o foco na prevenção, o geriatra não é o médico mais recomendado para se consultar quanto à idade correta para a retirada das fraldas. Já a retomada das fraldas é outra história. Se você anda em dúvida se já é hora, algumas pistas podem ser úteis. Por exemplo:&lt;br /&gt;            Durante o banho você procura lembrar se já se ensaboou tentando descobrir quantas horas de vida tem aquela espuminha ao redor do sabonete.&lt;br /&gt;            Rugas andam com certa dificuldade de encontrar vaga para estacionar no seu rosto.&lt;br /&gt;            Anda como carro sem freio, encostando aonde dá, para não descer a ladeira.&lt;br /&gt;            A batalha: pêlos na cara versus disposição para cortá-los está formalmente perdida. Você tem se sentido como aquela casa de praia do vizinho, que só vê jardineiro uma vez ao ano.&lt;br /&gt;            Você tem tido a maior dificuldade de lembrar o nome dos seus irmãos, esquecendo o fato de que sempre foi filho único.&lt;br /&gt;            Cada vez que vai usar aquele remédio fica se perguntando: é para tomar, para passar ou para enfiar?&lt;br /&gt;            Olha para aquela mocinha maravilhosa e pensa: “Peguei no colo...”, não notando que a está confundindo com a mãe dela.&lt;br /&gt;            Você avalia se a noite anterior foi boa pelo número de vezes que levantou para urinar.&lt;br /&gt;            Anda se achando muito mais em forma que o Humphrey Bogart e o Anthony Quin. &lt;br /&gt;            Passa o dia inteiro se sentindo produtivo só porque alguém lhe perguntou as horas.&lt;br /&gt;            Tem lhe sido sugerido que anote as idéias que lhe vêm à cabeça para não esquecê-las, mas mesmo no maior pique não chega a tempo no caderninho.&lt;br /&gt;            Anda notando seus interlocutores se abaixando e fazendo caretas. Além disso, anda cada vez mais dispensando interlocutores nas suas animadas conversas.&lt;br /&gt;            Freqüentemente digita o número do seu telefone no controle remoto da televisão e a senha bancária no painel do microondas.&lt;br /&gt;            Sua única preocupação atual com a estética é virar para ambos os lados do travesseiro para que a baba queime o rosto de forma igual.&lt;br /&gt;            Vem sendo recusado nas equipes master.&lt;br /&gt;            Não sabe de onde vem tanto catarro. Na verdade, tem tido problemas em saber de onde vêm coisas como carros, chuva, bebês, etc.&lt;br /&gt;            Já conhece todos os tipos de “ite” possíveis: gastrite, artrite, bursite... Só falta conhecer a definitiva: eternite.&lt;br /&gt;            Geme muito ultimamente, quase nunca por prazer.&lt;br /&gt;            Todo mundo o obedece. Mas não mais porque você manda. É por pena, mesmo.&lt;br /&gt;            A única coisa dura que lhe resta é a sua dentadura.&lt;br /&gt;            Dá um cochilo e quando acorda fica tentando lembrar em que ano está.&lt;br /&gt;            Na última vez que foi a um motel ficou maravilhado. Com a decoração do local.&lt;br /&gt;            Pensa ter recebido uma cantada da sua médica. Porém ela pacientemente explica que o termo médico para o paciente que sofre de gota é mesmo “gotoso”.&lt;br /&gt;            Familiares têm insistido em opiniões sobre o que escrever para um tal de “Seu Epitáfio”.&lt;br /&gt;            Acaba de escrever uma frase, logo esquece, e escreve tudo de novo. Acaba de escrever uma frase, logo esquece, e escreve tudo de novo. Acaba...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114521872715260489?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114521872715260489/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114521872715260489&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114521872715260489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114521872715260489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/04/data-velia.html' title='Data Velia'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114461773643120442</id><published>2006-04-09T14:16:00.000-07:00</published><updated>2006-04-09T14:22:16.470-07:00</updated><title type='text'>Alçapão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chega meio intimidado. O ambiente não é novo, só como se fosse. O sentimento é misto de vergonha e culpa.&lt;br /&gt;Localiza o padre pela igreja vazia. Este, receptivo, indaga:&lt;br /&gt;-Então faz tempo que o senhor não põe os pés na nossa santa igreja?&lt;br /&gt;-Igreja nenhuma, padre.&lt;br /&gt;-Claro, claro. Quanto tempo, exatamente?&lt;br /&gt;-Uns vinte e sete anos, mais ou menos.&lt;br /&gt;-Vinte e sete? – assusta-se o padre.&lt;br /&gt;-É, mais ou menos – minimiza o mau cristão, escondendo o jogo. Bem contadinho, devia chegar a mais de trinta.&lt;br /&gt;-Sei. E agora, com a nova lei, precisa se confessar?                   &lt;br /&gt;-É... – reconhece, cabisbaixo. -O senhor sabe, pra tirar carteira de motorista agora precisa, né?&lt;br /&gt;-Tivemos que fazê-lo, tivemos que fazê-lo... – repete o padre, agora ele mesmo reticente e sentindo-se culpado. -Sabe como é, isso aqui andava as moscas, com o perdão da má palavra.&lt;br /&gt;-Huhum.&lt;br /&gt;-E a Santa Eucaristia, meu filho, há quanto tempo não recebe?&lt;br /&gt;-Santa o quê?&lt;br /&gt;-A hóstia, filho, a hóstia.&lt;br /&gt;-A hóstia... – finge tentar lembrar de quando a recebeu. Teria sido enviada pelo correio?&lt;br /&gt;O padre percebendo a ignorância, esclarece:&lt;br /&gt;-Aquela casquinha de wafer!&lt;br /&gt;-Ah. Sei, sei. Não lembro.&lt;br /&gt;-Mas o senhor foi crismado, claro?&lt;br /&gt;-Crismado? – encolheu-se. Pensou que se tratasse de algo parecido com a circuncisão.&lt;br /&gt;-É, crismado. Confirmou o batismo?&lt;br /&gt;-Batismo? Acho que não confirmei, não. Respondeu, meio tonto com tanta palavra nova, pensando se não devia ir para o trabalho de bicicleta.&lt;br /&gt;-O primeiro sacramento – explica o padre, com os olhos voltados para os céus.&lt;br /&gt;-Sacrilégio?&lt;br /&gt;O padre se benze:&lt;br /&gt;-Não, sacramento, sacramento! – tentando inutilmente não alterar o tom de voz.&lt;br /&gt;-Ah, acho que também não.&lt;br /&gt;O padre, então, passando mal ao ouvir tanta infâmia, pede:&lt;br /&gt;-Filho, por favor, me aguarda um pouco que eu já venho. Enquanto isso, vê se pensa nos seus pecados destes anos todos, ali, no confessionário.&lt;br /&gt;-Que fica aonde exatamente, padre? – pergunta, tentando se encaminhar para algum lado, o ímpio cristão.&lt;br /&gt;-Atrás da estátua da Virgem Santa – indica o padre, sem despregar os olhos dos céus.&lt;br /&gt;-Virgem Santa? – procura, o aflito herege.&lt;br /&gt;O padre, desesperado, solta um grito:&lt;br /&gt;-Quanta ignorância, meu Deus!&lt;br /&gt;O pecador, num sobressalto olha para os lados, procurando.&lt;br /&gt;-Deus? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114461773643120442?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114461773643120442/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114461773643120442&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114461773643120442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114461773643120442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/04/alapo.html' title='Alçapão'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114342343667286035</id><published>2006-03-26T17:35:00.000-08:00</published><updated>2006-03-26T17:37:16.676-08:00</updated><title type='text'>Fornido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            - Claro! Tava na cara! – disse ele, ao perscrutar os exames. Você está com deficiência de selênio (1).&lt;br /&gt;            (1) Selênio: micromineral componente da enzima glutation-peroxidase, responsável pela metabolização dos hidroperóxidos formados a partir dos ácidos graxos poliinsaturados.&lt;br /&gt;            Óbvio. Só eu, na minha ignorância, não havia percebido. Era um SD (selênio-deficiente) havia muito tempo. Meses (ou anos) me encarando no espelho pela manhã e não notava: a maior cara de quem não vê um selênio há muito tempo!&lt;br /&gt;            Devia ser por isso que eu acordava algumas noites com uma sensação de secura na boca, o peito apertado. Selênio, claro! E aquele meu jeito de andar, ombro meio caído: selênio. E aquela gravata que todo mundo odiava, mas não falava nada... Não, aí era mau gosto mesmo.&lt;br /&gt;            Ainda tentei negociar:&lt;br /&gt;            - Tem certeza, doutor? Não seria quem sabe um cálcio, um potássio... Não gosto muito de banana, sabe?&lt;br /&gt;            - Não, não! É selênio, mesmo.&lt;br /&gt;            - E o ferro, como é que está o ferro? Parece que aquela virgulazinha ali tá meio adiantada...&lt;br /&gt;            - Não, nada de errado com o seu ferro, amigo. Ele me chama de amigo, o confiado (amigo não cobra consulta). - Acho até que você devia parar de levar ferro para casa. Rá, rá!&lt;br /&gt;            Muito engraçado! Tantos anos de estudo e não sabe que não se deve brincar desse jeito conosco, os fracos de selênio. E aí me lembrei: os assassinatos na Rua Gomes Morato, ano passado. Alguém pensou em dosar o selênio do suspeito? Ou mesmo das vítimas, que não se sabendo carentes de selênio poderiam ter provocado o assassino além do limite tolerável?&lt;br /&gt;            Digo mais: cidades inteiras, o mundo todo deveria ter seus níveis seleniais dosados. Melhor ainda, monitorados diariamente. Imagino que uma flutuação nos níveis possa ser tão perigoso quanto uma diminuição, apenas.&lt;br /&gt;            Pago a consulta (nessa hora cadê o amigo?), já me sentindo outra pessoa. Daqui para frente só me alimento com alimentos ricos, milionários em selênio. Que são quais, mesmo, me esqueço de perguntar. Em casa, abri correndo a Internet. Selênio: ampla distribuição na natureza, presente em quase todos os alimentos: carnes, produtos de origem animal e plantas, dependendo da concentração do solo. Deficiência extremamente rara.&lt;br /&gt;            Não. Definitivamente os assassinatos da Gomes Morato não estão relacionados ao selênio. Quanto ao meu terapeuta ortomolecular, ele que se cuide.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114342343667286035?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114342343667286035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114342343667286035&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114342343667286035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114342343667286035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/03/fornido.html' title='Fornido'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114342326946846843</id><published>2006-03-26T16:52:00.000-08:00</published><updated>2006-03-27T11:11:19.156-08:00</updated><title type='text'>Agradecimento II: Ambição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando, finalmente, caio (despenco, na verdade) no sono, meus co-autores se revelam: há muito deles e muito pouco de mim aqui.&lt;br /&gt;Acordo ainda em transe. Corro ao computador sem nem dar chance ao pipi (pertenço à seita que acredita que com a liberação dos fluidos a criatividade se esvai, por isso só escrevo de bexiga cheia).&lt;br /&gt;A divisão do texto é sempre assim:&lt;br /&gt;Início interessante, algumas vezes até brilhante: deles, dos sonhos.&lt;br /&gt;No meio, começo a dar as minhas tímidas pinceladas. A relutância natural dos verdadeiros criadores é afogada pela minha consciência, cada vez mais clara, acordada pelo apito do microondas.&lt;br /&gt;Pronto, ligaram a TV. Tento segura-los pelo rabo (alguns têm rabo, esquisito).&lt;br /&gt;Tarde demais.&lt;br /&gt;Odeiam coisas como rádio, TV, i-pods, essas bobagens. Agora é contigo, dizem, e me abandonam nessa angústia.&lt;br /&gt;Releio o texto do começo.&lt;br /&gt;Não reconheço quase nada do que foi escrito.&lt;br /&gt;Volto para a cama.&lt;br /&gt;Não adianta, não retornarão. Pelo menos não os mesmos. Se retornam, mudam os autores, transformam-se os estilos. Dormem Vitor Hugo, acordam James Joyce, uma loucura.&lt;br /&gt;Não deve ser difícil, penso. Derramo palavras, milhares delas, no chão e vou tentando. Passo horas nesse desafio. Às vezes ouço risinhos de escárnio deles, vindo de algum ponto da casa.&lt;br /&gt;Num dado momento, me encho. Tenho mais o que fazer da vida, tão ouvindo? Vocês, que começaram essa droga, que terminem.&lt;br /&gt;Então vai assim mesmo:&lt;br /&gt;Zac, zoc, zic, zac, zac, zoc... (onomatopéia triste, essa)&lt;br /&gt;Pronto!&lt;br /&gt;Dias, semanas após, visito novamente o texto. Olho para os lados, desconfiado.&lt;br /&gt;Ninguém.&lt;br /&gt;Assino. Meu, azar, ninguém tasca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114342326946846843?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114342326946846843/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114342326946846843&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114342326946846843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114342326946846843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/03/agradecimento-ii-ambio.html' title='Agradecimento II: Ambição'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24705245.post-114342067108432593</id><published>2006-03-26T16:33:00.000-08:00</published><updated>2006-03-26T17:42:51.970-08:00</updated><title type='text'>Agradecimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como costuma acontecer, principalmente ao se tratar de uma estréia, deveria agradecer a muitos o apoio e incentivo recebido na preparação deste "livro". Mas é a minha maior fonte inspiradora que agora reverencio: Insônia.&lt;br /&gt;Anos atrás, obtive do meu médico um diagnóstico assustador: um quase-infarto. Por sorte era apenas quase. Estava apenas farto. Farto da nossa longa convivência. E, ignorante da nossa interdependência, confesso que tentei pôr um fim na pobre criatura.&lt;br /&gt;Armei-me com um belo travesseiro, obstinadamente exercitei meu frágil corpo nas gélidas manhãs por dias a fio, comprei litros de refrigerante sem cafeína, e, esperançoso, adotei meticulosas e entediantes rotinas. Até pequenas doses de benzodiazepínico eu dei pra coitadinha.&lt;br /&gt;E assim foi que ela não resistiu. Sumiu da minha vida sem deixar rastro e aparentemente para sempre.&lt;br /&gt;Porém, para minha incredulidade, não sei se indignada com tal violência contra ela, fui percebendo aos poucos que ela havia me roubado. Procurei em desespero nos mais empoeirados recônditos da minha cinzenta substância, revirei gavetas da cômoda memória e nada. A diabinha levou consigo todo e qualquer vestígio da minha pretensa criatividade.&lt;br /&gt;Já no bilhetinho de adeus que a imaginação a ela imputava, pude perceber no que minha vida se transformaria. Dizia de forma irremediavelmente lacônica:&lt;br /&gt;"Amor meu&lt;br /&gt;Onde outrora eu abundava&lt;br /&gt;Hoje há a bunda do Morfeu. Fui."&lt;br /&gt;Não tinha jeito. Sentindo-me saudável como havia muito não me sentia, com uma incômoda sensação de normalidade e um vazio inconsciente relutante, abandonei meus novos hábitos e, com o arrependimento estampado, corri pedir penico para a bandida.&lt;br /&gt;Reencontrei-a, como não poderia deixar de ser, na madrugada, talvez buscando novas e incautas vítimas. Como eu suspeitava, tornou a me aceitar de braços abertos.&lt;br /&gt;Novamente insinuante, deita-se agora na minha cama todas as noites, sem me pedir licença. Insaciável, me faz acompanhá-la em manobras acrobáticas sobre o colchão. Insatisfeita, reclama da falta de espaço. Ingrata, nem liga quando me retiro para a sala. Injuriado, suspeito que um dia desses a abusada vá me pedir que lhe traga um copinho d’água.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24705245-114342067108432593?l=umacacofonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://umacacofonia.blogspot.com/feeds/114342067108432593/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24705245&amp;postID=114342067108432593&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114342067108432593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24705245/posts/default/114342067108432593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umacacofonia.blogspot.com/2006/03/agradecimento.html' title='Agradecimento'/><author><name>Oscar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06549929234467905478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-ABqg8B_6HFY/Tw9Q_1fAmRI/AAAAAAAABW0/Xjpos0rCzOQ/s220/029.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
